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6 mitos sobre as vacinas

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Cada vez que algum caso de pessoa que desenvolveu uma determinada doença após tomar vacina sai na mídia, o tal “debate da vacina” é reacendido.

Porém, cientificamente, não existe razão para debate. Em conjunto com a água limpa e o saneamento básico, as vacinas são uma das medidas de saúde pública mais eficazes já introduzidas, salvando milhões de vidas no mundo todo a cada ano. Seguem, abaixo, 6 mitos sobre as vacinas e por que todos eles estão errados:

1. As vacinas causam autismo

O mito de que as vacinas estão, de alguma forma, ligadas ao autismo não possui conexão alguma com a realidade. A história começou a ser debatida em 1998, com a publicação de um artigo em uma revista médica (agora bastante conhecida) chamada Lancet. Nele, o ex-pesquisador e ex-cirurgião britânico Andrew Wakefield, posteriormente impedido de praticar a medicina no Reino Unido, foi o primeiro a sugerir a vacina contra o sarampo, a caxumba e a rubéola (MMR) pode estar ligada ao autismo.

O que ele não revelou foi a grande quantidade de conflitos de interesse que havia por trás da “descoberta”. Como foi desvendado na sequência, Wakefield estava sendo pago por advogados que moviam uma ação coletiva contra os fabricantes de MMR. Além disso, o próprio Wakefield tinha apresentado um pedido de patente para uma vacina única contra o sarampo.

Toda essa tramoia foi finalmente veio a público quando o artigo foi desmentido em 2010. O texto foi classificado como “desonesto, antiético e insensível” e a British Medical Journal (a revista médica britânica) o acusou de fraude deliberada. Porém, uma vez que a ideia havia sido publicada, os cientistas foram obrigados a investigar, sobretudo porque o assunto poderia prejudicar a imagem da saúde pública de forma tão dramática.

Uma das mais poderosas evidências de que não há qualquer ligação entre a vacina e o autismo vem do Japão, onde a MMR foi substituída por vacinas individuais, em meados de 1993. Mesmo assim, os índices de autismo por lá continuaram a subir.

Uma vez desmentida essa história, o grupo do lobby antivacina passou a atribuir a culpa ao tiomersal, um componente que contém mercúrio. Pequenas quantidades de tiomersal já foram utilizadas como conservante em algumas vacinas, mas nunca no caso da MMR.

O tiomersal, ou etil-mercúrio, foi removido de todas as vacinas infantis programadas para serem aplicadas na população em 2000. Por isso, se esse elemento de fato estivesse contribuindo para o aumento dos casos de autismo, nós observaríamos uma queda acentuada nesses números após a sua remoção. Em vez disso, como aconteceu quando a MMR foi substituída no Japão, o autismo continuou a subir.

Outra evidência vem de uma exaustiva revisão bibliográfica recentemente publicada, que examinou 12 mil artigos de pesquisa abrangendo oito vacinas diferentes. Esse trabalho também concluiu que não há ligação entre as vacinas e o autismo.

No entanto, o mito persiste. Um dos prováveis motivos é o fato de que o diagnóstico do autismo muitas vezes coincide com o momento em que a criança recebe diversas vacinas diferentes. Além disso, atualmente não sabemos o que causa o autismo. Mas sabemos o que não causa, e nessa lista estão as vacinas.

2. A varíola e a poliomielite desapareceram, por isso não há mais necessidade de se vacinar

Errado. É justamente por causa das vacinas que doenças tais como a varíola foram erradicadas.

A Índia recentemente passou dois anos sem um único caso de pólio registrado por causa de uma campanha de vacinação bem sucedida. Países desenvolvidos, como a Austrália, já foram declarados livre do sarampo pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Brasil foi o primeiro país das Américas a pedir o certificado de eliminação do sarampo, em 2010. Na primeira década deste século, o número de casos no Continente Americano caiu 99%, passando de 136 mil, em 1998, para 11 casos, em 2009. De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, o país não registra transmissão de sarampo desde 2000.

No caso da Austrália, a declaração de que o sarampo estava erradicado no país teve um efeito negativo: a população e as autoridades deixaram de ser tão vigilante sobre a vacinação e os surtos começaram a reaparecer. O impacto da complacência com a vacina pode ser observado na atual epidemia de sarampo no País de Gales, onde há já foram mais de 800 casos e uma morte.

Muitas das pessoas que agora estão com sarampo se situam na faixa etária que deixou de tomar a vacina MMR após a polêmica do autismo levantada por Wakefield. De muitas maneiras, as vacinas são as vítimas de seu próprio sucesso, levando-nos a esquecer quão debilitantes algumas doenças evitáveis podem ser.

3. Mais pessoas vacinadas contraem a doença do que as não vacinadas

Embora isso pareça um contrassenso, é realmente verdade. Mas isso não significa que as vacinas não funcionam. Lembre-se de que nenhuma vacina é 100% eficaz e elas não são um campo de força. Ou seja, por mais que ainda seja possível pegar a doença contra a qual você foi vacinado, a gravidade e a duração da doença serão reduzidas.

No caso da coqueluche, por exemplo, complicações mais graves como a pneumonia e a encefalite (inflamação do cérebro) ocorrem quase exclusivamente em pessoas que não haviam sido vacinadas.

Uma vez que a maioria da população recebe vacinas, a maioria das pessoas que pegam uma determinada doença terá sido vacinada. A diferença é que eles vão sofrer menos complicações e menos efeitos a longo prazo do que aqueles que estiverem completamente desprotegidos.

4. Meu filho não vacinado não deveria ser uma preocupação para o seu filho vacinado

A vacinação não é uma questão pessoal, e sim uma responsabilidade da comunidade, principalmente no que diz respeito ao conceito conhecido como “imunidade comunitária”. Essa expressão descreve o nível de vacinação que previne que epidemias ou surtos de doenças entrem e se espalhem por uma comunidade.

Algumas pessoas questionam a validade desse conceito, por vezes referida como “imunidade de rebanho”. No entanto, o impacto de uma quebra em uma comunidade imunizada pode ser facilmente observado em locais onde os níveis de vacinação atingiram números perigosamente baixos. O surto de sarampo no País de Gales é um exemplo notável.

Outro fator importante sobre a imunidade da comunidade é que o fenômeno protege aqueles que, por algum motivo qualquer, não podem ser vacinados ou não são totalmente imunizados. Esse grupo inclui crianças muito pequenas, pessoas imunocomprometidas (como pacientes com câncer) e idosos.

5. As vacinas contêm toxinas

Uma busca rápida no Google sobre os componentes das vacinas pode revelar uma mistura de ingredientes assustadores. Os não-iniciados no tema podem achar que se trata de uma “ciência de Frankstein”.

Alguns dos resultados que se obtém em uma pesquisa na internet, todavia, são falsos (não, não existe anticongelante em vacinas) ou são simples alarmismo. (Na década de 1960, cientistas extraíram algumas células de um feto. Esse foi o início de uma linha de células que ainda hoje é usada em laboratórios. O pessoal antivacina muitas vezes se refere às células como “fetos abortados”.)

Alguns dos produtos químicos que supostamente existem nas vacinas (lembre-se, porém, de que tudo é feito de substâncias químicas) de fato estão presentes, mas em níveis tão baixos que jamais causarão toxicidade. O mais importante que você deve ter em mente sobre uma substância venenosa é sua dose – em quantidades muito elevadas, até mesmo a água pode matá-lo. Há, por exemplo, 600 vezes mais formaldeído em uma pera do que em uma vacina.

Além disso, se você já leu a afirmação de que “as vacinas são injetadas diretamente na corrente sanguínea” (elas não são), é melhor ser cético em relação a quaisquer outras reivindicações feitas.

6. Vacinas sobrecarregam o sistema imunológico subdesenvolvido das crianças

O conceito de “em muita quantidade muito cedo” foi recentemente examinado em uma análise detalhada feita pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos sobre o calendário de imunização daquele país.

Os especialistas procuraram, especificamente, por evidências de que a vacinação tenha sido associada a “doenças autoimunes, asma, hipersensibilidade e convulsões; distúrbios do desenvolvimento da criança, de aprendizagem ou distúrbios de desenvolvimento; déficit de atenção ou transtornos disruptivos”, incluindo o autismo.

Os pesquisadores confirmaram que o calendário de vacinação infantil era seguro.

A quantidade de desafios imunológicos contra as quais as crianças lutam todos os dias em seu ambiente (entre 2 mil e 6 mil) é significativamente maior do que o número de antígenos ou de partículas reativas de todas as vacinas que elas devem tomar combinadas (cerca de 150 para todo o grupo de vacinas obrigatórias). [Medical Xpress]

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