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10 incríveis ilhas fantasmas

Uma ilha fantasma é uma ilha que aparece na cartografia histórica por um período de tempo mais ou menos extenso, mas que finalmente é removida logo que se assume ou confirma a sua inexistência.

Elas não são apenas invenções da imaginação medieval. Ilhas fantasmas são diferentes das terras míticas, embora, como veremos, em alguns casos geografia e fábula realmente se confundiram.

Todas estas ilhas já existiram em mapas, e os geógrafos acreditavam que eram reais. Algumas foram simples erros que mais tarde foram corrigidos, outras poucas teriam “existido” na forma de bancos de areia, cones vulcânicos, deposições de lava ou outras estruturas instáveis que teriam aparecido e desaparecido sucessivas vezes ao longo da história, enquanto outras foram provavelmente puras fabricações. Confira:

10. Thule

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Thule (do grego Θούλη, Thoulē) é uma ilha ou região identificada pelos geógrafos clássicos como a mais setentrional das terras conhecidas. Também é encontrada em textos e mapas medievais e do início da Idade Moderna, às vezes com as grafias Thile, Tile, Tilla, Toolee e Tylen.

Por volta de 325 aC, o navegador e explorador grego Píteas (ou Pytheas) deixou o porto de Massalia (hoje Marselha), partiu para o Atlântico e virou para o norte. Ele foi o primeiro escritor clássico a descrever a Grã-Bretanha, que ele chamou de Britannia, ou Pritannia, bem como uma ilha ao norte, que ele chamou de Thule.

Infelizmente, a descrição original de Píteas está perdida, e tudo o que temos são comentários sobre a mesma por parte do geógrafo Estrabão e outros escritores clássicos. Estrabão pensava que Thule era uma invenção de Píteas, mas também achou que a descrição dos mares do norte da ilha sendo cercados de gelo era um absurdo, então…

Ptolomeu acrescentou Thule a seu mapa-múndi no atlas “Geographia”, que ele publicou por volta do ano 100. Depois que o livro foi traduzido por estudiosos florentinos na década de 1410, Thule regularmente apareceu como uma grande ilha ao norte da Grã-Bretanha em mapas até o século 17. Estudiosos acreditam que, se Píteas velejou ao norte da Grã-Bretanha e descobriu uma ilha, ou era uma das ilhas Shetland (Escócia) ou Ilhas Faroé (Dinamarca), a Islândia ou até mesmo a costa da Noruega.

9. Ilha de São Brandão

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A Ilha de São Brandão, San Borondón ou Samborombón é uma ilha lendária relacionada à lenda de São Brandão (Bréanainn de Cluain Fearta ou Brendan de Clonfert, 484 dC – 577 dC, aproximadamente), que supostamente a descobriu por volta de 512 a 530 dC.

Nessa época, o monge irlandês e seus seguidores (o número varia de 18 a 150) atravessaram o Atlântico para evangelizar e procurar o Paraíso. Por sete anos, eles viveram em uma ilha com um clima perfeito, habitantes felizes e natureza abundante. Hoje, pensa-se que esta viagem de fato aconteceu, o que quer dizer que São Brandão e alguns companheiros monges deixaram a Irlanda, embora os primeiros relatos sobre isso só apareçam 300 anos mais tarde.

A Ilha de São Brandão apareceu no mapa mais famoso da era medieval, o Mappa Mundi de Hereford. Também era uma característica comum em cartas portulanas, que se destinavam a ser gráficos precisos para navegadores. Também apareceu em mapas do século 17, e em 1707 no mapa de De Lisle. Geralmente, era localizada a oeste do arquipélago das Canárias. Pelos registros históricos, há uma sensação de que os cartógrafos iluministas já estavam dispostos a admitir que tal ilha não existia, mas isso não os impediu de querer acreditar nela.

8. Frislândia

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A Frislândia (ou Frisland, Frischland, Friesland, Freezeland ou Frixland) é uma ilha fantasma que figura na maioria dos mapas e cartas náuticas do Atlântico Norte desenhados entre 1560 e 1660.

Em 1558, o veneziano Nicolo Zeno publicou cartas e um mapa que, segundo ele, vieram de dois ancestrais, Antonio e outro Nicolo, que navegaram através do Atlântico Norte por volta de 1400. As cartas foram escritas principalmente pelo primeiro Nicolo a Antonio, a partir de uma ilha chamada Frislândia. No mapa, ela ficava aproximadamente a meio caminho entre a ponta nordeste da Escócia e a Noruega. Apesar da guerra esporádica com algumas ilhas vizinhas e a Groenlândia, Nicolo estava bem na ilha, e incentivou Antonio a se juntar a ele.

As cartas foram consideradas duvidosas quando foram publicadas pela primeira vez, mas isso não impediu que cartógrafos respeitáveis acrescentassem Frislândia a seus próprios mapas, muitas vezes onde Zeno disse que ela ficava, e em outras muito mais a oeste, quase parte da América do Norte. Alguns mapas incluem baías, serras e cidades nomeadas. Provavelmente, Frislândia foi um nome dado inicialmente à Islândia; tal erro foi sistematicamente reproduzido até 1660, e difundido ocasionalmente até ao século XVIII.

7. Ilha Buss

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Ilha Buss é o nome dado a uma ilha fantasma supostamente situada no Atlântico Norte. Na segunda expedição de busca por uma passagem noroeste da Europa à Ásia em 1576, do navegador Martin Frobisher, um de seus navios, o Emanuel, navegou por uma ilha que seu capitão, James Newton, descreveu como “parecendo ser frutífera, cheia de mato”. A ilha foi nomeada Buss, em homenagem ao tipo de navio que o Emanuel era (é como chamar de “sedan de quatro portas” um lugar que você descobriu, porque você dirigiu por ele em um).
Buss foi colocado em mapas, mas, apesar de várias buscas, só em 1671 um outro britânico marinheiro, Thomas Shepard, pousou sobre ela. Shepard fez uma viagem de volta para encontrar a ilha, mas não a achou. Buss logo sumiu de vista de novo, e a teoria comum era de que ela devia ter afundado sob as ondas. Em meados do século 19, os cartógrafos decidiram que a ilha não existia e a deixaram fora de seus mapas.

Então, o que Shepard e a tripulação do Emmanuel viram? Dado que a longitude não podia ser traçada com precisão no século 17, é provável que Frobisher e Shepard viram lugares diferentes que pensaram ser o mesmo, e esses locais eram ou penínsulas da Groenlândia ou ilhas que já havia sido traçadas. Uma alternativa é que Buss tem a capacidade notável de afundar e emergir das ondas, e vai reaparecer em breve.

6. Antília

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Antília (ou Antillia), Ilha das Sete Cidades ou Sept Citez é uma ilha lendária supostamente situada no Atlântico, segundo uma lenda portuguesa surgida no século XV.

Durante a Idade Média, conforme a religião islã tornou-se mais poderosa e a Igreja Católica mais corrupta, a noção de que em algum lugar do Atlântico existia uma ilha onde o cristianismo permanecia puro soava muito atraente. Segundo a lenda, quando os muçulmanos invadiram a Península Ibérica em 711, um grupo de bispos levou seus rebanhos para o Atlântico, onde encontraram uma ilha e se estabeleceram. Chamaram-na Antília. Era uma utopia cristã, onde as pessoas e a natureza eram abençoadas.

Essa é a primeira ilha da lista a ter existido na imaginação antes de aparecer em mapas. Durante o século 15, era comumente colocada no meio do Atlântico, a meio caminho entre a Europa e a Ásia. A descoberta e mapeamento da costa americana não matou inteiramente a ideia de tal ilha; alguns mapas pós-Colombo ainda a incluíam. Em seu livro de 1530, “De Orbe Novo”, o historiador espanhol Pedro Mártir d’Anghiera afirmou que um viajante que ficou algum tempo em Antília esteve com Colombo e lhe deu informações valiosas antes de sua viagem de 1492.

5. Ilha do Diabo e Ilha Satanazes

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Se um paraíso como Antília ou Ilha de São Brandão soava credível no imaginário medieval, o seu oposto também: uma ilha assombrada por demônios. Na verdade, havia duas: Satanazes, que normalmente estava um pouco ao norte de Antília, e a Ilha do Diabo, ou Ilha do Demônio, que ficava na “Terra Nova”, e apareceu pela primeira vez em mapas do século 16.

A primeira começou a perder sua credibilidade com a descoberta da América. A segunda manteve-se viva no imaginário do povo por um bom tempo, por conta da história de Marguerite de La Rocque.

Em 1542, Marguerite partiu com Jean-François de La Rocque, descrito como seu marido, seu tio ou até mesmo seu primo, a Nova França (parte francesa do Canadá). Na viagem, ela ficou grávida de um dos marinheiros e foi abandonada, com seu filho, seu amante e sua serva, na Ilha do Diabo (que só mais tarde passou a ser identificada com esse nome). Todos morreram logo, e pelos próximos dois anos, ela vagou sozinha pela ilha, constantemente sob ataque dos demônios que a habitavam. Eventualmente, alguns pescadores bascos a encontraram e trouxeram de volta para a Europa. Na França, ela conheceu a rainha Margarida de Angoulême, de Navarra, que transformou sua história em um romance popular.

Em algum lugar entre o que realmente aconteceu e a versão da rainha Margarida, os detalhes foram distorcidos e aumentados. Os demônios são provavelmente da imaginação de La Rocque, ou eram os nativos americanos, ou ambos. A ilha supostamente existiu na Península ou Costa do Labrador.

4. Ilha Brasil

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A Ilha Brasil, Ilha do Brazil, Ilha de São Brandão, Brasil de São Brandão ou Hy Brazil é uma ilha fantasma do Oceano Atlântico ligada à tradição de São Brandão das terras afortunadas a oeste do continente europeu.

Esse lugar mágico ao largo da costa irlandesa, escondido sob névoas densas exceto por um dia a cada sete anos, tinha uma semelhança com as lendas de Antília e da Ilha de São Brandão, em que o sol brilhava todos os dias e os moradores tinham tudo o que poderiam pedir.

A ilha apareceu pela primeira vez em cartas portulanas no início do século 14. Em 1498, John Cabot partiu em uma expedição para encontrá-la. Naturalmente, não foi bem sucedido. Há relatos por boa parte do século 17 de pessoas que afirmaram ter visitado-a. Em 1674, John Nisbet estava voltando para a Irlanda a partir da França, quando nevoeiros densos o obrigaram a ancorar ao largo de uma ilha. Quatro marinheiros desembarcaram e passaram o dia na companhia de um velho que estava tão satisfeito por ter com quem conversar que lhes deu vários sacos de ouro.

Dois grandes cartógrafos do Renascimento, Abraham Ortelius e Gerhard Mercator, incluíram Hy Brasil em seus mapas da Irlanda – porém, eles trabalhavam com conhecimento recebido, portanto, se um número suficiente de relatos e mapas anteriores apontasse que havia uma ilha ao largo da costa irlandesa, eles estavam inclinados a colocar uma nos seus mapas. Por volta do século 18, a ilha praticamente desapareceu dos mapas, embora ainda surgissem reivindicações ocasionais de marinheiros que a visitaram.

3. Ilhas Phélypeaux e Pontchartrain

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O Lago Superior é o maior dos cinco Grandes Lagos, e o maior lago de água doce do mundo, em extensão territorial. Em 1783, só se sabia que ele era grande e ficava entre o Canadá e os Estados Unidos. Justamente por conta de sua localização, precisava ser acordado no Tratado de Paris entre a América e a Grã-Bretanha.

Era totalmente crível que duas grandes ilhas pudessem existir no meio do lago, especialmente porque apareceram em mapas geograficamente precisos usados em negociações de tratados. Por causa de sua fronteira norte, as duas parcelas de terra foram entregues para a América – era apenas uma questão de encontrá-las.

As ilhas tinham sido nomeadas em 1720 em homenagem a Louis Phélypeaux, conde de Pontchartrain e secretário francês da Marinha. A teoria é de que os oficiais franceses pensavam que adicioná-las aos mapas oficiais seria suficiente para bajular o conde, de forma que ele manteria a canalização de fundos monetários para a exploração náutica. Ele morreu em 1720, o que foi uma sorte, porque se tivesse descoberto que as ilhas foram inventadas, cabeças teriam literalmente rolado. Somente na década de 1820 sua não existência foi estabelecida, época em que a compra da Louisiana já tinha ocorrido e os EUA não estavam muito incomodados com a perda de terras que eram imaginárias para começar.

2. Ilhas Emerald e Nimrod

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No final do século 18, o foco de exploração tinha se deslocado do Atlântico Norte para o sul do Pacífico. Embora marinheiros fizessem reivindicações arrebatadoras sobre o Taiti ser um paraíso, a busca dos exploradores era mais por qualidades práticas, como madeira, minerais ou até mesmo uma ilha que poderia fornecer um ponto de parada decente para os navios que navegassem entre a América do Sul e a Austrália.

Nesta altura do campeonato, o problema de registro de longitude já tinha sido resolvido e coordenadas precisas podiam ser encontradas. Se um capitão informasse uma ilha anteriormente desconhecida, o pedido era levado a sério e expedições enviadas para encontrá-la.

A Ilha Emerald recebeu tal nome em homenagem ao navio de William Eliot que a avistou, em 1821. O gráfico acima mostra a rota da expedição do Capitão John King Davis, em 1909, no navio Nimrod, para a exploração da Antártica. As ilhas Nimrod foram nomeadas por esse mesmo navio, de onde foram avistadas em 1828. Note que o navio de 1909 passou pelo local exato onde as ilhas Emerald e Nimrod foram vistas.

Isso significa que tais ilhas ficavam “próximas” da Antártica. Embora ela mal apareça no gráfico, os navegadores estavam de fato em uma região perto o suficiente para serem afetados pelo seu clima, e icebergs eram definitivamente um de seus problemas.

Parece provável que o que os primeiros exploradores viram era na verdade uma Fata Morgana, uma miragem prevalente nas regiões polares que distorce objetos distantes e os faz parecer terras, formas de relevo. Não foi até 1940 que as ilhas Emerald e Nimrod foram classificadas como fantasmas.

1. Terra Crocker

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Em 1906, Robert Peary viu uma grande massa de terra perto da Ilha Ellesmere, no Ártico canadense, que chamou de Terra Crocker em homenagem a um de seus financiadores. Embora haja acusações de que Peary estava pura e simplesmente mentindo, também é possível que ele tenha visto uma Fata Morgana.

Em 1913, uma expedição de Donald Baxter MacMillan do Museu Americano de História Natural saiu para encontrar a Terra Crocker. Ele estava animado com a perspectiva de descobrir novas plantas, animais e até mesmo uma nova raça de pessoas. Como tantas outras expedições árticas, esta rapidamente atingiu condições piores do que se esperava.

O clima e doenças forçaram vários membros da expedição a voltar ao acampamento base. Os locais (povo inuíte), que sabiam do que estavam falando, insistiram com os exploradores de que não havia tal massa de terra. Conforme a situação tornou-se mais sombria, MacMillan enviou o engenheiro Fitzhugh Green e o guia inuíte Piugaattoq para fazer um reconhecimento do terreno.

Em algum ponto, Green atirou em Piugaattoq, matando-o. Mais tarde, ele afirmou ter pensado que o guia estava tentando escapar com os cães da equipe, mas antes disso, os outros membros da expedição concordaram com uma história de que Piugaattoq tinha caído em uma fenda.

A equipe de Macmillan acabou encalhada no Ártico por quatro anos. A expedição foi um desastre completo e os registros fotográficos do povo inuíte são considerados a única realização real da exploração.[Listverse]

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