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10 reflexos humanos e instintos naturais

Não importa qual seja sua aparência ou personalidade, todo mundo – que seja humano – tem um conjunto inerente de comportamentos instintivos. Alguns incluem um conjunto de reflexos, outros os cientistas ainda não conseguiram descobrir a finalidade e outros permanecem um mistério evolutivo. Confira:

1 – Síndrome da convulsão pós-micção

Síndrome da convulsão pós-micção é um fenômeno humano no qual uma pessoa sente um calafrio correndo pela coluna depois de urinar. O evento pode produzir uma contração breve, e é uma forma de mioclonia, que são espasmos involuntários de um músculo.

Esses “arrepios de xixi” são bastante misteriosos e não compreendidos pela comunidade médica. Não há atualmente nenhuma explicação para o fenômeno, que é relatado por homens em todo o mundo – mas nem todo homem experimenta isso e apenas uma pequena percentagem das mulheres já descreveram o evento.

Cientistas especulam que o fenômeno pode estar relacionado ao fato de que as pessoas experimentam uma queda na pressão sanguínea depois de urinar. Outros têm sugerido que pode ser uma reação à perda de fluido quente. A maioria dos intelectuais aponta o fenômeno para o sistema nervoso parassimpático, responsável pela estimulação das atividades que ocorrem quando o corpo está em repouso, incluindo a excitação sexual, salivação, lacrimejamento, urinar, digestão e defecação.

No entanto, a explicação não considera o fato de que o fenômeno é experimentado apenas por uma percentagem da população mundial. E ele não deve ser confundido com a síncope da micção, que é uma sensação de desmaio depois de urinar. Durante o fenômeno, as pessoas ficam pálidas, enjoadas, suadas e perdem a consciência.

2 – Cinema do Prisioneiro

Cinema do Prisioneiro é um fenômeno relatado por pessoas mantidas em total escuridão, especialmente prisioneiros confinados em celas escuras por um longo período de tempo. A sensação tem sido relatada por caminhoneiros, pilotos e praticantes de meditação intensa. Os astronautas também experimentaram uma ocorrência similar no espaço.

O show de luzes geralmente inclui várias cores e aparece da escuridão total. As luzes têm forma sucinta, difícil de descrever. Muitas vezes transformam-se em formas humanas. Os cientistas acreditam que isso é resultado de fosfenos combinados com efeitos psicológicos da exposição prolongada a escuridão.

Fosfeno é um fenômeno caracterizado pela experiência de ver a luz sem a luz realmente entrar no olho. Em 1970, um cientista chamado Oster teorizou que o Cinema do Prisioneiro poderia ser a causa de alguns avistamentos de fantasma. Outros notaram uma ligação entre as luzes e as pinturas rupestres do Neolítico.
Diz a lenda que o filósofo grego Pitágoras retirava-se em cavernas negras, a fim de receber a sabedoria através de visões.

O efeito Ganzfeld é um fenômeno semelhante que tem sido relatado por centenas de anos. Ocorre quando alguém experimenta uma súbita perda de visão ou tem alucinações após olhar para um campo uniforme de cor (não precisa ser preto). Exploradores árticos que só viram neve branca por um longo período de tempo já relataram alucinações e um estado alterado da mente.

O efeito Ganzfeld é resultado do cérebro amplificando um ruído neural, a fim de ver os sinais visuais que faltam. Muitos sentem que é semelhante a sonhar, por causa do estado de privação sensorial do cérebro durante o sono.

3 – Knismesis e Gargalesis

Cócegas é o ato de tocar uma parte do corpo para induzir contração muscular involuntária e risos. Knismesis e gargalesis são os termos científicos usados para descrever dois tipos de cócegas.

Em 1897, os termos foram cunhados pelos psicólogos G. Stanley Hall e Arthur Allin. De um modo geral, knismesis é o tipo de cócegas leve, que não induz o riso em seres humanos. Este tipo de cócegas é muitas vezes acompanhado por uma sensação de coceira. Knismesis requer um baixo nível de estimulação e pode ser acionada por um toque ou corrente elétrica. Também pode ser desencadeada por insetos rastejantes.

Gargalesis é o tipo que induz riso e envolve a aplicação repetida de alta pressão em áreas sensíveis do corpo. Este tipo de cócegas é frequentemente associado com brincadeiras e risadas, mas pode ser considerado altamente desagradável e até mesmo tortura se utilizado implacavelmente. O tipo gargalesis funciona tanto em seres humanos quanto em primatas.

As pessoas podem acionar knismesis em seu próprio corpo, mas não gargalesis. Isso é difícil de entender.

Em animais, a knismesis pode ser perigosa. A imobilidade tônica é um estado natural de paralisia em animais. Alguns tubarões podem ser colocados em um estado de paralisia tônica por uma média de quinze minutos. Isto é alcançado ao colocar as mãos nas laterais do focinho do animal e esfregá-lo levemente (aplicando knismesis). Em 1997, ao largo da costa da Califórnia, uma orca fêmea foi vista propositadamente induzindo imobilidade tônica em um grande tubarão branco. A orca manteve-o imobilizado durante quinze minutos até que ele sufocou até a morte.

4 – Vermelhidão ou rubor

O rubor é a vermelhidão involuntária do rosto devido ao constrangimento ou estresse emocional de uma pessoa. Em muitas culturas, o ato tornou-se associado a estar apaixonado ou a determinadas situações românticas.

Qualquer situação pode fazer alguém corar. Geralmente, leva cerca de um ou dois minutos para que a vermelhidão desapareça. Quando é grave, pode tornar as pessoas autoconscientes e difícil de se sentir confortáveis. Estudos determinaram que o rubor é o resultado de um sistema simpático nervoso hiperativo.

Durante o processo de corar, o sistema simpático nervoso faz com que os vasos sanguíneos se expandam, inundando a pele com sangue e resultando em um avermelhamento da face. Em algumas pessoas, as orelhas, pescoço e parte superior do tórax também podem corar. A reação também fará com que o rosto da pessoa esquente.

A reação de corar ao álcool é uma condição na qual o rosto de um indivíduo fica vermelho como resultado do consumo de álcool. O rubor é criado pela acumulação de acetaldeído no corpo, criado pela oxidação do etanol – e pode ser a causa de ressaca.

5 – Período refratário

Na sexualidade humana, o período refratário é a fase de recuperação depois de um orgasmo, durante o qual é impossível alcançar orgasmos adicionais. A maioria dos homens é incapaz de manter ou conseguir uma ereção durante este tempo. O pênis também pode ficar hipersensível e estimulação pode causar dor ou incômodo.

O efeito tem sido associado ao hormônio oxitocina e a proteína prolactina. O comprimento do período refratário varia entre espécies, desde alguns minutos até dias. Em contraste com os homens, a maioria das mulheres não experimenta um período refratário imediatamente após o orgasmo. De acordo com estudos, pessoas de 20 anos tem um período refratário de cerca de 15 minutos, enquanto o das pessoas em seus 70 anos dura cerca de 20 horas.

A relação sexual também pode levar a um sentimento de melancolia em humanos, chamada tristeza pós-coito (PCT). O sentimento é mais comum em homens do que mulheres, e foi descrito pelo filósofo Baruch Spinoza em 1677. Outro fenômeno sexual é a incapacidade do homem controlar sua urina depois da relação sexual.

6 – Arrepios e calafrios

Um arrepio de frio é uma sensação de formigamento no corpo acompanhado por uma sensação de frio, e às vezes um estremecimento. Ao contrário do arrepio de frio, calafrios não são causados pela temperatura, menopausa, ansiedade, ou doença, mas sim são desencadeados pela emoção.

Calafrios ocorrem quando alguém está profundamente afetado por música, vídeo, voz, ou recordação, que criam arrepios no corpo. Você pode arrepiar de medo também. A sensação pode ser espontânea, mas também pode ser sentida segundos antes que aconteça, semelhante a um bocejo ou espirro.

Arrepios são criados quando os músculos minúsculos na base de cada pelo os deixam eretos. Em animais cheios de pelo, o arrepiamento pode criar uma camada de isolamento. Arrepios também podem aparecer como uma resposta à raiva ou medo. Os pelos eretos fazem o animal parecer maior, a fim de intimidar os inimigos.

7 – Contágio emocional

Contágio emocional é a tendência dos seres humanos sentirem as emoções das pessoas ao seu redor. Ela parece estar envolvida com psicologia de massas e relacionada com o pensamento de grupo.

A conduta humana se espalha entre as pessoas de uma forma semelhante a modismos e tendências. Quanto mais as pessoas passam a acreditar em algo, mais outras pessoas acreditam também. A ideia de contágio emocional é claramente evidente em crianças humanas. Por exemplo, se um pai está triste, a criança percebe e reage com choro.

Contágio emocional abrange uma vasta gama de emoções humanas, como estratégia, invencibilidade e dominância. A capacidade de transferência de humor entre os seres humanos é inata.

Este é um fato poderoso que está por trás de algumas religiões, ditadores e guerras do mundo. Como seria de se esperar, a transferência de emoções entre os seres humanos tem sido estudada em várias situações e configurações diferentes. Ao contrário do contágio cognitivo, o contágio emocional é menos consciente e mais automático. Baseia-se principalmente em comunicação não verbal, embora ocorra através de telecomunicação.

Já folie à deux é uma síndrome psiquiátrica na qual crenças delirantes são transmitidas de um indivíduo para o outro. O distúrbio foi conceituado na França durante o século 19, e está relacionado à Síndrome de Estocolmo, que é um fenômeno que ocorre quando um refém expressa empatia por seus atacantes. Um dos exemplos mais horríveis de folie à deux é Adolf Hitler e o Partido Nazista.

8 – Bocejar

O bocejo é um reflexo natural do ser humano que envolve a inalação de ar, que se estende dos tímpanos, e é seguido por uma exalação grande de respiração.

Bocejar é associado com cansaço, estresse, falta de estimulação e tédio. É uma das funções mais bizarras.
Bocejar pode ser contagioso e é acionado por ver outros bocejando, ouvir um bocejo, ou falar ao telefone com alguém que está bocejando.

E por que os animais bocejam? Não sabemos. Uma teoria diz que o bocejo ocorre quando o sangue de uma pessoa contém uma maior quantidade de dióxido de carbono e precisa de oxigênio. No entanto, outros estudos mostram que o bocejo diminui o consumo de oxigênio.

Outra teoria afirma que o bocejo é uma maneira de controlar a temperatura do cérebro. Tem sido sugerido que um bocejo pode reduzir ou aumentar a pressão arterial no cérebro. Esta teoria é apoiada pelo fato de que as pessoas têm um desejo maior de bocejar ao fazer uma mudança drástica em elevação. Outro motivo especulado para o bocejo é o desejo de alongar os músculos da pessoa.

O bocejo contagioso pode ser uma maneira de manter um grupo de animais em alerta. Pode ser uma reação instintiva de um membro do rebanho para o outro, lembrando que todos fiquem alerta. A evidência anedótica sugere que o bocejo ajuda a aumentar o estado de alerta.

É possível também que o bocejo seja um reflexo territorial, um processo que se destina a fazer o corpo parecer maior, estendendo os braços e abrindo a boca. Quando os animais bocejam, a reação humana é tomar consciência dos dentes e potenciais de combate da criatura.

9 – Reflexo vestíbulo-ocular

Como os seres humanos são capazes de mover a cabeça da esquerda para a direita e ainda se concentrar em imagens visuais? O reflexo vestíbulo-ocular (VOR) é um movimento humano que estabiliza as imagens na retina.

Ele faz isso produzindo um movimento rápido dos olhos no sentido oposto ao movimento da cabeça. Por exemplo, quando nossa cabeça vai para a direita, os olhos se movem para a esquerda, e vice-versa.

O VOR é vital porque as pessoas estão constantemente fazendo movimentos da cabeça pequenos. Os indivíduos que têm VOR prejudicado geralmente não podem ler, porque os movimentos da cabeça borram a imagem.

O VOR trabalha em total escuridão e quando os olhos estão fechados. O reflexo é um dos mais rápidos no corpo humano. Hoje em dia, o VOR pode ser testado por médicos com um teste que envolve injetar água fria, água quente, ou ar dentro do ouvido. Quando você injeta água no ouvido, o VOR é automaticamente acionado.

Um cerebelo saudável é também essencial para o VOR, a fim de assegurar movimentos oculares precisos. Pessoas que sofrem de danos cerebrais no cerebelo muitas vezes têm problemas com a compreensão visual.

Você já se perguntou por que você não deve beber e dirigir? O consumo de etanol (álcool) pode perturbar o VOR, reduzindo sua capacidade de ver. Quanto mais intoxicado você está, mais embaçada fica a sua visão.

10 – Reflexo de mergulho mamífero

O reflexo de mergulho mamífero permite que as pessoas fiquem debaixo d’água por longos períodos de tempo. É encontrado fortemente em mamíferos aquáticos, mas também em seres humanos.

O reflexo de mergulho é acionado especificamente quando fazemos contato com água fria no rosto. A água que é mais quente do que 21 graus Celsius não provoca o reflexo, e nem a submersão de outras partes do corpo do que o rosto.

Logo que a face atinge água fria, o reflexo de mergulho é acionado numa tentativa de maximizar a produção de oxigênio. A taxa de batidas do coração humano retarda por 10 a 25% e o fluxo de sangue é constringido para as extremidades. Em profundidades extremas, o corpo intencionalmente permite que o fluido encha os pulmões e a cavidade torácica para prevenir os órgãos de serem esmagados pela pressão.

O reflexo de mergulho mamífero aumenta muito as chances de sobrevivência durante uma submersão acidental.
Ele ajuda a prevenir afogamentos em seres humanos e funciona mesmo se o indivíduo estiver inconsciente antes de entrar na água.

Devido ao reflexo, uma pessoa pode sobreviver períodos de tempo mais longos sem oxigênio em água fria que em terra seca ou em água quente. Outro fato interessante é que os reflexos de mergulho diminuem com a idade adulta. As crianças têm maior probabilidade de sobreviver durante longos períodos de tempo em água fria. O reflexo é particularmente forte em focas, lontras e golfinhos, que são mamíferos que passam muito tempo na água. Ainda não está claro se o reflexo de mergulho ocorre em clima frio extremo fora da água.

O reflexo de mergulho mamífero tem levado alguns a examinar a hipótese do “macaco aquático”, que diz que os ancestrais comuns do homem moderno passaram um tempo se adaptando a vida subaquática. A hipótese baseia-se nas diferenças entre humanos e outros grandes macacos, e nas semelhanças entre humanos e alguns mamíferos aquáticos. A teoria usa muitas funções humanas para apoiar essa reivindicação, incluindo a perda de pelo, a localização do pelo, a gordura subcutânea em bebês, o controle da respiração voluntário, a camada de cera em recém-nascidos e o reflexo de mergulho mamífero.[Listverse]

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