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Afrodisíacos naturais realmente funcionam?

Para você em busca de um afrodisíaco natural perfeito, esqueça o chifre de rinoceronte que você guarda no armário do quarto e o pênis de tigre que você tanto custou a encontrar – eles não funcionam mesmo. A boa notícia, porém, é a de que cientistas descobriram propriedades afrodisíacas em especiarias e ervas comuns.

Pesquisadores da Universidade de Guelph, em Ontário, Canadá, realizaram uma extensa revisão de dezenas de estudos sobre várias plantas e produtos de origem animal que teriam ter poderes afrodisíacos: desde um líquido excretado pelo intestino da baleia cachalote (você não quer mais detalhes, ok) até a mosca espanhola (que não é espanhola e nem mesmo uma mosca, mas essa é a verdade por trás dos chamados afrodisíacos).

As substâncias com maior potencial – e, coincidentemente, as mais saborosas – dentre as apontadas é o ginseng coreano e o açafrão. A ioimbina, feita a partir da casca da árvore yohimbe do Oeste Africano, também ajudou na função sexual em nove estudos realizados ao longo das últimas duas décadas. Porém, os efeitos colaterais da ioimbina incluem convulsões e morte – não o tipo de rigidez procurada no caso.

A Noz-moscada, o cravo, o alho e o gengibre também foram pelo menos moderadamente eficazes em estudos animais. Estes resultados vão aparecer na próxima edição da revista “Pesquisas de Comida Internacional”.

Um afrodisíaco é uma substância que aumenta o desejo sexual, ou libido. Alguns especialistas em sexualidade humana estendem essa definição para incluir a capacidade que um produto químico tem de aumentar o prazer sexual.

Respeitando a definição mais restrita, não se conhecem afrodisíacos naturais. Viagra e Cialis são drogas sintéticas e, mesmo assim, os medicamentos não aumentam a libido. O desejo sexual da pessoa já deve existir para que as drogas tenham efeito.

Se você pensou em álcool, esqueça. Tudo que ele faz é – justamente o contrário – só reduzir a inibição sexual e, consequentemente, piorar o desempenho sexual. O ecstasy pode aumentar a sensação tátil e, assim, aumentar o prazer sexual, sim. Porém, assim como o álcool, a droga pode prejudicar a ereção e retardar ou diminuir o orgasmo para ambos os sexos.

A psicanálise, por mais sexy que (não) soe, é o tratamento mais comum para a baixa libido, principalmente quando ligada à depressão ou outros distúrbios psicológicos.

As propriedades afrodisíacas do açafrão foram primeiro testadas em ratos – como se roedores tivessem dificuldade em copular… Descobriu-se que o extrato de açafrão aumenta a frequência de ereção em ratos. Estudos de acompanhamento em homens com disfunção erétil humana revelou que o açafrão até é, mas não tão bom quanto o Viagra, por exemplo. A ausência de efeitos secundários, no entanto, incentiva ao estudo mais aprofundado do tema.

O ginseng panax – vendido como ginseng em embalagens vermelhas, caso seu coreano não seja muito bom e você tenha de recorrer à cor para encontrá-lo – efetivamente trata a disfunção erétil em seres humanos, segundo vários estudos. O ginseng também melhora o desejo e a excitação sexuais tantp em homens quanto em mulheres, aumentando as possibilidades de que o ginseng seja oficialmente reconhecido como o primeiro afrodisíaco legítimo natural. Mais pesquisas ainda são necessárias, no entanto.

O ginseng funciona da mesma forma que o Viagra, relaxando os músculos e melhorando o fluxo sanguíneo para a região genital.

A maioria dos alimentos ditos afrodisíacos é fruto da crendice popular. Alguns são inofensivos: ostras são ricas em zinco, necessário à produção de espermatozoides, e possui alto teor de ácido D-aspártico e N-metil-D-aspartato, que podem aumentar os níveis de testosterona. O chocolate tem feniletilamina e serotonina, substâncias químicas que acionam as zonas de prazer no cérebro. Isto não significa – e não há estudos que demonstrem – que ele aumente o desejo sexual.

Por outro lado, muitos desses falsos afrodisíacos são perigosos – tanto para o consumidor quanto para o animal fornecedor do produto. Por exemplo, a mosca espanhola é um besouro que contém suco cáustico ácido que provoca uma sensação de ardor ou inchaço no trato urinário interpretada como estimulação sexual. Ledo engano.

Antes de recorrer a substâncias exóticas, considere melhorar sua saúde. Conforme relatado na Revista Americana de Medicina, a disfunção erétil é altamente correlacionada com uma saúde física pobre e inatividade: mais de 50% dos diabéticos, 44% das pessoas com pressão arterial elevada e 26% dos indivíduos que assistem três ou mais horas de televisão por dia tem dificuldade para conseguir uma ereção “às vezes” ou até mesmo “sempre”.

Os “efeitos colaterais” da dieta e do exercício incluem maior auto-confiança – o que pode ser o melhor afrodisíaco de todos.

Um comentário

  1. Trocando em miudos qual é a erva que atua nas disfunções eréticas.

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