Dando asas à informação

A mais antiga pegadinha do Dia da Mentira, feita em 1698, envolvia leões

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No último dia de abril, nada como lembrar um pouco de história sobre o primeiro dia desse mês. A mais antiga pegadinha registrada em um Dia da Mentira ocorre (embora de maneira um pouco modificada) até hoje: inocentes são mandados para a Torre de Londres, onde pensam que vão assistir uma das cerimônias anuais do local, a “lavagem dos leões”.

A torre já foi, um dia, o lar de alguns leões, entre outros animais selvagens. Em Londres, as pessoas tem caído nessa história há séculos, só com uma pequena variação de local.
A brincadeira envolve uma honra emocionante: um convite para um evento anual na Torre de Londres, que é a lavagem dos leões.

O Dawks News-Letter relatou que várias pessoas foram enviadas para lá em 1 de abril de 1698, no que deve ser a referência mais antiga registrada para uma brincadeira do Dia da Mentira até hoje.

Aparentemente, foi um sucesso tão grande que as pessoas continuaram a fazê-la, às vezes indo longe demais. Em 1848, 1856 e 1861, convites formais foram projetados e entregues a essas pessoas de sorte, dignas o suficiente de ver toda a tradição real da Cerimônia Anual da Lavagem dos Leões. Um convite de 1856 ainda está nos arquivos da Torre, com um selo de cera vermelha e com a assinatura do “diretor sênior”, Herbert de Grassen.

De acordo com as memórias de um dos organizadores da pegadinha de 1848, Gustave Louis Maurice Strauss, sua tentativa resultou em tantas pessoas aparecendo para ver os leões serem lavados que os guardas da Torre estiveram à beira de chamar apoio militar para controlar as multidões iradas ao descobrir a mentira.

Como todas as melhores brincadeiras, esta está enraizada no que um dia foi (um pouco) verdade. A Torre de Londres costumava abrigar um zoológico enorme. A maioria dos animais foram presentes de outros governantes. Por exemplo, o Imperador Frederico II deu ao rei Henry III um trio de leões, um rei norueguês deu-lhe um urso polar autorizado a nadar e pescar no rio Tâmisa (de coleira, claro), e elefantes vieram para a Torre como um presente francês.

Os animais da Torre não eram apenas para visualização, como nos entediantes zoológicos de hoje. Em 1686, uma mulher foi morta ao acariciar um leão, e uma zebra de lá era famosa por roubar a cerveja dos visitantes. Um dos cômodos, cheio de macacos, foi fechado quando um menino teve sua perna arrancada.

A longa tradição da brincadeira na Torre começou no século 13 e só terminou em 1832, quando o Duque de Wellington finalmente percebeu que havia algum perigo para o público em manter animais no local, e ordenou que os bichos remanescentes se mudassem para o Jardim Zoológico de Londres.

Claro, isso não impediu os brincalhões de zoar os londrinos. O que eles fizeram, eventualmente, foi começar a enviar as pessoas para o zoológico, em vez de para a Torre de Londres. Até hoje. [KN]

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