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A prova de resistência tão difícil que apenas 14 pessoas a concluíram em 30 anos

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A Maratona Barkley 100-Mile (“Barkley 100 milhas”), realizada anualmente perto de Wartburg, em Tennessee, nos EUA, é considerada uma das ultramaratonas mais desafiadoras do mundo.

É tão difícil que apenas 14 pessoas de cerca de 1.100 participantes já conseguiram concluí-la desde a sua inauguração, em 1986. Isso é apenas duas a mais que o número de pessoas que caminharam na lua.

A corrida, que alguns dizem que possui realmente 130 milhas (209 quilômetros) ou mais, tem uma elevação acumulada de mais de 18 mil metros – o equivalente a escalar o Monte Everest duas vezes, a partir do nível do mar.

A maratona consiste em um circuito de 32 km em torno de um curso montanhoso que os participantes precisam completar cinco vezes. As voltas três e quatro precisam ser executadas na direção oposta, e a direção da volta cinco é de escolha do corredor.

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Corredores experientes que procuram algo menos radical podem optar fazer a volta apenas três vezes, uma espécie de minicorrida dentro da Barkley chamada de “Fun Run” (“corrida da diversão”, em português).

Para piorar a situação, tanto a Barkley 100-Mile quanto a Fun Run têm prazos muito rigorosos. A primeira deve ser concluída em menos de 60 horas, com um máximo de 12 horas por volta, enquanto a menor tem de ser concluída em 40 horas, com um limite de tempo de 13 horas e 30 minutos por volta.

Não há estações de ajuda médica ao longo da rota, e os corredores podem encher seus recipientes de água em apenas dois locais fixos. Os participantes não podem usar dispositivos de rastreamento GPS ou celulares para encontrar o caminho. Em vez disso, recebem uma apostila que inclui instruções da corrida, e só estão autorizados a usar um mapa da área e uma bússola. Além disso, têm que encontrar livros colocados ao longo do curso e rasgar a página correspondente ao seu número de corrida como prova de conclusão. Se uma página for perdida, o corredor é desclassificado.

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A Maratona Barkley é ideia de Gary Cantrell, que inventou a prova inspirado pela história do assassino de Martin Luther King Jr, James Earl Ray, que escapou de uma prisão nas proximidades. O homem somente pode cobrir oito milhas (12 km) depois de correr na floresta por 55 longas horas. Cantrell e um amigo que também gostava de caminhar na região aparentemente pensaram que poderiam fazer muito melhor, e foi assim que a corrida nasceu. O antigo presídio agora faz parte do curso da Barkley.

A corrida é limitada a apenas 35 participantes por ano, e as vagas enchem-se rapidamente no mesmo dia em que são abertas. Curiosamente, os potenciais corredores precisam não só atender a critérios de aptidão física rigorosos, como também tem que escrever uma redação sobre “Por que deveriam poder correr na Barkley”.

Até tentar descobrir como entrar na corrida é um desafio em si. “Não existe um site, e eu não publico a data ou explico como é possível se inscrever”, disse Cantrell. “Qualquer coisa que faça com que a maratona seja mais mentalmente estressante para os corredores é bom”.

Há relatos de Cantrell recusando ofertas de 1.000 dólares (mais de R$ 3 mil) de pessoas que queriam entrar na corrida. “Você não pode comprar a Barkley,” afirmou.

“Se você enviar a redação cinco minutos mais cedo, ele vai eliminá-lo”, disse Beverly Abbs, que completou três voltas no ano passado. “Nós tivemos que enviar o pedido à meia-noite no dia de Natal no fuso horário de Gary, e tivemos que descobrir qual era o fuso horário sozinhos”.

Cantrell aparentemente ama aplicar uma “tortura psicológica” sobre os requerentes e, muitas vezes, demora para enviar cartas de aceitação apenas para fazê-los pensar que falharam.

Nenhum dos corredores que participaram este ano foram capazes de completar a maratona. Na verdade, os organizadores tiveram que procurar o corredor final, que não fez check-in sete horas depois do prazo para a quarta volta. Ele finalmente apareceu antes de escurecer. “Eu fiquei um pouco confuso”, explicou, acrescentando que tinha tirado um cochilo de oito horas em uma montanha depois de se perder. “Algo aconteceu. Não foi sonolência. Eu não sei. Eu passei algum tempo pensando sobre o que isso pode significar e onde eu estava indo. Foi uma fronteira que não estava preparado para cruzar, e eu desisti”.

O engenheiro elétrico John Kelly, 30 anos, foi o único outro corredor este ano que completou três voltas antes de desistir. “Foi uma grande experiência”, disse. “A primeira volta foi divertida. A segunda também. Depois disso, realmente tudo começa a cair aos pedaços e você tem que ficar forte. Se qualquer coisa pequena dá errado em qualquer área, já era”. Kelly quer tentar de novo ano que vem, para ver se completa as cinco voltas.

Brian Robinson, 51 anos, falhou em suas duas primeiras tentativas na Barkley – em 2006 e 2007. Ele finalmente conseguiu concluí-la em 2008. Brett Maune, 34 anos, é a única pessoa a terminar a Barkley duas vezes – em 2011 e 2013.

Nenhuma mulher jamais completou a maratona de 100 milhas. Nove tentaram este ano, mas falharam. “As montanhas ganharam”, disse Cantrell, com orgulho, logo após o evento deste ano terminar. “Fiquei satisfeito com o resultado. É uma competição entre os seres humanos e as montanhas”

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E o “sadismo” de Cantrell fica ainda mais irritante quando descobrimos uma coisa: embora ele seja um ultramaratonista realizado, nunca esteve nem perto de completar sua própria corrida. [OddityCentral]

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