Dando asas à informação

10 antigos esquemas de espionagem nazista na América

Mesmo antes do envolvimento dos EUA na Segunda Guerra Mundial, estrategistas nazistas, incluindo a agência de inteligência alemã, começaram a inserir agentes em cidades americanas para fazer com que cidadãos germano-americanos aderissem à causa nazista. A prática continuou durante a guerra. Embora tenha havido alguns sucessos notáveis, também houve fracassos espetaculares. E, como adoramos saber das grandes histórias de espionagem da vida real, confira dez esquemas alemães que ocorreram em solo americano durante os anos 1930 e 1940:

10. Operação Pastorius, 1º grupo

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Em junho de 1942, o submarino alemão U-202 carregando um pequeno grupo de sabotadores chegou na costa de Long Island, Nova York. Quatro espiões, liderados por George John Dasch, haviam ido até os EUA para praticar atos de violência, incluindo explodir pontes, ferrovias e fábricas em Nova York e na Costa Leste durante um período previsto de dois anos. Dasch e seus homens eram metade da força-tarefa conhecida como “Operação Pastorius” (ver nº4), projeto de estimação de Hitler que os seus conselheiros de inteligência disseram que não tinha chances de sucesso. Os homens escolhidos eram inexperientes, e tinham muito pouco treinamento em operações de inteligência.

A missão não começou bem, de fato. Os homens ficaram presos em um banco de areia. Com a correnteza, foi difícil chegar à costa em um bote inflável. Os homens mal tiveram tempo suficiente para enterrar seus suprimentos (explosivos, detonadores e temporizadores) e tirar seus uniformes quando um guarda policial, John Cullen, quase literalmente tropeçou em cima deles. Dasch, nervoso, ameaçou Cullen, e tentou suborná-lo para que ele ficasse quieto. Cullen não ficou quieto. Ele relatou o incidente suspeito. Um pouco de escavação na praia revelou quatro caixas de explosivos e equipamentos, uniformes alemães e tocos de cigarros alemães. O FBI entrou no caso, e uma busca pelos homens começou, mas Dasch e seu grupo já tinham se mandado. Enquanto os outros três espiões nazistas se escondiam em um hotel, Dasch foi para Washington, onde se entregou, bem como seus companheiros sabotadores. Ele recebeu uma sentença de 30 anos de prisão, em vez de ser executado como seis outros membros da Operação Pastorius. Ele recebeu perdão em 1948, e foi deportado para a Alemanha Ocidental.

9. Operação Magpie

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Em novembro de 1944, dois agentes alemães desembarcaram na América, não para cometer sabotagem desta vez, mas para reunir informações sobre navios militares, aviões e armas americanos. Se possível, eles também deviam atrasar o desenvolvimento da bomba atômica. Os espiões eram Erich Gimpel, natural da Alemanha e ex-membro da Abwehr (nome do serviço de informação do exército alemão, ativo de 1925 a 1944) que falava Inglês, e William Colepaugh, um americano de ascendência alemã e simpatizante nazista, que tinha pouca experiência em espionagem.

O submarino alemão U-1230 deixou Colepaugh e Gimpel perto Hancock Point, no Maine. Suas roupas não eram adequadas para o frio e a neve de New England, mas eles conseguiram ir a pé (e transportando bagagem cheia de identidades falsas, armas, câmeras, dinheiro e diamantes) a uma estação ferroviária, onde tomaram um trem para Boston e depois para Nova York.

Em Nova York, ao invés de fazer espionagem e atividades clandestinas, o instável e alcoólatra Colepaugh caiu na bebedeira, nas festas e nas mulheres, para grande desgosto de Gimpel. Em um mês, Colepaugh gastou US$ 1.500 do dinheiro que tinha sido dado para as despesas operacionais. Pouco antes do Natal, Colepaugh abandonou Gimpel e fugiu com o resto do dinheiro, mais de US$ 40.000, e uma companheira de reputação duvidosa, terminando em um hotel caro. Depois de uma farra final, Colepaugh se entregou ao FBI em 29 de dezembro. Nem ele, nem Gimpel tinham feito nenhuma espionagem durante seu breve tempo em Nova York. Colepaugh disse às autoridades tudo o que sabia, inclusive onde encontrar Gimpel. Apesar de sua cooperação com o governo norte-americano, Colepaugh foi julgado em um tribunal militar com Gimpel. Os dois homens foram condenados à morte, mas o fim da guerra atrasou as execuções e as sentenças foram comutadas para prisão perpétua. Gimpel foi liberado em 1955 e voltou para a Alemanha Ocidental para escrever suas memórias, enquanto Colepaugh recebeu liberdade condicional em 1960, e estabeleceu-se na Pensilvânia.

8. Waldemar Othmer

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Nascido na Alemanha, Maximilian Gerhard Waldemar Othmer veio para os EUA em 1919. O homem simpático se tornou cidadão naturalizado em 1935, casou com uma mulher americana, e iniciou um emprego temporário como vendedor de aspirador de pó. Apesar de ter feito frequentes viagens para a Alemanha, ninguém imaginou que Othmer era um agente da Abwehr. Ele se envolveu com o movimento pró-nazista, tornando-se o líder de Trenton, Nova Jersey, conseguindo um emprego em Camp Pendleton (Norfolk, Virginia), uma base militar, sob ordens da inteligência alemã. Nesta posição, ele foi capaz de enviar informações para a Alemanha sobre navios britânicos e americanos militares, comboios e navios mercantes no porto, etc.

Em 1942, ele foi transferido pelo Exército para Knoxville, Tennessee. Uma investigação do FBI sobre Othmer, devido às suas simpatias nazistas, mostrou-se inconclusiva. Em 1944, uma nova investigação do FBI recolheu alguns fatos cruciais, incluindo o pedido incomum de Othmer a um dentista de Nova Jersey por Pyramidon, um analgésico comum europeu utilizado por agentes Abwehr como ingrediente em tinta invisível. Ele foi trazido para interrogatório, e logo confessou ser um agente de espionagem nazista. Informou que enviava dados por escrito em código com tinta invisível para seus superiores, mas se negou a nomear outros agentes. No entanto, entregou um microfilme contendo o código que usava ao se comunicar com Abwehr, que estava ligado a outros casos de espionagem. Ele foi julgado como espião, condenado e sentenciado a 20 anos de prisão.

7. Guenther Gustav Rumrich

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Nascido em Chicago, Illinois, de um pai austro-húngaro e criado na Alemanha, Guenther Gustav Rumrich retornou aos Estados Unidos em 1929 e serviu no Corpo Médico do Exército dos EUA no Panamá até a sua deserção em 1936. Ele tornou-se suspeito de possíveis atividades de espionagem em 1938 por causa da Sra. Jessie Jordan, da Escócia. Ela era uma mulher sob vigilância pelo serviço de inteligência da Grã-Bretanha, MI-5, que acreditava que ela trabalhava para os alemães agindo como “correio”, passando cartas de e para a rede de espionagem nazista em Nova York. As comunicações da Sra. Jordan com um “Mr. Crown” foram interceptadas pelo MI-5. Crown era o codinome de Rumrich, e as cartas eram ordens e instruções do seu chefe em Abwehr. O MI-5 passou as informações para o FBI.

Rumrich foi colocado sob vigilância federal, mas não caiu em nenhuma das armadilhas americanas. Em vez disso, em fevereiro de 1938, ele ligou para o escritório de passaportes em Nova York, mascarado como subsecretário de Estado dos EUA, pedindo trinta e cinco passaportes em branco enviados para seu endereço. O funcionário suspeitou e relatou o incidente às autoridades. Rumrich foi preso no que se tornou o primeiro grande caso de espionagem pré-guerra na América. Ele forneceu informações sobre seus companheiros agentes, que também foram presos. Nos julgamentos, ele atuou como testemunha da acusação. Por sua cooperação, ele foi condenado a apenas dois anos de prisão. Infelizmente, espiões nazistas mais importantes escaparam do FBI, e o caso não foi considerado um sucesso.

6. Lilly Stein

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Nascida em 1914 em Viena, Áustria, de pais ricos e respeitáveis, as primeiras atividades de Lilly Stein incluíram patinação no gelo e tênis. No entanto, seus contatos com a sociedade vienense, a separação de sua família e, possivelmente, seu caso com um diplomata de carreira americana e funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Ogden H. Hammond Jr., levaram a morena socialite a ser recrutada pelo Abwehr como agente inteligente.

Em 1939, Lilly foi enviada a Nova York, onde abriu uma loja de roupas. Ela recrutou agentes para Abwehr e agiu como endereço de encaminhamento, movendo cartas contendo pedidos ou informações roubadas com sucesso. Seu caso “puramente platônico” (segundo ela) com Hammond continuou.

Ela só não ajudou mais os nazistas porque o empreendimento da loja de roupas falhou, e os agentes geralmente demoravam a lhe pagar. Para se sustentar, ela trabalhava como modelo. Suas constantes reclamações e exigências de dinheiro testaram a paciência da Abwehr ao limite, forçando-os a cortar suas operações. Em 1941, Lilly foi entregue a polícia por um agente duplo (ver nº 1). Apesar de sua afirmação de que ela foi forçada a entrar no negócio de espionagem porque não era puramente ariana (e, portanto, enfrentava a ameaça de ser colocada em um campo de trabalhos forçados, ser deportada, ou pior, quando os nazistas tomaram a Áustria), ela recebeu 10 anos de prisão.

5. Hermann W. Lang

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Embora tivesse se mudado para Nova York em 1927 com 25 anos e trabalhado durante anos para ganhar a naturalização, Hermann W. Lang sempre se manteve fiel ao seu país de nascimento: Alemanha. A lealdade o levou a adquirir informações valiosas para a agência de espionagem nazista Abwehr, depois que ele foi recrutado durante uma visita domiciliar em 1938. Desenhista de profissão, Lang trabalhou em uma fábrica do grupo Carl L. Norden Corp, que fabricava equipamentos e materiais de defesa militares supersecretos. Um de seus projetos mais bem guardados era um visor de bombardeio melhorado para a Marinha e Força Aérea americanas, considerado vital para os interesses norte-americanos – tanto que sua existência foi mantida a sete chaves, e nem mesmo os aliados mais próximos dos Estados Unidos, incluindo a Grã-Bretanha, tiveram acesso ao visor Norden.

Como inspetor de fábrica, Lang teve acesso aos projetos. A política da empresa proibia qualquer pessoa de levar as plantas para fora do escritório, mas ele conseguiu roubar uma cópia, que mais tarde foi contrabandeada para a Alemanha. Lang continuou a trabalhar e enviar outros detalhes através de uma rede alemã, até que foi preso como parte da operação de espionagem Duquesne (ver nº 1). Ele se declarou culpado e foi condenado a 20 anos de prisão. Durante o julgamento, os promotores e porta-vozes do governo asseguraram o público de que os visores Norden não tinham sido totalmente entregues aos alemães e o segredo permanecia seguro. Eles alegaram que nenhuma pessoa na fábrica teve acesso aos planos completos. No entanto, é possível verificar que o visor usado pela Luftwaffe (força aérea alemã) depois de 1938 tinha uma semelhança com o roubado por Lang.

4. Operação Pastorius, 2º grupo

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Na planejada Operação Pastorius de Adolph Hitler, dois grupos de sabotadores nazistas desembarcaram em território americano em junho de 1942. Assim como seus colegas, a missão do quarteto da Ponte Vedra era simples: sabotar e cometer terrorismo, como explodir ferrovias, canais e lojas pertencentes a judeus, e destruir o sistema de água da cidade de Nova York. O grupo da Flórida era liderado por John Edward Kerling, um alemão que viveu na América durante anos, e que havia retornado à sua terra natal. Esses homens não tinham muito treinamento de espionagem, além de alguns conhecimentos básicos sobre como configurar explosivos. Independentemente disso, eles carregavam uma fortuna em dinheiro e equipamentos, enterrados na areia da praia onde desembarcaram. Eles pegaram um ônibus para o centro de Jacksonville e, em seguida, viajaram para Cincinnati, Ohio, onde esperaram pelas instruções da equipe de Long Island, dirigida por George Dasch. No entanto, Dasch se entregou, fazendo com que Kerling e seus companheiros fossem presos pelo FBI. Eles foram julgados perante um tribunal militar, e executados em cadeira elétrica em agosto de 1942, junto com dois outros homens do grupo de Dasch.

3. Dr. Griebl

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Depois de servir o exército alemão na Primeira Guerra Mundial, Dr. Griebl, um obstetra e cirurgião, imigrou para os Estados Unidos em 1925. Cidadão agora nova-iorquino, ele se tornou líder comunitário e membro da Reserva do Exército dos EUA. No entanto, o médico aparentemente respeitável tinha um grande segredo: era agente nazista desde 1934. Griebl ganhou a confiança de Abwehr a tal ponto que se tornou o principal coordenador e chefe de uma ampla rede espiã em todo o país. Informações de agentes secretos alemães vinham de diversas cidades como Boston, Norfolk e Baltimore diretamente para as mãos de Griebl. Ele também procurou engenheiros com formação germano-americanas, e os recrutou como traidores para passar aos alemães as técnicas militares e planos de defesa dos EUA.

Griebl passou anos sem ser detectado. Por sua dedicação, ele recebeu pagamentos generosos e uma comissão de honra como capitão na Luftwaffe. Em 1938, um de seus espiões de Nova York, Guenther Rumrich, foi preso pelo FBI. Durante a sua confissão, ele entregou Griebl. Depois de ter sido levado para interrogatório, Griebl traiu todos em sua rede, citando nomes e oferecendo detalhes tão prontamente que o FBI decidiu libertá-lo, supondo que ele iria aparecer para o julgamento. Obviamente, ele não fez isso. Na verdade, fugiu para Viena, onde reabriu sua prática médica e largou o negócio de espionagem para a Alemanha nazista. Griebl foi a única pessoa a ocupar comissões simultâneas em ambos os serviços militares alemão e americano.

2. Guellich

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Apesar de parecer inocente nos olhos de seus colegas de trabalho, Guellich era na verdade um agente nazista trabalhando para a rede de espionagem de Griebl, passando segredos da América através de seu trabalho em um estaleiro de New Jersey. O alemão veio para os EUA em 1932, e foi recrutado por Griebl em 1935 devido ao seu trabalho como metalúrgico em uma companhia de barcos federais. Por causa de sua posição no laboratório, Guellich tinha acesso a projetos secretos e restritos desenvolvidos para a Marinha dos EUA, incluindo armas. O material foi enviado para Griebl, que o repassou para a Alemanha. Não demorou muito para que Guellich ganhasse destaque na rede de espionagem nazista. Ele chegou a detalhar para os nazistas o trabalho por Robert H. Goddard, um pioneiro pesquisador em míssil-foguete, e continuou espionando o lançamento de mísseis para ajudar os alemães no desenvolvimento de seus próprios foguetes. Guellich foi traído por Griebl após a detenção deste pelo FBI. Como outros espiões da rede de Nova York, ele recebeu uma sentença leve, apesar de sua espionagem.

1. Duquesne

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O sul-africano Frederick “Fritz” Duquesne da Grã-Bretanha lutou na guerra dos bôeres, o que o levou a trocar de lado e se tornar um traidor e espião para os alemães na Primeira Guerra Mundial. Ele não viu nenhuma razão para mudar sua lealdade novamente quando chegou em Nova York e se tornou um cidadão naturalizado nos EUA. Eventualmente, se ofereceu como espião para Abwehr. Duquesne configurou uma extensa rede de espionagem profissional, coleta de informações de agentes nazistas e agentes infiltrados em locais estratégicos nos Estados Unidos.
Sem o conhecimento de Duquesne, a Gestapo e a Abwehr tentaram recrutar outro espião potencial, William Sebold, nativo alemão que se tornou um cidadão naturalizado dos EUA durante sua visita a Alemanha em 1939. Sua família ainda vivia no país. Por medo de que eles enfrentassem represálias se ele se recusasse de imediato, Sebold concordou em ser um espião nazista, mas, assim que possível, foi calmamente até o Consulado dos EUA em Colônia e ofereceu seus serviços para a América como agente duplo.

Depois de voltar para os EUA em 1940, Sebold auxiliou o FBI na criação de uma operação de vigilância contra a rede de espionagem de Duquesne. Com a sua cooperação, os agentes federais também foram capazes de usar seus códigos para enviar desinformação para Abwehr. Em dezembro de 1941, apenas seis dias após o ataque japonês a Pearl Harbor, o FBI começou a prender os membros da rede de espionagem Duquesne, incluindo o próprio Duquesne, chegando a um total de 33 detenções. A operação foi a maior captura de agentes secretos estrangeiros na América. Alguns se declararam culpados, outros foram a julgamento e todos foram condenados. William Sebold, no entanto, desapareceu e seu destino ainda é incerto. Alguns acreditam que ele recebeu uma nova identidade para protegê-lo da vingança nazista.[Listverse]

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