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10 capítulos excluídos que transformaram livros famosos

Há uma linha tênue entre um bom livro e um ótimo livro. Em alguns casos, apenas um capítulo pode consagrar ou destruir completamente uma obra. Confira 10 livros, clássicos ou não, que poderiam ter sido desconhecidos se não fosse por decisões editoriais sábias ou escolhas difíceis feitas por grandes autores. Todos têm uma coisa em comum: não são o que estavam previstos para ser inicialmente.

10 – Drácula, de Bram Stoker

O romance icônico de Bram Stoker é de longe o livro de terror mais influente da história. Mas o que muitos não sabem é que o capítulo final foi tirado do livro por Stoker no último minuto. No capítulo excluído, o castelo de Drácula desmorona quando ele morre, para esconder o fato de que vampiros estiveram lá. Mas, possivelmente querendo escrever uma sequência, ou estando consciente de que iria se assemelhar ao fim de “A queda da casa de Usher”, de Edgar Allan Poe, Stoker desistiu do capítulo. Então, ao invés de tornar-se conhecido como “o cara que copiou Poe”, Stoker entrou para a história por ter escrito uma das maiores obras da literatura de horror.

9 – O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

Quando Oscar Wilde mostrou esse livro para seus editores em 1890, causou uma grande agitação – em especial por causa das muitas passagens homoeróticas, que não eram socialmente aceitáveis na Inglaterra vitoriana. Os editores disseram a Wilde para adicionar sete novos capítulos para diluir sua efeminação. Ele também foi instruído a retirar todas as partes alusivas à “ação homem a homem”. Enquanto o livro era vendido como louco, Wilde foi preso por seus gostos sexuais. “O Retrato de Dorian Gray” poderia ter sido o primeiro livro popular a tratar da homossexualidade, se não fosse tão duramente editado. Ele foi tão lido e amado que poderia ter aberto o caminho para a tolerância e aceitação da homossexualidade mais cedo na história.

8 – Grandes Esperanças, de Charles Dickens

Esse é um dos mais notáveis livros de Charles Dickens, e conta a história de um rapaz chamado Pip conforme ele cresce. Nesse período, ele ajuda criminosos, encontra o amor e vê uma viúva queimar até a morte. No final, Pip encontra seu antigo amor. Eles se abraçam e vão para caminhos separados como amigos. Originalmente, no entanto, Dickens imaginou um final um pouco diferente: um Pip amargo encontra seu severamente estressado e deprimido antigo amor. Seu marido morreu recentemente e Pip acaba de perder todo seu dinheiro. Pip diz que nunca poderia ter a tido de verdade, e percebe que ambos têm corações “negros”. Nesta versão, eles seguem caminhos diferentes em termos muito pouco amigáveis. Quando Dickens mostrou esta versão para amigos, eles a acharam muito triste e depressiva, por isso ele a mudou. Seus amigos, obviamente, sentiram que a leitura sobre uma velha senhora queimando até a morte enquanto usava seu antigo vestido de casamento do dia em que foi deixada no altar não era tão deprimente – porque essa parte perseverou.

7 – Harry Potter e as Relíquias da Morte, de J. K. Rowling

J. K. Rowling considerou dois finais para a saga Harry Potter. O final que ela escolheu todos nós sabemos: Voldemort morre e Harry salva todos. O final alternativo não era tão feliz, no entanto. Em vez disso, fica implícito que Voldemort pode ter vivido como uma estátua nos jardins de Hogwarts. Além disso, Harry, agora o diretor de Hogwarts e já velho, apaga a memória de todos de que Voldemort existiu. Também fica implícito que o próprio bisneto de Harry será o próximo grande “lorde das trevas”. Rowling nunca quis que isso se tornasse público, mas seu amigo (o único que sabia sobre tal versão) vazou a ideia para a internet.

6 – A Máquina do Tempo, de H. G. Wells

A Máquina do Tempo, de H. G. Wells, foi um dos primeiros romances de ficção científica. No livro, um inglês vitoriano inventa uma máquina do tempo e viaja 800 mil anos para o futuro. Ele descobre que o homem tornou-se duas espécies distintas: os elois (classe dominante) e os morlocks (peludos seres que habitam o subterrâneo). Depois de muita aventura, ele viaja de volta para os dias atuais (cerca de 1894). Durante a fase de edição do livro, querendo mais de “degeneração do homem”, o editor de Wells ordenou um capítulo extra. Wells foi obrigado a escrever uma nova trama em que o viajante visita o futuro distante. Ele descobre uma forma evoluída de elois que ele mata, porque não a reconhecer. Wells não estava feliz com a adição, e depois de muita discussão, ela tornou-se um capítulo excluído. Para os curiosos, o texto está disponível impresso sob o título “The Grey Man”. Se não fosse excluído, o público poderia ter odiado o livro – e talvez todo o gênero que se tornou tão popular, também.

5 – Alice Através do Espelho, de Lewis Carroll

Nesta sequência de Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll decidiu escrever um livro ainda melhor que o primeiro: Alice Através do Espelho. Este segundo livro foi baseado em torno de um jogo de xadrez. Um capítulo, no entanto, teve que ser cortado. O ilustrador de Carroll tinha que tornar o imaginário estranho do autor realidade, mas um desenho era demais para ele: uma vespa de peruca. Por mais que tentasse, não havia nenhuma maneira que ele pudesse desenhá-la. Como resultado, Carroll deixou isso para lá e reescreveu o livro sem o personagem. Muitos dos personagens finais influenciaram canções populares, como “I am the Walrus”, da banda britânica The Beatles.

4 – Autobiografia de Malcolm X, Alex Haley

“Autobiografia de Malcolm X” foi descrito como um dos livros mais importantes do século XX. É curioso, porém, que três dos capítulos foram removidos da obra e que esses três capítulos têm sido chamados de “os mais impactantes”. Eles foram escritos durante os últimos meses de vida de Malcolm X e mostram sua desilusão com a luta pelos direitos civis, bem como sua luta pessoal contra a depressão. Ele também se mostra “desconfiado” de sua própria morte. Os capítulos foram removidos para dar ao livro um final mais otimista, de modo que, apesar das ameaças contra a sua vida, sua mensagem prevalecesse. Tem um gosto amargo observar que ele morreu logo depois disso, mas se os capítulos que faltavam permanecessem no livro, sua causa talvez não tivesse um impacto tão duradouro sobre a sociedade americana.

3 – Picnic na Montanha Misteriosa, de Joan Lindsay

Este livro é um dos maiores romances da Austrália. Nele, um grupo de meninas em idade escolar desaparece ao escalar uma montanha. Uma menina misteriosamente retorna com nenhuma memória do que aconteceu. Logo, toda a cidade sofre de acontecimentos misteriosos, mortes e incêndios. No final, o mistério não é revelado e o livro simplesmente descreve a desgraça da cidade. Joan Lindsay, a escritora, escreveu um final que explicava o destino das meninas, mas o editor disse-lhe para não usá-lo. Escalando a rocha, as crianças entram em um transe e descobrem um buraco no tempo. Três das meninas entram e são transformadas em caranguejos – sim, sério -, enquanto a quarta menina (aquela que retorna) é interrompida por uma pedra caindo. Tudo foi escrito como uma alusão à tensão entre brancos e aborígenes. O livro foi visto como uma verdadeira história – A Bruxa de Blair de seu tempo – com muitos leitores e cinéfilos acreditando que a coisa toda era real, que tinha acontecido. O capítulo suprimido teria revelado sua natureza ficcional, destruindo seu poder e fascínio.

2 – A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Roald Dhal

Esta obra é a mais famosa de Roald Dahl – e incrivelmente horrível, se você pensar bem. A história tem cinco vencedores de um concurso que vão a uma excursão da fábrica de chocolate de Willy Wonka, com quatro punições irônicas e apenas um virtuoso vencendo. Mas a versão original tinha várias crianças a mais, e depois de saber o conteúdo do capítulo dedicado ao último personagem excluído, só podemos nos perguntar por que Dahl não foi enviado para um manicômio.

O capítulo intitulado “Pó manchado” introduz Miranda Piker, a filha de um diretor que é dedicada completamente aos estudos. Tanto ela quanto seus pais ficam enfurecidos ao saber que Wonka fez uma máquina que cria um pó que faz com que surjam pontos vermelhos no rosto de uma criança por uma hora, evitando que tenha que ir para a escola. Eles imediatamente querem sabotar a máquina. É quando a gritaria começa: Wonka diz a mãe de Piker que eles todos deveriam ser moídos e transformados no próprio pó. Da sua forma mais característica, ele então diz que está brincando e pede a Oompa-Loompas para escoltá-los para fora. Quase nenhum tempo se passa antes de os Oompa-Loompas começarem a cantarolar sobre como os amigos de Miranda vão adorar seu gosto.

1 – A Bíblia

A Bíblia vem em muitas variações, com alguns livros ou passagens omitidos ou adicionados. Mas, de um modo geral, as versões contam a mesma história. No passado, no entanto, um grande número de livros que teriam modificado completamente o seu significado foram excluídos. Estes eram os Evangelhos Gnósticos, que acabaram sendo “perdidos” por razões “muito boas”. Por exemplo, o Evangelho de Maria. Ele estimula as mulheres a ter um papel mais ativo na Igreja e é o único livro a realmente chamar Maria Madalena de prostituta. O Evangelho de Tomé “fala mal” de São Pedro e diz que São Tomás era o “faz-tudo” de Jesus. Tendo em vista que a Bíblia tem influenciado muita coisa no mundo, podemos dizer com segurança que estes livros, se não excluídos, teriam mudado a história como a conhecemos.[Listverse]

Um comentário

  1. Vejo que ainda são absorvidas muitas opiniões externas sobre qualquer obra original – qualquer que seja – todas as vezes, eu disse TODAS, a obra que é escrita originalmente ainda é por mais que se perca o fascínio e poder, se perderá muito maior se for retirada e extirpar a sua originalidade. Vejo que autora Joan Lindsay quiz dar um simbolismo final e do pensamento as tres meninas perdidas. Penso eu que o que ela queria simbolizar tranformando-as em carangueijos pelas meninas que tinham uma vida abnegada ao fixação de convívios relatada inclusive no filme retradando-as redunzindo seu convívio a escola e a vida de moça, sem observar o mundo ao seu lado.

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