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10 lugares abandonados depois de desastres

Depois de desastres em massa, não é incomum que comunidades inteiras abandonem as áreas afetadas e nunca mais voltem. Isso pode ocorrer por uma variedade de razões: o dano e destruição podem ser muito graves para a reconstrução do lugar; pode haver uma chance do desastre ocorrer novamente em uma data posterior; ou, simplesmente, a perda de vida que ocorreu ali pode ser muito dolorosa para as pessoas.

Você já deve ter ouvido falar sobre o abandono de lugares como Chernobyl, afetado por um acidente nuclear. Confira outros 10 exemplos deste fenômeno que você pode não ter ouvido falar ainda:

10. Times Beach, Missouri (EUA)

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No início dos anos 1970, a cidade de Times Beach em Missouri tinha um problema: como a maioria de suas ruas não tinha pavimentação, carros e pedestres levantavam quantidades enormes de poeira, ameaçando a segurança dos viajantes. Para evitar isso, a cidade contratou Russell Bliss para passar óleo nas estradas, um papel que ele realizou entre 1972 e 1976.

Ao mesmo tempo, no entanto, Bliss foi também contratado por outra empresa, o ICP, para eliminar os resíduos tóxicos produzidos pela empresa farmacêutica e química NEPACCO. Durante a Guerra do Vietnã, a NEPACCO foi uma das fornecedoras do governo americano de Agente Laranja, um desfolhante que continha a dioxina TCDD. Como todas as dioxinas, a TCDD pode causar distúrbios do sistema imunológico e reprodutivo, ao lado de outras condições como câncer.

Sem o conhecimento de ninguém, Bliss tinha lubrificado as estradas de Times Beach com uma mistura contendo óleo de motor usado e os resíduos da NEPACCO. Em 3 de dezembro de 1982, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA coletou amostras de solo da cidade, confirmando que estavam contaminados com níveis de dioxinas cem vezes mais elevados do que o nível considerado perigoso para a saúde humana. Infelizmente, antes de qualquer ação poder ser tomada, o rio das proximidades transbordou e inundou a cidade, espalhando a contaminação.

Eventualmente, a água recuou e, em 1983, a EPA esvaziou a cidade e recuperou a terra, uma aquisição que custou US$ 32 milhões aos EUA (Cerca de R$ 64 mi). Em 1985, a cidade foi demolida e todo o solo foi incinerado. Hoje, a área em que a cidade ficava é um parque estadual. A EPA revisitou o local em 2012 e testou o solo novamente, concluindo que não havia mais qualquer risco de saúde.

9. Wittenoom (Austrália)

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A cidade de Wittenoom na Austrália Ocidental foi originalmente criada em 1947 para fornecer alojamento para os trabalhadores de uma mina próxima de crocidolita. Conforme o tempo passou, a cidade cresceu. Em 1951, tinha uma população de 500, e antes do seu abandono em 1966, era o lar de mais de 20 mil pessoas.

Material extraído das minas foi usada para criar diversos edifícios e forrar as ruas, parques e trilhas da cidade. Infelizmente, porém, nenhum morador percebeu o perigo do que estavam fazendo. Crocidolita é conhecida hoje como “amianto azul”. Embora todos os tipos de amianto sejam perigosos para a saúde humana, o amianto azul é talvez o mais perigoso, já que suas fibras podem causar mesotelioma maligno (um tipo raro de câncer que se desenvolve no interior dos forros de órgãos como os pulmões e o coração).

Em grande parte do tempo em que a mina estava operando, preocupações eram constantemente levantadas por especialistas em saúde. A mina finalmente foi fechada em 1966 e, quase ao mesmo tempo, pesquisas revelaram que partículas de amianto estavam presentes em todos os prédios da cidade. Ação foi finalmente tomada em 1979, quando o governo começou a desacelerar Wittenoom, oferecendo-se para comprar casas de moradores e pagar seus custos de mudança. Muitos aceitaram esta oferta, e deixaram suas casas serem demolidas. Um pequeno número de habitantes desafiou esta situação, e ainda eram residentes da cidade em 2006, apesar da remoção oficial de Wittenoom de todas as placas em estradas, e sua desconexão da rede elétrica principal do país.

Uma estimativa conservadora das vítimas sugere que dos vinte mil que viviam em Wittenoom, mais de dois mil já morreram de doenças relacionadas ao amianto. A Austrália sofre de uma das maiores taxas per capita de mesotelioma maligno no mundo.

8. Ilha Decepção (Antártida)

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A Ilha Decepção está localizada ao norte da Antártida, dentro do conjunto de ilhas conhecidas como Ilhas Shetland do Sul. Ela foi fundada no início do século XIX por uma expedição naval britânica, e foi palco de uma indústria próspera de caça à baleia no início do século XX. Em 1914, havia 14 plantas de processamento de gordura de baleia na ilha, de propriedade de uma variedade de países, incluindo Chile e Noruega. Depois da Grande Depressão, elas acabaram sendo abandonadas.

Os britânicos estabeleceram uma base científica permanente na ilha em 1944, e o Chile fez o mesmo 10 anos mais tarde. Mas erupções vulcânicas em 1967, 1968 e 1969 forçaram os britânicos a abandonarem a ilha por completo, deixando para trás postos de abastecimento e cabanas. Embora tenham sobrevivido às erupções de 1967 e 1968, a erupção de 1969 causou a destruição de duas bases chilenas, uma perda que levou seus cientistas a abandonarem a ilha também.

Hoje, a ilha não tem residentes permanentes, mas, como Chernobyl, é palco de um comércio turístico próspero. A variedade de indústrias que outrora ocuparam a ilha deixou para trás uma riqueza de edifícios em ruínas e equipamentos para os turistas explorarem, incluindo postos de abastecimento, bombas, barracas, estações de pesquisa científica e um hangar de aviões.

7. Beichuan (China)

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Em 12 de maio de 2008, um terremoto de magnitude 8,0 atingiu a província de Sichuan, na China, matando mais de 69.000 pessoas e ferindo outras 374.000. Também deixou entre 5 e 11 milhões de pessoas desabrigadas, uma alta proporção das 15 milhões de pessoas que viviam na área afetada.

Uma das cidades mais atingidas foi Beichuan, no norte da província. De todos os edifícios do local, mais de 80% desabaram durante o terremoto. O governo chinês optou por não demolir as ruínas de Beichuan, e decidiu preservar a cidade como um museu. Os edifícios que desabaram foram apoiados com hidráulica especialmente instalada para evitar o colapso total, efetivamente congelando a região no estado causado pelo terremoto.

6. Saint-Jean-Vianney, Quebec (Canadá)

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Há pouca informação sobre o desastre que devastou a pequena aldeia de Saint-Jean-Vianney em Québec em 4 de maio de 1971. O que se sabe nos diz que após um período de chuva extremamente pesada, a argila em que a cidade tinha sido construída se liquefez e desabou. Isto criou um abismo de 30 metros, que consumiu cerca de 40 casas.

Antes deste cataclismo, os habitantes da cidade relataram uma série de acontecimentos estranhos: as fundações de várias casas afundaram diversos centímetros no solo, grandes rachaduras apareceram nas ruas e calçadas, e as pessoas relataram ter ouvido ruídos pesados (como o som de água corrente) vindo do subsolo.

Nos cinco minutos que levou para o grande deslizamento de terra ocorrer, 31 pessoas foram mortas, um número que teria sido muito maior se o desastre tivesse acontecido mais à noite. Sem surpresa, a vila mais tarde foi abandonada pelos moradores remanescentes, que foram realojados na cidade vizinha de Arvida.

5. Gilman, Colorado (EUA)

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A cidade de Gilman, no Colorado, foi o lar de uma das mais importantes minas do estado, com grandes reservas de zinco e de chumbo, e centenas de trabalhadores. Inaugurada em 1886, seus mineiros foram isentos do serviço militar da Segunda Guerra Mundial, pois o zinco da mineração foi vital para o esforço de guerra do país. Após o fim da batalha, no entanto, a demanda diminui e a mina foi fechada em 1977.

Após seu fechamento, a bomba de desidratação que impedia que o chumbo e o zinco viajassem para o lençol freático da terra abaixo foi desligada. Como resultado, os produtos químicos foram arrastados para o rio próximo (Eagle River), a principal fonte de água potável dos habitantes da cidade.

Em resposta, a EPA tomou o controle das minas e da cidade, declarou toda a área imprópria para habitação e expulsou os moradores. A descontaminação do local foi realizada, mas a cidade ainda está fechada hoje.

4. Tomioka, Fukushima (Japão)

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Após a crise nuclear de Fukushima seguida do tsunami de 2011, uma zona de exclusão de 30 quilômetros foi estabelecida ao redor da instalação, a fim de proteger as pessoas de serem expostas a qualquer perigo. Tomioka foi uma das diversas cidades e vilas a serem evacuadas (no total, 488.000 pessoas foram levadas para fora da área nas duas semanas após o desastre). Antes do acidente, Tomioka tinha uma população de aproximadamente 16.000 pessoas. Porque foram evacuadas, grande parte dos danos causados pelo tsunami (que atingiu a região costeira da cidade) ainda não foi reparada.

Apenas um homem ainda reside em Tomioka, e ele encarregou-se de alimentar os animais que foram abandonados por seus donos durante a evacuação. Juntamente com cães e gatos, bovinos, suínos e javalis que escaparam cativeiro e agora vivem em estado selvagem são cuidados pelo homem.

3. Tyneham, Dorset (Reino Unido)

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A eclosão da Segunda Guerra Mundial levou a apreensão de uma série de áreas do interior britânico a fim de proporcionar espaço para bases militares e campos de treinamento. Um exemplo disso é a pequena aldeia de Tyneham em Dorset, que foi apreendida em 1943, juntamente com os 7.500 hectares de bosques e charnecas ao redor. Isso resultou na expulsão imediata de 252 pessoas. Alegadamente, a última pessoa a sair da vila deixou a seguinte nota pregada na porta da igreja (que ainda está preservada hoje):

“Por favor, trate a igreja e as casas com cuidado, nós demos as nossas casas, onde muitos de nós vivemos por gerações, para ajudar a ganhar a guerra e manter os homens livres. Vamos voltar um dia e agradecer pelo tratamento gentil da aldeia”.

Parece improvável que os moradores (ou, pelo menos, os seus descendentes) sejam autorizados a regressar a vila um dia. Como o autor da nota descobriu quando visitou o local há vários anos, a paisagem circundante está repleta de sinais de alerta de “Perigo”, incluindo de bombas não detonadas e de tanques blindados de uma escola de combate próxima. Independentemente disso, visitantes às vezes são autorizados a entrar na aldeia, que contém uma igreja da era medieval, uma casa senhorial renovada, e uma grande variedade de vida selvagem (que tem prosperado como resultado do abandono relativo da área).

2. San Juan Parangaricutiro (México)

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Em 20 de fevereiro de 1943, dois agricultores estavam queimando arbustos em seu milharal, quando de repente um pedaço de terra na frente deles começou a inchar. Enquanto eles observavam com espanto, o chão se abriu, formando uma fissura de dois metros de profundidade que cheirava fortemente como ovos podres. Dentro de um único dia, um cone de 50 metros de altura irrompeu do chão. Dentro de uma semana, o cone tinha cem metros de altura e expelia nuvens espessas de fumaça e cinzas, que começaram a cair sobre as aldeias adjacentes de San Juan Parangaricutiro e Paricutin.

Em 12 de junho, o novo vulcão (agora com uma altura de 424 metros) eclodiu. Felizmente para Paricutin, no entanto, o fluxo de lava que emergiu foi tão lento que a vila inteira foi evacuada com sucesso até o final do dia seguinte. Vários meses depois, San Juan Parangaricutiro também foi evacuada da mesma maneira, antes da lava engolir a vila.

Milagrosamente, ninguém foi morto diretamente pelo vulcão; as únicas mortes ocorreram quando três pessoas foram atingidas por um raio, causado por perturbações atmosféricas provocadas pelo vulcão.

Até o final de 1944, as duas aldeias estavam enterradas sob uma maré de lava e cinza, com a única lembrança visível de que existiram sendo a torre da igreja de San Juan Parangaricutiro, que agora se destaca na lava resfriada. A erupção do vulcão continuou por mais nove anos, antes de finalmente adormecer, em 1952.

1. Agdam (Azerbaijão)

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Em julho de 1993, após um período intenso de luta, as forças pertencentes à República do Nagorno-Karabakh capturaram a cidade de Agdam, localizada ao sudoeste do Azerbaijão. Esta república, apoiada pela vizinha Armênia, havia sido formada apenas um ano antes, após a secessão de diversas áreas de controle do Azerbaijão. Os ataques, portanto, pretendiam expandir os territórios do Nagorno- Karabakh.

Em 4 de julho, um ataque de artilharia das forças armênias levou à evacuação em massa de Agdam pelos seus cidadãos. Até o final de julho, a cidade inteira estava sob o controle da República do Nagorno-Karabakh que, de acordo com relatórios, cometeu várias violações das regras de guerra (incluindo o deslocamento forçado de cidadãos e a tomada de reféns). Eventualmente, temendo um contra-ataque por forças azeris, a República ordenou que a cidade fosse destruída, a fim de evitar a sua recaptura.

Hoje, as ruínas de Agdam servem como uma zona neutra entre o Azerbaijão e a República do Nagorno-Karabakh, o que significa que a sua reocupação permanente é quase impossível.[Listverse]

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