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Cuidado: beber água em excesso pode matar

No dia 12 de janeiro de 2007, uma rádio popular em Sacramento (Califórnia, EUA) promoveu um concurso chamado “Hold your wee for a Wii” (literalmente, “segure seu xixi por um Wii”). Em busca de um videogame como prêmio, os 20 competidores deveriam beber a maior quantidade possível de água sem ir ao banheiro.

Uma mulher de 28 anos, Jennifer Strange, estava na disputa, até que começou a sentir a barriga inchando. Morrendo de dor, ela foi para casa e ligou para a família. Quando a mãe entrou no quarto de Jennifer uma hora depois, era tarde demais: a filha estava morta. Por que? Tinha bebido água demais.

Este infeliz caso é uma prova de que até mesmo a água, símbolo da saúde, vitalidade e bem-estar da humanidade, pode fazer mal se for ingerida em excesso. Ao beber mais de seis litros de água em menos de três horas, Jennifer Strange sofreu uma hiponatremia.

Os riscos do desequilíbrio

Nem todo mundo já ouviu este termo médico, mas a hiponatremia significa algo muito simples: a proporção entre água e sais no organismo foi desregulada. Os doutores recomendam que o plasma sanguíneo contenha 135 mmol (medida de matéria de um soluto) de sódio por litro de sangue.

Se a taxa for menor do que isso, o corpo passa a sofrer com náusea, vômitos e dor de cabeça, a princípio. Se a hiponatremia permanecer por mais tempo (questão de poucas horas), os sintomas se agravam: pode haver convulsões, desmaios, entrada no estado de coma. E, como se viu no caso da pobre garota americana, a morte.

Isso acontece devido a uma disfunção hormonal. Beber água em excesso desencadeia um aumento de fluidos corporais pelo corpo, mas diminui o sangue em circulação. Com menos sangue, o corpo ativa a produção do hormônio antidiurético, que atrapalha as coisas ao invés de ajudar: retém mais água ainda.

Com o sangue cada vez mais fluido e circulando com menos força, a oxigenação das partes começa a ser afetada. Começa pelos músculos, mas rapidamente atinge o cérebro. Sem oxigenação cerebral, as funções nervosas são afetadas. Se a pessoa não receber uma ingestão de sódio rapidamente, pode ser um caminho sem volta.

Como evitar a hiponatremia

Existe um consenso médico, muito propagado, de que o ideal é beber dois litros de líquidos por dia para evitar a desidratação. Embora o número varie devido a uma série de condições, é uma taxa aceitável. O problema é que muitas pessoas acreditam que o consumo de água funciona na base do “quanto mais, melhor”, e acabam exagerando na dose.

Em algumas modalidades esportivas, tais como o triatlo e a maratona, a garrafinha de água nas mãos é uma companheira tão inseparável quanto o tênis e o cronômetro. Um grande erro, segundo a medicina moderna.

O ideal é que o atleta reponha líquidos e sais na quantia adequada. O famoso isotônico Gatorade, por exemplo, surgiu exatamente para suprir essa demanda entre jogadores de futebol americano. Isso vale tanto para um esportista profissional quanto para pessoas com rotina sedentária. [Medical Xpress/Scientific American Brasil/News Desk]

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