Dando asas à informação

10 operações secretas (e antiéticas) da CIA

Como seres humanos que somos, adoramos uma boa história de conspiração, segredo e segurança nacional. A Agência Central de Inteligência Americana, CIA, tem a mania de protagonizar a maioria delas. Apesar de suas operações obscuras (e motivos mais ainda) serem supostamente secretas, muitas delas vêm à tona e mostram que onde tem tumulto, conflito e instabilidade política, tem CIA. Quase sinônimo de truques sujos, a agência não se importa em usar qualquer tática que considere oportuna para lidar com qualquer ameaça (real ou percebida) aos interesses americanos. Os projetos espantosamente antiéticos e criminosos destacados nesta lista são, provavelmente, apenas a ponta do iceberg. Confira:

10. Operação PBSUCCESS

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PBSUCESS foi o nome dado a um golpe apoiado pela CIA contra o governo democraticamente eleito de Jacobo Arbenz, presidente da Guatemala, em 1954. É uma das primeiras intervenções de uma longa lista da CIA em governos de países estrangeiros, e foi um sucesso do ponto de vista da agência – a primeira indicação de que tal façanha poderia ser feita de forma relativamente tranquila para os EUA.

Eleito em 1950, Arbenz iniciou reformas destinadas a tornar o seu país autossuficiente, dando enormes pedaços de terra do governo de volta para os cidadãos. Isso desagradou os EUA, já que grande parte desta terra era “posse” da United Fruit Company, uma corporação com a qual a administração de Eisenhower estava ligada (o diretor da CIA Allen Dulles e seu irmão John, Secretário de Estado, tinham fortes laços com a empresa). A CIA se referiu às políticas de Arbenz em memorandos internos como “um programa intensamente nacionalista de progresso colorido pelo sensível complexo de inferioridade antiestrangeiro da ‘República das Bananas’”. Em outras palavras, a não dependência sobre os EUA e seus aliados não deveria ser tolerada. 480 soldados mercenários treinados pela CIA, liderados pelo militar exilado guatemalteco Carlos Castillo Armas violentamente arrancaram o controle de Guatemala de Arbenz. Enquanto ele e seus assessores foram capazes de fugir do país, documentos da CIA mostravam que “a opção de assassinato ainda estava sendo considerada” até o dia em que Arbenz renunciou, em 27 de junho de 1954.

9. Operação Mongoose

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Após a fracassada invasão à Baía dos Porcos de Cuba, a imagem pública da CIA estava pior do que nunca. Para lidar com a crise, o presidente Kennedy voltou-se para a única pessoa que sabia que podia confiar: seu irmão Robert, que organizou a Operação Mongoose. Esta operação foi realizada pelo Departamento de Defesa americano em conjunto com a CIA. Na primeira reunião da operação, foi dito que depor Castro era “a prioridade do governo dos EUA” e todo o resto era secundário – tempo, dinheiro, esforço e mão de obra não deveriam ser poupados. Entre as dezenas de métodos de assassinato propostos estavam infectar o equipamento de mergulho de Castro com tuberculose; plantar bombas em seu local favorito de mergulho; implantar uma caneta envenenada; e até mesmo envenenar ou colocar uma bomba em um de seus charutos. Todas as tentativas da CIA, no entanto, terminaram em fracasso e em um gigantesco desperdício de tempo e dinheiro. Castro foi ditador de Cuba por 49 anos, deixando o cargo em 2008 devido à saúde debilitada, e nomeando seu irmão mais novo como seu substituto.

8. Produção de filmes pornôs

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O presidente Sukarno governou a Indonésia de 1959 até 1966, quando foi deposto por Suharto, um de seus generais. Sukarno tinha sido considerado pró-comunista pela CIA, o que significava que haveria, inevitavelmente, uma tentativa de derrubá-lo ou, pelo menos, desacreditá-lo. E a ideia que a CIA teve foi uma das piores já tidas pela agência: produzir um filme pornô estrelado por uma sósia de Sukarno, para distribuição na Indonésia. O filme chegou tão longe quanto produção e fotografia, mas, por algum motivo (talvez o senso comum), nunca foi implantado. Estranhamente o suficiente, essa ideia ressurgiu pouco antes da Segunda Guerra do Golfo, quando a CIA sugeriu que um falso filme pornográfico gay com Saddam Hussein ou Osama Bin Laden fosse produzido, a fim de desacreditar estes homens aos olhos de seus seguidores. Isso não deu em nada, com pelo menos um oficial afirmando que ninguém se importaria. “Tentar montar tal campanha é mostrar uma total incompreensão do alvo. Nós sempre confundimos os nossos próprios tabus como universais, quando, na verdade, eles são apenas os nossos tabus”.

7. Vacina coletora de DNA

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Em maio de 2011, a CIA matou Osama Bin Laden. Essa operação foi o resultado de uma quantidade insana de coleta de inteligência e planejamento. E a realização de uma operação militar dos EUA para matar um cidadão estrangeiro em solo paquistanês só poderia, é claro, ter consequências das mais horríveis e antiéticas possíveis.

Quando os EUA souberam da provável localização do suposto terrorista, precisavam ter certeza absoluta antes de partir para um ataque. O método escolhido para obter esta prova quebrou todas as leis e desrespeitou os direitos humanos possíveis. A CIA recrutou um respeitado médico paquistanês para organizar uma campanha de vacinação falsa na cidade e, no processo, recolher milhares de amostras de sangue de crianças na área (supondo que no meio estariam os filhos de Bin Laden). Uma vez que a casa da família ficava aparentemente em uma seção bastante sofisticada da cidade, a campanha começou em uma área pobre para torná-la mais autêntica, e mudou-se para o bairro de habitação de Bin Laden um mês depois, sem mesmo seguir com a segunda e terceira doses necessárias na zona pobre.

O golpe funcionou, mas teve consequências. Dr. Shakil Afridi, o médico envolvido, foi condenado por traição pelo governo paquistanês e recebeu uma sentença de prisão de trinta e três anos (qualquer país deteria pessoas trabalhando para um serviço de espionagem estrangeiro, não é mesmo?). Além disso, a campanha tem causado danos irreparáveis para as organizações que realizam vacinações legítimas. Há suspeitas profundas em muitas regiões do Oriente Médio sobre aqueles que fornecem as vacinas, e esta artimanha para ajudar a encontrar Bin Laden só reforçou essas suspeitas, particularmente na Nigéria, Índia e, claro, no Paquistão, onde esforços para erradicar a poliomielite estão em andamento. Mas para que se importar com a saúde de milhões de pessoas, não é mesmo? Certamente os motivos dos Estados Unidos eram mais importantes.

6. Presença na Líbia

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Fevereiro de 2011 viu o início da revolução na Líbia, que culminaria na expulsão do ditador Muammar el-Qaddafi, seguido de sua captura e morte, em outubro. Houve pouca menção, no momento, de qualquer envolvimento potencial por interesses estrangeiros, mas, cerca de um ano depois, ocorreu um incidente que lançou uma luz nesse envolvimento. Em 11 de setembro de 2012, uma missão diplomática americana em Benghazi foi atacada por militantes armados. A resposta não veio de dentro da própria missão, mas a partir de meia dúzia de agentes da CIA que estavam em uma base escondida dentro da cidade. Mais reforços chegaram de Trípoli, e o pessoal diplomático americano foi tirado do país em aviões fretados. Este ataque revelou a presença da CIA na cidade, que até então tinha sido desconhecida. A agência foi forçada a admitir que havia mantido uma presença bastante forte na Líbia desde cerca de fevereiro de 2011, bem na época que a revolução começou. O complexo que abrigava a base secreta foi limpo e abandonado após o incidente.

5. Operação Mockingbird

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Essa operação tem a ver com o relacionamento da CIA com a mídia. Jornalistas eram rotineiramente pagos pela CIA para desenvolver inteligência e coletar informações, ou para informar sobre determinados eventos de uma forma que retratasse os EUA favoravelmente. Por outro lado, havia pessoas na mídia que eram literalmente subornadas ou mesmo diretamente empregadas pela CIA para alimentar propaganda do governo. O objetivo era convencer o público de quão assustador era o comunismo, e se certificar de que a opinião pública apoiasse as atitudes dos EUA a qualquer custo. Ainda mais assustador foi o fato de que grandes editores de jornais e chefes de estações de TV foram comprados e pagos pela CIA, de forma que eventos significativos no exterior foram excluídos da cobertura na mídia – eventos como o golpe mencionado acima na Guatemala. Em 1976, foi revelado que a CIA vinha subornando jornalistas e editores por anos. Após algumas audiências, o então diretor da CIA e futuro presidente George H. W. Bush anunciou: “A partir de agora, a CIA não vai entrar em qualquer relacionamento pago ou contrato com qualquer correspondente de notícia credenciado por qualquer serviço de notícias dos EUA, seja jornal, revista, rádio ou rede ou estação de televisão”. No entanto, ele acrescentou que a CIA iria continuar a receber o apoio voluntário dos referidos jornalistas.

4. Operação CHAOS

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Protestos contra o envolvimento dos EUA no Vietnã revelaram-se um problema para os planos do governo em meados dos anos 1960. Enquanto Mockingbird estava ocupada tentando empurrar a necessidade da guerra na garganta do público, a “contracultura” não podia ser controlada com tanta facilidade. A CIA tentou eliminar qualquer influência estrangeira sobre o movimento antiguerra americano ao lançar a operação CHAOS. Como o programa COINTELPRO de vigilância doméstica do FBI não estava produzindo os resultados desejados, o presidente Lyndon B. Johnson autorizou a CIA a empreender seu próprio programa de espionagem sobre cidadãos norte-americanos. Sua principal tarefa era infiltrar organizações, tanto de estudantes radicais quanto outras, a fim de coletar informações sobre possíveis influências estrangeiras, e subverter esses grupos a partir de dentro. Coligações de destaque, como “Estudantes para uma Sociedade Democrática” e os Pantera Negras foram alvo do programa, além de grupos de liberação das mulheres e grupos judaicos. Há forte evidência de que esse tipo de atividade não cessou nos EUA, embora a operação CHAOS em si tenha sido terminada após o escândalo Watergate. Em 2011, a agência foi acusada de trabalhar com o Departamento de Polícia de Nova York para realizar vigilância de grupos muçulmanos na área, que não tinham feito nada de errado e que agora estão processando o governo na Justiça Federal.

3. Operação Phoenix

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Phoenix foi um programa liderado pela CIA em conjunto com Forças Especiais dos EUA e comandos australianos e sul-vietnamitas durante a Guerra do Vietnã. Seu objetivo era simples: assassinar. Embora fosse uma unidade militar, seus alvos não eram militares, mas civis. De 1965 a 1972, Phoenix se envolveu no sequestro, tortura e assassinato de milhares e milhares de cidadãos. Pessoas consideradas críticas para a infraestrutura vietcongue, ou que poderiam ter conhecimento das atividades da mesma foram presas e levadas para centros de interrogatório onde foram submetidas a violação corporal (por pessoas, animais como enguias e cobras e objetos), choque elétrico, tortura, suspensão, espancamento com mangueiras de borracha e chicotes, assassinato e muito mais. Phoenix foi o tema de uma investigação de 1971 sobre abuso. Ex-membros o descreveram o como um “programa de assassinato despersonalizado estéril”, e ele foi extinto após a publicidade negativa, embora outra operação, F-6, foi discretamente colocada em seu lugar.

2. Operação Ajax

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O sucesso da Operação Ajax abriu o caminho para todas as futuras operações da CIA de natureza similar. O programa resultou no retorno ao poder de um Xá em 1953, após um golpe militar planejado pela inteligência americana e britânica. O primeiro líder democraticamente eleito do Irã, o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, foi visto como um problema pelos EUA por causa de seus planos de nacionalizar a indústria petrolífera. Com medo de ter que competir com a União Soviética pelo petróleo iraniano, a CIA decidiu instalar um líder parcial aos interesses dos EUA. Os agentes Donald Wilber e Kermit Roosevelt (neto de Theodore Roosevelt) realizaram uma extensa campanha para subornar todo mundo que podia ser subornado no Irã: funcionários do governo, líderes empresariais e até mesmo criminosos de rua. Estes recrutas foram convidados a apoiar o Xá de várias maneiras, e se opor a Mossadegh. Funcionou: uma revolta foi instigada, Mosaddegh foi preso, e um iraniano pró-ocidental, o general do exército Fazlollah Zahedi, foi instalado no poder em seu lugar. Zahedi tinha sido preso pelos britânicos durante a Segunda Guerra Mundial para tentar estabelecer um governo nazista, e confirmou esse legado nomeando Bahram Shahrokh, um protegido de Joseph Goebbels, como seu diretor de propaganda.

1. Mujahideen

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Em 1978, o Afeganistão entrou em uma guerra civil por conta de dois partidos comunistas que tomaram o controle do país. Oponentes do comunismo logo se rebelaram. Quando começou a parecer que os rebeldes anticomunistas estavam ganhando terreno, a União Soviética invadiu o país para dar apoio aos seus aliados. Foi aí que os EUA, é claro, decidiu se envolver. A CIA criou campos para treinar os rebeldes, conhecidos como Mujahideen, nas táticas necessárias para combater os soviéticos. Armamento avançado também foi parte do acordo, incluindo mísseis antiaéreos. Ataques aéreos soviéticos haviam conduzido centenas de guerrilheiros das cidades para as montanhas circundantes, e mitigar a eficácia desses ataques era essencial para prolongar o conflito, colocando uma grande pressão sobre os recursos soviéticos. A União Soviética ocupou o Afeganistão quase até o seu colapso no início de 1990, mas o legado de Mujahideen sobrevive até hoje. Melhor: o feitiço virou contra o feiticeiro, já que a CIA hoje enfrenta suas próprias táticas e treinamentos contra os EUA. Veteranos dos campos Mujahideen começaram seus próprios programas de treinamento, produzindo terroristas altamente capacitados que agora formam a espinha dorsal da Al-Qaeda e outros grupos radicais. Os EUA descobriram essas ramificações depois de invadir o Afeganistão em 2001. A invasão levou a um impasse entre os dois países que se arrasta até o momento.[Listverse]

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