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10 dos maiores tesouros perdidos do mundo

Seja dinheiro, obras de arte de valor inestimável, ou cofres de conhecimento incontável, a ideia de tesouro ronda na mente de quase todas as pessoas na Terra. Fortunas já foram gastas em busca de tesouros perdidos, mas a maioria continua desaparecida por aí. Confira alguns deles:

10. Manuscritos do Mar Morto

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O Manuscrito de Cobre é um dos 981 textos encontrados no sítio arqueológico Khirbet Qumran entre 1946 e 1956, conhecidos coletivamente como Manuscritos do Mar Morto. Ele tem um significado especial para fãs do Indiana Jones, porque supostamente é um mapa do tesouro. Escrito em folhas muito finas de cobre enrolado, é o único documento encontrado em Khirbet Qumran que não está escrito em pergaminho ou papiro. Além disso, está em um hebraico diferente dos outros, de um tipo que foi usado geralmente centenas de anos mais tarde.

O Manuscrito de Cobre menciona mais de 60 locais diferentes com quantidades variadas de ouro e prata enterradas ou escondidas em cada um. Muitas vezes, é altamente específico, com orientações do tipo “na calha que está no fundo do tanque de água da chuva”. Não há evidência, além do próprio rolo, que indique a existência desses tesouros, mas isso não impediu que diversas pessoas fizessem expedições para encontrá-los. Alguns estudiosos acreditam que os romanos já descobriram todos os tesouros, pois era um povo que tinha o hábito de torturar prisioneiros a fim de encontrar seus esconderijos secretos.

9. A História de Cardênio

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Uma peça de William Shakespeare chamada “A História de Cardênio” foi perdida. Escrita por Shakespeare e John Fletcher, um homem com quem ele também colaborou nas peças “Henry VIII” e “Dois Nobres Parentes”, a trama era centrada em um personagem do romance épico de Miguel de Cervantes, Dom Quixote. Provas da peça existem em alguns lugares, incluindo uma lista de peças a serem interpretadas pelos Homens do Rei (companhia de teatro de Shakespeare), de maio de 1613. No entanto, o manuscrito foi perdido e nunca mais foi visto.

No século 18, Lewis Theobald, editor de Shakespeare e dramaturgo, alegou ter encontrado uma cópia do manuscrito e “melhorado” a peça, transformando-a em outra conhecida como “Dupla Falsidade”. O manuscrito que Theobald afirmou ter foi colocado em exposição no Covent Garden Playhouse, em Londres, que queimou até o chão no início do século 19. Não temos certeza se Theobald estava dizendo a verdade (e alguns estudiosos afirmam que estava), mas, mesmo assim, ainda não encontramos a versão inalterada de uma das peças feitas pelo maior dramaturgo de todos os tempos.

8. Planetário de Arquimedes

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Muitas vezes descrito como o Leonardo da Vinci da Grécia antiga, Arquimedes foi um inventor brilhante, mais conhecido por gritar “Eureca!”. Ele foi o responsável pela criação de um dispositivo conhecido como “planetário”, basicamente uma esfera que mostrava os movimentos do sol, da lua e dos planetas quando vistos da Terra. O planetário de Arquimedes era inigualável em sua complexidade mecânica. Não conhecemos nenhum que tenha sobrevivido ao tempo, apesar de um dispositivo conhecido como “Máquina de Anticítera” ser creditado como intimamente relacionado.

Muito poucos detalhes de como construir as invenções de Arquimedes foram escritos, pois ele não gostava de “registrar coisas mundanas”. No entanto, ele abriu uma exceção para o seu planetário, acreditando que ajudava as pessoas a entender os céus e, portanto, o divino. Os meandros da sua concepção, com engrenagens mecânicas que rivalizavam com um relógio moderno e não foram vistas novamente por mais de mil anos, foram todos meticulosamente detalhados em seu trabalho “On Sphere-Making” (algo como “Sobre como fazer esferas”, em português). Infelizmente, tudo o que sabemos do livro em si vem de outros autores, como o matemático grego Pappus.

7. Tesouros católicos

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Que lista de tesouros perdidos estaria completa sem um pouco de pirataria? Alegadamente escondido nas desabitadas Ilhas Cocos (localizadas ao largo da costa da Costa Rica) fica um tesouro que vale cerca de US$ 300 milhões (mais de R$ 600 mi), composto por 113 estátuas de ouro religiosas, uma Virgem Maria em tamanho natural, 200 caixas de joias, 273 espadas com punhos feitos de joias, 1.000 diamantes, coroas de ouro maciço, 150 cálices e centenas de barras de ouro e prata, de acordo com o original inventário de todas as riquezas acumuladas pela Igreja Católica durante o seu tempo na América do Sul.

Ele foi originalmente deixado nas mãos de um comerciante britânico chamado William Thompson. Oficiais da Igreja queriam que ele navegasse por alguns meses até que as revoluções que as colônias da Espanha haviam iniciado se esfriassem. Infelizmente para a Igreja Católica, a tentação era muita para Thompson e seus homens, que mataram o guarda encarregado de vigiar o tesouro e partiram para as Ilhas Cocos. Eles supostamente enterraram todas as riquezas, com a intenção de voltar mais tarde para pegá-las. Mas o navio foi interceptado por funcionários espanhóis, e todos, exceto Thompson e seu braço direito, foram enforcados por pirataria. Em troca de clemência, Thompson concordou em levar os funcionários para o tesouro, mas fugiu para a selva logo que chegou à ilha, e nem ele, nem o tesouro jamais foram vistos.

6. Espécime Maxberg

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Um dos primeiros exemplos de um fóssil de transição (neste caso, entre um dinossauro e uma ave), o Archaeopteryx é um achado importante, tanto nas áreas de paleontologia quanto ornitologia. Apenas 11 fósseis relativamente completos já foram encontrados, tornando cada um extremamente valioso. O “espécime Maxberg” foi descoberto em 1956 por dois homens que trabalhavam em uma pedreira na Alemanha, que era propriedade de Eduard Opitsch. Na época, foi apenas o terceiro espécime de Archaeopteryx encontrado.

Opitsch emprestou-o ao Museu Maxberg para estudo. Inicialmente com a intenção de vendê-lo, Opitsch assustou quando soube que teria que pagar impostos sobre o esqueleto. Tirou-o do museu e retornou-o a sua casa, onde permaneceu escondido até sua morte. Depois disso, seu sobrinho tentou encontrá-lo, mas não conseguiu; presume-se o Archaeopteryx tenha sido roubado nos dias seguintes à morte de Opitsch. Se for encontrado, os cientistas acreditam que os avanços tecnológicos recentes podem permitir-lhes descobrir ainda mais sobre o fóssil, já que ele nunca foi devidamente limpo.

Obs.: A foto acima é do espécime de Munique, descoberto em 1992.

5. Tesouro asteca

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Em 30 de junho de 1520, Hernan Cortés e seus soldados foram presos na capital de Tenochtitlan, rodeados por uma população asteca furiosa que tinha acabado de ver o seu líder morto (registros espanhóis dizem que os próprios astecas o mataram). Na calada da noite, Cortés e seus homens tentaram fugir da cidade carregados de quantidades imensuráveis de tesouros roubados durante o seu tempo na capital asteca. No entanto, eles foram vistos por guardas, e intensos combates começaram.

Metade das tropas espanholas foram mortas durante a fuga. No episódio que veio a ficar conhecido como “La Noche Triste”, Cortés perdeu mais do que homens e munições; ele também perdeu grande parte do tesouro saqueado. Acredita-se ele foi recuperado pela população asteca, que o enterrou nas colinas da área circundante para evitar que os espanhóis o pegassem. Quando Cortés voltou para a cidade, questionou todos os refugiados sobre o tesouro, mas não foi capaz de encontrar sequer um traço dele. Grande parte do maior tesouro já acumulado nas Américas ainda pode estar em algum lugar.

4. Fountain de Duchamp

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Um dos artistas mais revolucionários do século 20, o franco-americano Marcel Duchamp é, provavelmente, mais conhecido por seu trabalho “Fountain” (“fonte”, em português), criado em 1917. Com desejo de desafiar o que poderia ser considerado arte, bem como a forma como as pessoas a valorizam, ele criou peças que eram simplesmente itens que tinha encontrado por aí em algum lugar. Fountain foi o epítome deste estilo. Era um mictório comum, assinado com o pseudônimo R. Mutt.

Duchamp já era muito famoso e não queria que os preconceitos do público afetassem a aceitação da peça, feita para a exposição da Sociedade de Artistas Independentes em 1917. O urinol foi, na verdade, rejeitado pela comissão, que desconsiderou o fato de que deveria aceitar todas as peças apresentadas. Duchamp saiu da comissão em um ato de protesto. Ele e seus amigos tentaram angariar algum apoio para a peça tirando fotos e escrevendo artigos sobre o trabalho, mas o original se perdeu, provavelmente abandonado pelo amigo de Duchamp Alfred Stieglitz. Quaisquer exemplos existentes são meras reproduções autorizadas pelo artista.

3. Homens de Pequim

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Um dos achados paleontológicos mais importantes da história da humanidade foi uma série de crânios descobertos na China em 1920. Cientistas pensam que eles pertenciam a hominídeos que viveram mais de 500.000 anos atrás, os Homo erectus pekinensis, também conhecidos como Homens de Pequim. É provável que eles tinham sido mortos por hienas antigas, do porte de leões.

Infelizmente, os fósseis se tornaram uma das muitas vítimas culturais da Segunda Guerra Mundial. Em setembro de 1941, conforme as tensões na China escalavam, Hu Chengzhi, o principal pesquisador dos crânios, os colocou em um navio de Pequim para os EUA. No entanto, eles foram perdidos no mar, em um navio chinês ou americano, que foi afundado pelos japoneses. (Algumas teorias elaboradas dizem que os crânios foram moídos e usados na medicina tradicional chinesa). Várias tentativas de localizar os restos mortais foram realizadas, mas nenhuma foi bem sucedida.

2. Kusanagi no Tsurugi

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“Kusanagi no Tsurugi” é o nome de uma espada japonesa, e significa “espada que corta relva”. Ela faz parte de um trio de artefatos conhecidos coletivamente como “Regalia Imperial do Japão”. Usada durante um ritual semirreligioso que ocorre sempre que um novo imperador é coroado, a espada é vista como um símbolo de legitimidade do novo governante e foi supostamente passada de um para o outro por mais de mil anos. A original fica guardada no Santuário de Atsuta, em Nagoya, e uma cópia da espada é o que tem sido usado nos rituais atuais, em seu lugar.

No entanto, diz-se que a verdadeira espada original foi perdida, afundada no oceano durante uma batalha no século 12, e que a usada hoje é a cópia de uma cópia. A espada desempenha um grande papel na mitologia japonesa; reza a lenda que ela foi encontrada no corpo de uma serpente de oito cabeças morta pelo deus da tempestade Susanoo.
Kusanagi no Tsurugi representa a virtude da coragem. Os outros dois artefatos que compõem a Regalia Imperial do Japão são o espelho “Yata no Kagami”, que representa a sabedoria, e a joia “Yasakani no Magatama”, que representa a benevolência.

1. A Batalha de Anghiari

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Muitas vezes referida como “O Leonardo Perdido”, a “A Batalha de Anghiari” é uma pintura retratando quatro cavaleiros em combate armado durante a Batalha de Anghiari em 1440. Originalmente planejada para o Salão dos Quinhentos, a câmara de reunião das forças vitoriosas florentinas, Da Vinci começou a pintá-la em 1505. Ia ser o maior quadro que ele já tinha feito. Infelizmente, os problemas técnicos que também atormentaram o artista em “A Última Ceia” oprimiram Da Vinci, que abandonou o projeto.

Nos anos que se seguiram, outro pintor, Giorgio Vasari, foi contratado para pintar um novo mural (A Batalha de Marciano, na foto acima) no mesmo local, e A Batalha de Anghiari foi perdida para a história. No entanto, estudiosos descobriram evidências convincentes para sugerir que a pintura ainda está intacta debaixo do mural de Vasari, e que ele poderia ter salvo intencionalmente o trabalho do colega. Alguns até acreditam que a pintura de Da Vinci foi concluída e Vasari inventou a história de ter sido deixada parcialmente concluída a fim de pintar por cima dela. Com políticos e historiadores de arte hesitantes em danificar o mural de Vasari (uma obra-prima em seu próprio direito), a possível descoberta da pintura de Da Vinci provavelmente nunca será feita. [Listverse]

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