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7 atletas paralímpicos brasileiros inspiradores

Apesar da cobertura sobre os Jogos Paralímpicos 2012 de Londres não estar sendo tão extensa quanto foi a das Olimpíadas convencionais, ainda precisamos falar dessa competição incrível, em que o Brasil está tendo uma atuação impressionante.

Ainda no começo das Paralimpíadas, nossos atletas já conquistaram mais que o dobro de medalhas de ouro que os das Olimpíadas em toda a competição. É de ter muito orgulho! No momento, estamos na 8ª posição do quadro geral de medalhas, com 7 ouros, 4 pratas e 3 bronzes (14 no total). A China lidera o ranking, com 118 medalhas (48 de ouro).

Conheça alguns dos nossos heróis medalhistas:

1 – Terezinha Guilhermina, atletismo feminino

Numa prova que teve pódio com dobradinha brasileira, Terezinha ficou com o ouro: 200m da classe T11 (categoria de deficientes visuais).

Na sua cola, somente seu guia, Guilherme Santana. A mineira cruzou a linha de chegada em 24s82, novo recorde paralímpico, e conquistou sua primeira medalha de ouro nos Jogos de Londres. Para completar, ela ganhou a companhia de outra brasileira no pódio: Jerusa Geber foi a segunda colocada, com 26s32. Quase outra brasileira, Jhulia Santos, com 26s65, deixou o pódio totalmente verde-amarelo, mas uma decisão polêmica a tirou da zona de medalhas. A chinesa Juntingxian Jia, que disputava a prata com Jerusa, recebeu um impulso do guia Donglin Xu, e foi desclassificada momentaneamente. Como a organização voltou atrás, Jhulia acabou em quarto lugar.

2 – Alan Fonteles, atletismo masculino

Esse atleta brasileiro merece nossa atenção: fez o que parecia impossível, e conquistou o ouro derrotando o favorito Oscar Pistorius nos 200m rasos classe T44.

Alan, com 20 anos, se agigantou e desbancou o rival famoso com uma arrancada na reta final, nos presenteando com uma medalha de ouro histórica. Alan cruzou a linha de chegada com o tempo de 21s45. Pistorius ficou em segundo, e o americano Blake Leeper em terceiro.

Nosso herói é mais do que um vencedor, é um cavalheiro. Cumprimentou todos os rivais, um a um, e o abraço tímido de Pistorius mostrou que o adversário não estava nem um pouco satisfeito com o resultado. Na verdade, o sul-africano chegou a fazer um protesto formal dizendo que as próteses de Alan eram irregulares e o beneficiaram. De fato, Alan estava 5 centímetros mais alto do que da última vez que competiu, mas esse ajuste nas próteses está dentro da lei e a organização julgou que não houve irregularidade. Por fim, nosso herói manteve-se herói, elogiando Pistorius durante a entrega das medalhadas, e o sul-africano saiu com imagem de mau perdedor. Melhor pra gente.

3 – Yohansson Nascimento, atletismo masculino

O alagoano Yohansson Nascimento mostrou bem o sangue do brasileiro: conquistou uma medalha de ouro e cravou um recorde mundial nos 200m rasos na classe T46.

Com o tempo de 22s05, o velocista de 24 anos sagrou-se campeão e aproveitou a oportunidade para pedir sua namorada em casamento, mostrando um pedaço de papel para as câmeras que dizia: “Thalita, quer casar comigo?”.

4 – André Brasil, natação masculina

Esse está acostumado a nos dar presentes: só nos Jogos Paralímpicos de Londres, já subiu ao pódio 3 vezes.
Medalha de ouro nos 50m livre (conquistado com a quebra de seu próprio recorde mundial, com o tempo 23s50) e nos 100m borboleta da classe S10 (com recorde paralímpico ao cravar 56s35), o atleta carioca também faturou a prata nos 200m medley. Aos 28 anos, ele pretende subir ao pódio em todas as oito provas em que se inscreveu. Vamos aguardar.

5 – Daniel Dias, natação masculina

Daniel teve uma oportunidade excelente e não a perdeu: Clodoaldo Silva, vencido pela dor, desistiu de disputar a final dos 200m livre da classe S5. No seu lugar, nadou Daniel Dias. Melhor colocado na fase classificatória, o paulista fez 2m27s83 e conquistou seu segundo ouro nas Paralimpíadas, com direito a quebra do recorde paralímpico. Ele já havia batido um recorde mundial, nos 50m livre na sua categoria.

Esses resultados deixam Daniel perto de se tornar o maior atleta paralímpico do Brasil de todos os tempos.
O nadador de 24 anos coleciona 11 medalhas e precisa de mais duas para igualar o recorde de Clodoaldo e da velocista Ádria Santos. Vai Daniel!

6 – Lúcia Teixeira, judô feminino

Lúcia era estreante em Jogos Paralímpicos, mas conseguiu chegar à final da categoria até 57 kg do judô feminino. Infelizmente, perdeu a medalha de ouro para a favorita ao título, Afag Sultanova, do Azerbaijão. Derrubada com as costas inteiras no chão, a brasileira foi derrotada por ippon e ficou com a medalha de prata. Foi a terceira medalha brasileira feminina no judô. Daniele Bernardes ganhou o bronze entre as atletas até 63 kg e Michele Ferreira também ganhou bronze na categoria até 52 kg. É a mulherada mostrando que é boa de briga e colocando o Brasil mais para cima no quadro geral de medalhas. Para completar, mais um bronze no judô masculino, com Antônio Tenório.

7 – Odair Santos, atletismo masculino

Ao lado do guia Antônio Carlos dos Santos, Odair liderou boa parte da prova dos 1.500m pela classe T11 (mudou de classe depois de perder totalmente a visão), mas acabou sendo ultrapassado nos metros finais pelo queniano Samwel Mushai Kimani. Odair terminou a prova com o tempo de 4m03s66, novo recorde
brasileiro.

“Fiz uma boa prova, me esforcei bastante, mas não deu. Tenho que dar parabéns ao queniano pela belíssima prova. Claro que o intuito sempre é ganhar e alcançar o lugar mais alto do pódio. Queria ter vencido, mas não foi possível. Nem sempre as coisas acontecem do jeito que queremos. Estou feliz com a prata, uma medalha em Paralimpíadas é sempre importante”, disse nosso herói, acostumado a disputar os Jogos Paralímpicos. Ele representou brilhantemente o Brasil em Atenas 2004, com a prata nos 1.500m e nos 5.000m e bronze nos 800m, e em Pequim 2008, com três bronzes (800m, 5.000m e 10.000m), todos na categoria T12 (baixa visão).[JN, G1, GloboEsporte]

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