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5 mitos antigos envolvendo o sol

Ontem, domingo, 20 de maio, um eclipse anular solar gerou um halo incrível visível em grande parte da Ásia, do Pacífico e da América do Norte.

Atualmente, os eclipses são fenômenos bem conhecidos, e a lua e o sol são astros bastante estudados no espaço. Isso não quer dizer que eles não sejam cercados de mistérios – falta muito caminho para percorrermos até aprendermos tudo sobre nosso universo.

Ainda assim, no passado esse conhecimento era mais obscuro e gerava confusões e mitos envolvendo nossa estrela mais próxima. Confira alguns deles:

1 – Como Hou Yi atirou nos sóis

Na mitologia chinesa antiga, o céu não tinha apenas um, mas sim 10 sóis. Todos os dias, a deusa da energia solar Shiho pegava um desses sóis (todos eram seus filhos) e o mandava para o céu em sua carruagem.
Enquanto isso, os outros nove ficavam entre as folhas da árvore mítica Fusang (também conhecida como “Árvore da Vida”, uma complexa representação das transformações espirituais e energéticas do ser humano), que supostamente tinha mais de 3.000 metros de altura e ficava num lugar especial, a “Terra de Fu Sang”, no Ocidente (alguns acreditam que essa é uma ilusão à América).

O sistema de Shiho funcionou bem até o dia em que os sóis se cansaram de sua responsabilidade, e, revoltados, decidiram ir todos ao céu ao mesmo tempo, a fim de gerar luz e calor suficiente para que todos pudessem tirar alguns dias de folga depois.

O que aconteceu, no entanto, foi que eles secaram rios, causaram queimadas e levaram à secas generalizadas na Terra. Eles não podiam ficar sem castigo, certo? O deus do sol Dijun então chamou o arqueiro Hou Yi que, com 10 flechas mágicas, estava encarregado de disciplinar os sóis. Ele perseguiu e matou nove deles,
e apenas um, pois a flecha final de Hou Yi foi roubada para salvar a Terra da escuridão perpétua.

Esse mito antigo chinês também afirma que os eclipses solares eram causados por um demônio ou dragão que devorava o sol, levando a uma tradição em que as pessoas tocavam bateria ou tambores para assustar o “comedor de sol” e fazê-lo ir embora.

Só que, na realidade, os astrônomos chineses pareciam entender que os eclipses eram fenômenos naturais, pelo menos desde 720 a.C., já que as observações mais antigas feitas em ossos datam de cerca de 3.000 anos.

2 – Perseguido por lobos

Na lenda nórdica antiga, a deusa do sol chamada Sol (uma coincidência na língua portuguesa) foge pelo céu de seu perseguidor, o lobo chamado Sköll, que pretende devorá-la. E ele não está sozinho. Seu irmão Hati faz a mesma coisa com a lua à noite. Malvados, não?

Os nórdicos acreditavam que os eclipses eram um sinal de que Sköll estava perigosamente perto de alcançar a deusa Sol. Eles também acreditavam que, um dia, o sol finalmente seria devorado. A mitologia previu uma grande batalha chamada Ragnarök, na qual os principais deuses morreriam e a Terra seria engolida por uma enorme enchente. Este apocalipse “limparia” nosso mundo, que seria então repovoado por apenas um casal de sobreviventes humanos. Se for ver, não é impossível de acontecer, né?

3 – Comandando o barco da luz

Uma das divindades mais importantes do panteão egípcio era , o deus sol com cabeça de falcão. Reza a lenda que, todos os dias, Rá comandava um barco tripulado por deuses no céu. O nome do barco era Mandjet, ou “Barco de Milhões de Anos”, uma clara subestimação, já que nosso sol tem na verdade cerca de 4,5 bilhões de anos.

À noite, Rá voltava para o leste através do submundo, trazendo luz aos mortos (e deixando a noite escurinha para nós). Essa era uma jornada traiçoeira, pois Apep, um deus serpente do mal, tentava parar Rá devorando-o. Os eclipses solares eram, portanto, a crença de que Apep estava conseguindo impedir Rá de voltar, apesar desse bravo Deus sempre conseguir escapar e nos dar a luz novamente.

4 – Estrela ciumenta

De acordo com uma lenda Cherokee, tribo indígena norte-americana muito antiga que conseguiu sobreviver nos EUA até hoje (com quase 310 mil membros, eles acabaram incorporando muitos costumes dos colonizadores europeus e são conhecidos como uma das “Cinco Tribos Civilizadas”), muito tempo atrás, o sol ficou com ciúmes de sua irmã, a lua, porque as pessoas da Terra sempre olhavam para ela com expressões bonitas por causa de sua luz suave.

O sol também tinha uma filha, que vivia no meio do céu. Todos os dias, o sol parava para visitá-la.
Zangado com os humanos porque eles faziam expressões feias (provavelmente por causa de sua luz forte), o sol começou a usar essa oportunidade (da parada para ver sua filha) para produzir tanto calor que as pessoas começaram a morrer de febre (qualquer semelhança com o sol do meio dia não deve ser mera coincidência).

Como sempre, nós, bravos seres humanos, não podíamos deixar quieto. Por isso, procuramos os “homens pequenos”, que na lenda Cherokee representavam espíritos mágicos amigáveis que habitavam as florestas. Os homens pequenos decidiram que o sol tinha que morrer (como as lendas antigas queriam que o sol morresse, não?), então eles fizeram um homem se tornar uma cascavel e outro homem se tornar uma serpente temível chamada Uktena.

A cascavel foi à casa da filha do sol, esperar por sua chegada. Mas enquanto a cascavel estava à espera, a filha do sol abriu a porta. A cascavel a mordeu acidentalmente, matando-a. Quando o sol chegou para ver sua filha, descobriu que ela estava morta e começou a chorar, inundando a Terra com suas lágrimas.

Desesperadas para agradar o sol e parar com seu choro, as pessoas da Terra fizeram uma tentativa de resgatar a filha solar morta da terra dos fantasmas, mas não conseguiram. Quando elas voltaram, o sol começou a chorar ainda mais. Para distraí-lo, as pessoas começaram a dançar e ouvir música até que o sol finalmente tornou-se feliz novamente (qualquer semelhança com a dança da chuva não deve ser mera coincidência).

5 – Retardando o sol

O povo maori da Nova Zelândia possui uma lenda antiga sobre dias no passado que eram mais curtos do que são agora. Aparentemente, a pouca luz do dia não era suficiente e graças ao herói Maui, nossos dias agora tem mais horas de luz (e como 24 horas hoje já não dá mais para nada, Maui seria um herói ainda mais aclamado se ressurgisse).

Reza o conto antigo que Maui ouvia seus irmãos lamentando a falta de luz durante o dia e decidiu resolver o problema, “domesticando” o sol. Seus irmãos estavam céticos de que ele conseguisse tal façanha, mas eles, bem como toda a tribo, ajudaram Maui a tecer uma rede para domesticar o sol.

Maui e seus irmãos, em seguida, partiram para o leste, até encontrar o lugar de descanso do sol. Eles cobriram a entrada dessa “caverna do sol” com a rede, e se pintaram com argila para se proteger contra o calor do astro.

Quando o astro finalmente surgiu, ele lutou contra a rede, mas os irmãos mantiveram a estrela firme ali.
Maui começou a bater no coitado do sol com (e aí algumas histórias diferem, dizendo que era com um machado, ou com um porrete feito do osso de um antepassado) alguma coisa até que a nossa estrela ficou tão enfraquecida que não conseguia mais correr pelo céu. Finalmente, é por isso que o sol viaja tão lentamente hoje.

Agora que eu sei toda a violência necessária para fazer o sol andar mais devagar, acho que nossas horas de luz são suficientes, não?[LiveScience, Abril, AFilosofiaDoYiJing]

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