Dando asas à informação

10 fascinantes origens de sinais tipográficos

Um sinal tipográfico é simplesmente um símbolo impresso que inclui letras, números e sinais de pontuação. O ? é chamado de sinal de interrogação, () são chamados parênteses, ; é conhecido como ponto e vírgula, etc. Mas você sabia que o sinal de divisão tem um nome? Conhece as origens misteriosas do sinal de parágrafo? Sabe de onde vem o sinal %? ¿E por que cargas d’água os falantes de espanhol colocam sinais de interrogação de cabeça para baixo no início de suas sentenças? Leia mais!

10. Pé de mosca – ¶

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O pé de mosca (em inglês, pilcrow), também menos elegantemente chamado de “marca de parágrafo”, serve a vários propósitos, a maioria dos quais envolve denotar a presença ou a localização de um parágrafo. Mais comumente, ele é usado em programas de processamento de texto como uma marca não permanente mostrando onde um parágrafo termina. Há discordância sobre a origem do seu nome. O Dicionário de Inglês Oxford, por exemplo, gosta de pensar que “pilcrow” se trata de uma série de corrupções da palavra “parágrafo”. Já o Dicionário Universal de Oxford sugere que o sinal se parece muito com um corvo sem penas (um “pulled crow”). O próprio símbolo deriva da letra C- você ainda pode vê-la ali. As duas linhas verticais que acabaram atravessando o C são uma espécie de nota editorial do escritor. O nome em português é mais revelador: pé de mosca fala por si só.

O símbolo foi usado na Idade Média como uma maneira de marcar uma nova cadeia de pensamento antes de o parágrafo tornar-se a forma padrão de fazer isso. Agora, entre os seus usos inumeráveis, estão na escrita acadêmica (quando cita-se a partir de uma página HTML), em textos legais (ao citar um parágrafo específico), e em revisão (uma indicação de que um parágrafo deve ser dividido em dois).

9. Ampersand ou e comercial – &

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O ampersand é um logograma usado para significar “e”. O símbolo em si é baseado em uma versão abreviada da palavra latina para “e”- et. Em determinadas fontes, você ainda pode ver claramente um “e” e um “t” ligados entre si. Já a palavra “ampersand” tem uma origem um tanto incomum: é uma corrupção de difícil análise da frase multilíngue (inglês e latim) “& per se and”, que significa “e por si só é ‘e’”, que por sua vez quer dizer que o símbolo & significa, simplesmente, “e”.

E de onde é que esta frase vem? Bem, no início de 1800 o & foi considerado a 27ª letra do alfabeto inglês, e uma vez que dizer: “X, Y, Z, e ‘e’” seria confuso, era dito “X, Y, Z and per se and” em seu lugar (algo como: e por fim o “e”). Não é preciso ter muita imaginação para entender como essa frase rapidamente se transformou em “ampersand”, o que aconteceu por volta de 1837. Esse termo (um anglicismo) é também usado em português, mas o símbolo também pode ser referido como eitza (lê-se éitssa), sinal tironiano, ou e comercial, pois é geralmente utilizado em nomes de comércio ou empresa.

Como as pessoas gostam de criar lendas urbanas sobre tudo, inclusive sinais tipográficos, há um rumor de que o físico e matemático francês André-Marie Ampère utilizava tanto essa marca que ela eventualmente foi chamada de “Ampère’s and” (em português, “o ‘e’ do Ampère”). Não acredite nisso por um segundo.

8. Interrobang—!?, ?!, ou ‽

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O quê? Você nunca ouviu falar do interrobang!? Um interrobang é descrito como um “sinal de pontuação fora do padrão” (faz parte de um movimento de contracultura de pontuação), usado para terminar frases onde você deseja usar tanto o ponto de exclamação quanto o ponto de interrogação. Embora o uso de ambos lado a lado foi predominante durante algum tempo, só em 1962 um executivo de publicidade chamado Martin K. Speckter decidiu que não queria mais usar dois sinais de pontuação separados quando um seria suficiente. Ele pediu que os leitores sugerissem nomes para um novo símbolo, rejeitando ideias como rhet, exclarotive e exclamaquest, e decidindo-se por “interrobang”, uma combinação da raiz latina “interro” (para “interrogar”), e “bang”, que é uma gíria editorial para o ponto de exclamação. O termo é usado para descrever tanto ?!, quanto !?, ou o símbolo combinado ‽.

7. Arroba – @

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O @ tem um monte de diferentes apelidos, mas não tem um nome amplamente aceito em inglês. Em espanhol e em português é conhecido como arroba, por causa de uma antiga unidade de massa usada nos países equivalente a 25 libras (11,34 kg). O símbolo tem dois usos principais: o original, no qual era utilizado no comércio para significar “à taxa de”, e o mais recente, no qual significa “em”, a”, ou “dirigido a” (principalmente em e-mail e em mídias sociais).

O professor italiano Giorgio Stabile afirma que o símbolo tem, na verdade, mais de 500 anos, e era usado para representar um “ânfora”, uma unidade de capacidade do comércio. Oficialmente, o @ chegou a máquinas de escrever em 1885. Os nomes do @ em outras línguas derivam frequentemente da ideia de que o símbolo se parece com um animal. A saber: apenstaartje (holandês para “rabo de macaco”); papacy (grego para “patinho”); dalphaengi (coreano para “caracol”); sobachka (russo para “cachorrinho”).

6. Guillemets — « »

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Guillemets são os símbolos que os franceses usam para aspas. Para além das diferenças físicas, seu uso geral também difere, já que guillemets abrem e fecham conversas inteiras, em vez de enunciados individuais. Surpreendentemente, o símbolo foi nomeado em homenagem a um editor francês do século 16 chamado Guillaume Le Bé: “Guillemet” é um diminutivo de Guillaume.

5. Obelus — ÷

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O obelus, mais comumente conhecido como “sinal de divisão”, vem de uma antiga palavra grega para “pau afiado” ou objeto pontiagudo semelhante. Compartilha suas raízes com a palavra “obelisco”. Já foi usado para designar seções de escrita consideradas incorretas ou suspeitas. Em outras palavras, teria sido perfeito para editores da Wikipedia.
Foi usado pela primeira vez com o significado de “divisão” em 1659 pelo matemático suíço Johann Rahn. Enquanto ainda é utilizado frequentemente em alguns países, como no Brasil, EUA e Grã-Bretanha, não é normalmente usado para significar divisão na maior parte do resto do mundo. Vale lembrar que as barras horizontal (___) ou vertical (/) também podem simbolizar divisão.

4. Interrogação e exclamação invertidos – ¿ e ¡

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Em espanhol, quando uma frase termina com um ponto de interrogação ou um ponto de exclamação, também começa com o mesmo sinal invertido. ¿Porqué? Em 1754, a Academia Real Espanhola decidiu que o espanhol tinha um problema terrível: quando você começa a ler uma frase, muitas vezes não tem nenhuma maneira de dizer se é uma pergunta ou não até chegar ao seu fim. Por exemplo: “vas a ir a la tienda?” (Você está indo para a loja?). Até você chegar ao ponto de interrogação, não sabe se é uma pergunta ou simplesmente uma sentença declarativa afirmando que “você está indo para a loja”. Em inglês, existem maneiras de indicar que uma questão se aproxima (como o uso de auxiliares), de modo que a flexão adequada pode ser utilizada na leitura e assim ajudar na compreensão da frase. A Academia acabou decidindo que o ponto de exclamação ficaria solitário, de modo que defendeu seu uso invertido também.

Algumas notas interessantes do uso desses símbolos:

– Perguntas curtas e claras são muitas vezes escritas sem os sinais invertidos: “Quién eres?”.
– Na comunicação digital, a marca invertida é frequentemente abandonada (e-mails, mensagens instantâneas, textos).
– Alguns autores se recusam a usar sinais invertidos.
– Os escritores podem “brincar” com os sinais, incluindo iniciar uma frase com um ¡ e terminar com um ?.
– ¿ pode ser utilizado no meio de uma frase, se toda a frase não for uma questão, mas sim apenas a cláusula final.
– Note que ¿ e ¡ estão posicionados de forma diferente do que ? e !; eles ficam abaixo da linha de escrita.

3. Sinal de idem – ‘’

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“Sinal de idem” (“ditto mark”) são sinais de cotação que você pode usar para salvar seu pulso cansado de escrever a mesma coisa uma segunda vez, indicando que o que está diretamente acima deve ser repetido. Embora se poderia suspeitar que a palavra “ditto” é relacionada com a raiz latina “di” (que significa “dois”), ela de fato deriva de uma forma antiga (1620) da palavra italiana para “dizer”. Originalmente, foi usada para evitar a repetição desnecessária ao escrever uma série de datas no mesmo mês. Outras línguas têm seu próprio sinal de idem, nomeadamente egípcio antigo, chinês e japonês.

2. Porcentagem – %

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Dê uma olhada no sinal de porcentagem. Cada um dos três sinais individuais – um círculo, uma linha, um círculo – lembram um determinado número, com os dígitos rearranjados e realinhados: o número 100.

O sinal %, naturalmente, significa que o número anterior a ele deve ser entendido como sendo dividido por cem – “por cento”. A barra utilizada costumava ter zeros acima e abaixo dela, e tornou-se gradualmente inclinada até chegar ao símbolo padrão atual para porcentagem.

1. Caixa alta e caixa baixa

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Em inglês, é mais comum os termos “caixa alta” e “caixa baixa” (upper case e lower case) para se dizer letras “maiúsculas” e “minúsculas”. A origem dessas expressões vem dos primeiros dias de impressão, quando cada letra era definida individualmente, e mantida em caixas. As letras maiúsculas eram mantidas em caixas mais altas, porque eram relativamente pouco utilizadas, enquanto que as letras minúsculas eram mantidas em caixas mais acessíveis, baixas. O uso desses termos remonta a 1588.[Listverse]

3 comentários

  1. Excelente reportagem, bem explicativa e de grande valia para nossa aprendizagem.

  2. Hjjj

  3. Grande reportagem, ótimo conhecimento geral..

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