Dando asas à informação

10 verdadeiras fugas incríveis

Escapes da opressão, da morte, da fome – algumas fugas históricas são muito bem conhecidas, outras menos, mas todas têm uma coisa em comum: a bravura. A bravura de homens, mulheres e até crianças, que nos fornece prova eloquente da paixão do ser humano pela liberdade, justiça e vontade de sobreviver. Confira:

1 – Túnel da liberdade

A casa dos Becker ficou diretamente na fronteira que separava a Berlim Oriente da Berlim Ocidente.

Conforme o muro de Berlim foi erguido, seu mundo se fechou. Policiais foram trazidos de toda a Alemanha Oriental para guardar a fronteira depois que algumas pessoas conseguiram escapar. Em meio à aguda escassez de alimentos e rumores horrendos, os Beckers sabiam que tinham que sair dali antes de ser tarde demais.
Depois de uma quase fatal tentativa de fuga, os Beckers e alguns de seus amigos decidiram cavar um túnel para a Alemanha Ocidental da sua própria casa. Os escavadores trabalham em turnos em equipes de dois com apenas martelos, pás e picaretas por três dias só para atravessar a parede do porão. Se livrando da sujeira em um velho poço, as equipes enfrentaram incerteza diária conforme lutavam contra desmoronamentos e serem capturados. Em 24 de janeiro de 1962, um grupo de 28 refugiados finalmente conseguiu se arrastar para Berlim Ocidental e para a liberdade.

2 – Papel de parede salvador

Martin Kaylor estava voltando para os EUA depois de servir como artilheiro na Guerra da Coreia. Após falhar em entender os avisos dos moradores coreanos, seu comboio foi emboscado e Kaylor, ferido, foi capturado. Nevava muito quando ele e seus homens foram forçados a marcharem, mancando, por trilhas em montanhas geladas por 11 dias.

A doutrinação chinesa começou. “O imperialismo é ruim”, “Estamos lhes tratando bem”, “Quem é o agressor na Coreia?”, “Porque os EUA são os agressores na Coreia?” tornaram-se partes descontínuas de suas palestras diárias. Semanas se tornaram meses, e muitos morreram de desnutrição e disenteria.

Após serem transferidos novamente, eles finalmente perceberam que nunca iriam ser liberados. Todos os 19 fuzileiros navais do grupo fugiram, atravessando o rio Imjin e correndo por quilômetros até encontrarem um homem coreano que os escondeu em uma casa abandonada. Eles se maravilharam com o papel de parede dentro da casa, já que era o primeiro que eles viam em anos. E o mesmo papel de parede se tornou sua graça salvadora. Eles usaram as tiras para formar palavras e pedir resgate. O papel de parede foi avistado por um avião observador, e os homens foram resgatados.

3 – A Linha Cometa

A condessa Andrée de Jongh era um membro da Resistência Belga durante a Segunda Guerra Mundial. Quando jovem, sua heroína tinha sido Edith Cavell, uma enfermeira que ajudou tropas a atravessar a Bélgica ocupada para a Holanda.

Na idade de 21, de Jongh chegou em Bilbao, na Espanha, depois de ter viajado a cordilheira Pirineus a pé. Na chegada, ela solicitou apoio britânico para a sua rede de fuga, The Comet Line (em português, a Linha Cometa), que ajudou soldados aliados a retornar à Grã-Bretanha, e seu pedido foi concedido. A partir de Bruxelas, os homens ganharam documentos falsos e foram escondidos em lugares seguros. Uma rede de pessoas então os guiou através da Espanha e Gibraltar. Números variam, mas é documentado que a condessa ajudou mais de 500 soldados a fugir. Ela acompanhou 118 aviadores sobre os Pirineus sozinha.

4 – Da escravidão à liberdade

Harriet Tubman cresceu em Maryland (EUA) como escrava. Quando jovem, ela foi severamente espancada por seus senhores, e sofreu um ferimento grave na cabeça que a levou a ter convulsões, dores de cabeça e visões. Cristã devota, ela acreditava que suas visões eram revelações de Deus.

Em 1849, após a morte de seu dono, ela foi enviada para trabalhar em uma fazenda vizinha. O gerenciamento do local era ruim e levou quase duas semanas para perceberem que ela nunca apareceu para trabalhar. Depois de ser convencida a voltar a trabalhar, ela escapou mais uma vez através da Underground Network (uma rede de casas seguras dirigidas por ativistas antiescravidão).

Harriet foi para a Filadélfia, mas rapidamente voltou para libertar sua família. Viajando de noite, ela guiou dezenas de outros escravos para a liberdade, ganhando o apelido carinhoso de Moisés. Quando a Lei do Escravo Fugitivo de 1850 foi aprovada, ela simplesmente guiou fugitivos mais ao norte, para o Canadá, onde a escravidão era ilegal.

5 – Duas vezes livre

Henri Honoré Giraud entrou para o Exército francês em 1900. Durante a Primeira Guerra Mundial, ele foi capturado na Batalha de Guise e ficou gravemente ferido. Depois que se recuperou, escapou através da Holanda e voltou para a França. Continuando sua carreira, atuou em Constantinopla e Marrocos, recebendo a Legion d’Honneur. Ele foi novamente preso em 19 de maio de 1940 em Wassigny, e transferido para o Castelo Königstein, usado como uma prisão de alta segurança para prisioneiros de guerra.

Parecia impossível que escapasse mais uma vez, afinal já estava com 61 anos, mas Giraud cuidadosamente planejou sua fuga ao longo dos próximos dois anos. Ele aperfeiçoou seu alemão e memorizou mapas da área circundante. Recebeu muitos pacotes durante seu encarceramento, nos quais amigos enviaram fios de cobre e materiais para fazer uma corda. Em abril de 1942, ele fugiu da fortaleza na montanha e finalmente conseguiu voltar para a França.

6 – Carona nos ares

Em junho de 1969, um jovem fez uma corrida louca para a liberdade de sua terra natal, Cuba. Ele correu em direção a um avião DC-8 indo para os EUA conforme decolava, subindo na carcaça e conseguindo chegar ao compartimento do avião sem ser esmagado.

As estatísticas dizem que 50 a 70% de passageiros clandestinos de aviões não sobrevivem, mas Armando Socarras Ramirez, 18 anos, foi um dos poucos sortudos. Depois de 8 horas a 9.144 metros de altitude, membros da tripulação ficaram chocados ao descobrir o seu corpo em coma. Ele foi levado ao hospital, onde todos pensavam que iria morrer. Depois de 24 horas, ele se recuperou completamente. Ramirez sobreviveu devido ao fato de que era jovem e em forma. Também, ele havia colocado algodão nos ouvidos para reduzir o ruído, e tinha se amarrado ao avião com uma corda para não cair. Especialistas acreditam que seu corpo entrou em um tipo de hibernação, que lhe permitiu sobreviver às adversidades.

7 – Os injustiçados e o justo

Após o bombardeio de Differdange, em Luxemburgo, 18 bombeiros e uma mulher ficaram para trás conforme o resto da cidade fugiu. Depois de dois dias de combates, os franceses se afastaram e os tanques alemães chegaram. No início, os alemães foram civis com os bombeiros – afinal, eles foram úteis com a limpeza dos escombros, o enterro de animais mortos e até apagaram incêndios.

Duas semanas depois, tudo mudou. Os alemães foram bombardeados pelos franceses, e os bombeiros foram levados para uma vala comum. O tenente estava convencido de que um dos bombeiros havia enviado um sinal para os franceses. Ele pediu a Johan Punzel para assumir a custódia dos prisioneiros até sua execução.

Os prisioneiros imploraram a Punzel para reinvestigar a queixa contra eles. Quando percebeu que eles eram inocentes, Punzel arranjou sua fuga através de um caminhão. Os prisioneiros queriam dar-lhe suas joias, mas Punzel não aceitou. Felizmente para ele, o regimento foi ordenado a se mover novamente e, no meio do caos, pareceu que os bombeiros foram esquecidos.

8 – Napoleão e Elba

Napoleão Bonaparte é mais lembrado como um líder político e militar francês. Tornando-se primeiro cônsul em 1799 depois de um golpe bem sucedido, mais tarde coroou-se imperador dos franceses.

Sua boa sorte finalmente chegou ao fim após várias fracassadas campanhas militares, quando foi exilado para a ilha de Elba. Em seus nove meses na ilha, Napoleão foi autorizado a receber cartas e jornais, e ter vários de seus homens mais leais ao seu lado. Ele observou com interesse que o povo francês estava descontente com o encolhimento do grande império, e concluiu que seu retorno seria recebido com entusiasmo.

Em fevereiro de 1815, Napoleão partiu de Elba sob a cobertura da escuridão. Como a ilha é muito próxima da França, ele voltou para casa em uma questão de horas, desembarcando no sul do país com cerca de 1.000 soldados.

9 – A fuga de Kennedy

Blackett Strait, perto das Ilhas Salomão, estava extremamente escuro na noite de 1 de agosto de 1943. PT-109 era um dos barcos de patrulha americanos à procura de navios japoneses. Depois de uma batalha vencida no início da noite, o tenente Kennedy se encontrou com outros dois barcos. Espalhando-se para formar uma linha, eles montaram uma patrulha no caso dos navios inimigos voltarem.

Em um encontro com o inimigo com muito pouco tempo para fugir, o PT-109 de Kennedy foi cortado pela metade. Com bases japonesas em torno deles, eles decidiram nadar para a ilha Plum Pudding. O jovem Kennedy rebocou seu companheiro gravemente queimado usando uma cinta como colete salva-vidas. A ilha era muito pequena, sem alimentos ou água potável. Kennedy então nadou outros quatro quilômetros em busca de ajuda e comida, liderando seus homens para a ilha Olasana, onde encontraram água potável e coqueiros.

Os outros americanos, que tinham visto a explosão, assumiram que todos do PT-109 tinham morrido. A Marinha até realizou um serviço memorial para eles. Mas depois de seis dias, eles foram finalmente salvos após serem descobertos por olheiros. O jovem tenente John F. Kennedy veio a se tornar o 35º presidente dos Estados Unidos.

10 – Mineiros no Chile

No dia 5 de agosto de 2010, no Chile, 33 mineiros ficaram presos 700 metros abaixo do solo depois de um desmoronamento enorme. Eles tentaram escapar através dos poços de ventilação, mas não havia escadas. A equipe de resgate tentou todas as entradas possíveis, mas tudo estava bloqueado por rochas e detritos.

Durante seu tempo na mina, os mineiros viveram em um túnel com alimentos muito limitados. Após 14 dias, equipes de resgate começaram a enviar suprimentos e cartas de seus entes queridos através de cápsulas de plástico. Cápsulas de aço para resgate foram construídas pela Marinha do Chile, incorporando projetos da NASA, e foram eventualmente usadas para resgatar os mineiros, 69 dias depois do desabamento.[Listverse]

Comente

Your email address will not be published. Required fields are marked *