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Como escolher champagne, espumante, frisante? Como e quando servir?

champagne estourando

Se existe uma época do ano propícia para se beber champagne, espumantes, frisantes ou mesmo as populares sidras, é no final de ano. Leves, adocicadas e saborosas, já virou tradição celebrar o Ano Novo com a companhia dessas bebidas. Porém, pelo menos para os leigos, como saber qual destes produtos que está consumindo? Como diferenciar o gosto de cada uma delas? Mais importante, quando e como servir?

Para o sommelier (profissional especializado, encarregado em conhecer os vinhos e de todos os assuntos relacionados ao serviço deste, entre outros atributos) e gerente de uma importadora de vinhos em Curitiba, Roberto Cartaxo, a diferenciação não fica só na aparência. É preciso conhecer bem o assunto. “O champagne, por exemplo, é um espumante produzido na região homônima na França. Entretanto, não basta apenas ser fabricado nesse local. É necessário que o vinho respeite regras bem definidas para poder ser chamado de champagne. Por exemplo, apenas três tipos de uva são permitidas para a fabricação da bebida: a pinot noir (responsável pela estrutura, cor dourada e aromas de frutos maduros), chardonnay (que fornece aromas florais, frutados, amanteigados e refinamento aromático à bebida) e pinnot meumier (que também fornece estrutura ao vinho. Esta uva é a menos importante entre as demais). Por causa de todo esse cuidado e requinte, o champagne, que tem como característica o seu frescor e acidez, é uma bebida cara, com preço que pode variar entre R$ 150 até R$ 1,5 mil”, revela. Ele explica que o assunto é muito mais complexo do que se pode imaginar. “Poderíamos ficar horas falando sobre esse assunto. Ele é tão cheio de detalhes que daria para escrever vários livros”, brinca.

Os espumantes e frisantes são, de acordo com o sommelier, vinhos que se assemelham ao champagne, todavia, pelo fato de não serem produzidos na região de champagne e, em alguns casos, por utilizarem outro tipo de uva, recebem essa denominação. “Alguns espumantes, como o cavas, produzido na Espanha, passam pelo mesmo processo do champagne, mas, devido a sua localização geográfica, recebem o nome de espumantes. Além disso, por utilizarem outros tipos de uva, o sabor varia, indo do seco ao doce. O frisante, por sua vez, tem um sabor mais doce, ainda que isso não seja regra. Ele passa por um processo de fermentação diferente do champagne e do espumante. Enquanto estes passam por dois processos, aquele passa por apenas um. Associado a isso, o fato de possuir menos pressão atmosférica na garrafa (gerando uma bebida com menos gás) acaba influenciando no seu sabor. As sidras passam por algo semelhante, mas a diferença é de que a bebida é feita de maçã e não de uva”, explica.

A enóloga (profissional formada em enologia) e professora do curso de sommelier do Centro Europeu em Curitiba, Sandra Zottis, explica os processos de fermentação pelo qual essas bebidas passam. “No caso do champagne e espumante, eles podem passar pelo processo champenoise (fermentação na própria garrafa) ou charmet (toneis). O primeiro dá uma composição mais complexa à bebida enquanto o segundo, mais padronizada. O frisante passa apenas pelo charmet. Por ser mais simples, os frisantes são mais fáceis de se beber, ao passo que o champagne é mais complexo”, informa.

Por serem bebidas com gás carbônico, a professora indica que eles devem ser servidos gelados. “O ideal é deixar na geladeira por três horas. A bebida não deve ser colocada nem em congelador, freezer ou na porta da geladeira. Outra maneira boa de se colocar para gelar é em um balde com água e gelo, por 40 minutos. A temperatura ideal é próxima a seis graus celsius. Para verificar a qualidade do produto, basta visualizar a taça. Quanto mais delicada, fina e menor a bolha, melhor é a bebida”, conta. Ela explica também qual seria a melhor maneira de se servir a bebida, caso o anfitrião queira seguir as “regras”. “A taça indicada para ser servida é a flûte, por serem mais finas, conservarem o gás carbônico por mais tempo e por facilitar a visualização do líquido. O bom dessas bebidas é que elas são consideradas curingas, ou seja, ficam bem com tudo e, pelo caráter ácido, ajudam a limpar a boca e auxiliam no paladar. O correto, para quem for fazer uma ceia mais sofisticada, é o de servir espumante seco, do tipo brut, para a entrada e primeiro prato; champagne para o prato principal e, para sobremesa, serve-se um espumante ou frisante mais doce. Caso você queira fazer algo mais simples, aí vai do seu gosto e suas condições. Faça algo que venha agradar a todos”, avalia.

[Paraná Online]

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