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Como perder a timidez

perder timidez

Apesar do nervosismo, das mãos tremendo, da ansiedade que toma conta de todo o corpo, às vezes é preciso enfrentar esse medo. De maneira forçada. Foi o que aconteceu com a vendedora L. L. C., que lida há dez anos com o público. “No começo, aceitei o emprego porque precisava, pois preferia não trabalhar em contato com o público”, conta. Chegando do interior com pouca idade, nos primeiros dias no emprego, ela tremia antes de atender um cliente. Com o tempo, acabou superando o medo no dia a dia.

Assim, como a vendedora não está sozinha, caso você sinta muita vergonha ou uma ansiedade excessiva na presença de outras pessoas, relaxe, você não está sozinho. Tudo isso é normal e pode até ser bom para a sua sobrevivência, mas quando esses sentimentos ficam fora de controle, é melhor procurar auxílio médico.

Atualmente, os tratamentos mais indicados para combater ansiedade crônica e a timidez são os que combinam medicação ansiolítica com psicoterapia. Esta última visa, entre muitas coisas, auxiliar a pessoa no resgate da autoconfiança necessária ao domínio das crises, por meio da consciência de si próprio e, por isso, dispensando o uso de medicamentos.

O médico e psicoterapeuta José Moromizato explica que o corpo reflete o que as pessoas pensam e sentem. Para ele, é imprescindível que cada um faça uma reflexão junto ao profissional de saúde a respeito da vida atual que leva antes de começar qualquer tipo de terapia. “Reconhecer se tem sido muito radical com as pessoas ou consigo mesmo, além de identificar se a ansiedade é tamanha que domina seus pensamentos e decisões, é um bom começo”, reconhece o especialista.

Transtorno comum

Apesar de ser mais comum nos homens, são as mulheres que, como sempre, procuram mais o auxílio de um especialista. “Ainda mais nos dias de hoje em que elas estão mais expostas, com novas responsabilidades”, reconhece o psicoterapeuta. Para se tornar, na realidade, uma doença esse sentimento deve ser persistente e irracional, fazendo com que a pessoa opte por um comportamento arredio, dificilmente se relacionando com outras pessoas.

A fobia social atinge perto de 15% da população e é considerado o terceiro transtorno psiquiátrico mais comum, principalmente nas grandes cidades. Além de trazer uma série de prejuízos para a vida das pessoas, como o isolamento, inadequação em relacionamentos amorosos e profissionais, a doença pode levar à depressão e às crises de pânico.

A ansiedade é uma sensação inerente ao ser humano e que o leva a tomar decisões, agir de forma a se defender do desconhecido. Os problemas começam quando essa sensação torna-se presente de maneira exacerbada, diminuindo o prazer de trabalhar ou estudar, além de comprometer os relacionamentos de modo geral. “É importante esclarecer que esse tipo de transtorno é essencialmente emocional e, mesmo apresentando tantos sintomas físicos, ele não mata, ao contrário da sensação que sente quem vive nessa crise eminente”, afirma Moromizato.

Riscos na adolescência

Segundo o psicólogo Henrique Castanho Di Lascio, todas as pessoas tem um pouco de timidez. Os níveis variam, mas sempre vai existir uma situação em que até uma pessoa extrovertida acaba se sentindo retraída. Mas, muitas vezes, os tímidos não são compreendidos. Diante disso, se calam ainda mais. O psicólogo cita o exemplo das crianças que são reprimidas, mas deveriam ser estimuladas. Com isso, se tornam retraídas em uma das fases mais importantes de seu desenvolvimento. Na juventude, este risco se torna ainda maior, segundo Di Lascio. “A vergonha na adolescência é ainda maior do que na infância”, conclui.

A vendedora L. já superou muito daquela ansiedade que sentia, mas o turbilhão de sentimentos confusos pode voltar quando precisa falar em público. Só de imaginar, sente aquele friozinho na barriga. Até hoje, ela não emite sua opinião sobre os diversos assuntos, ficando geralmente fico quieta na maioria dos lugares. Isso muda com o passar do tempo, quando vai conhecendo melhor as pessoas. “Ainda há determinadas situações em que fico retraída. Sempre foi assim, mas hoje convivo muito melhor com a minha timidez”, completa.

Segurança e autoconfiança

Investigar os tipos de comportamento que a pessoa desenvolve em sua personalidade, a partir da sua infância, e como eles afetam o seu corpo, gerando as doenças sempre foram o maior interesse do médico José Moromizato. “As contrariedades que enfrentamos no cotidiano, por exemplo, se forem reprimidas constantemente, não havendo oportunidade de expressá-las, acabam gerando distúrbios gastrintestinais e, até mesmo, problemas na coluna”, explica.

Medos não compensados, sensação de fracasso constante, conceitos e comparações com os irmãos que são feitas desde muito cedo, também podem levar o indivíduo a formar uma idéia negativa de si mesmo, contribuindo para uma baixa autoestima. Toda essa falta de segurança e autoconfiança pode criar tal complexo de inferioridade no tímido, que este caminhará lentamente para um quadro depressivo, ou interferirá em outras doenças, além de impedi-lo ao bem estar no convívio social.

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