Dando asas à informação

Gulabi, a gangue cor-de-rosa de indianas que lutam contra o verdadeiro mal

As mulheres de Bundelkhand, em Uttar Pradesh, na Índia, não precisam que super-heróis venham ao seu socorro.

Elas têm um próprio clã, a gangue Gulabi, para lutar por si mesmas em tempos de angústia. Seus membros são vigilantes que vão acima e além das funções de cidadãos para combater o crime.

Uniforme: um sari rosa. Arma de escolha: a lathi, uma vara de combate tradicional indiana. Sexo: feminino apenas.

Gulabi significa “a cor rosa pink”. Segundo o grupo, a cor foi escolhida porque denota a cor da vida. Usar uma única cor também torna mais fácil para os membros se identificarem, já que em tumultos elas podem se perder.

Mais de 10.000 mulheres com 22 a mais de 50 anos compõe o grupo, que não só luta pela justiça, mas também oferece oportunidades de emprego para outras mulheres na região.

E porque é preciso ter uma “gangue” para ajudar as pessoas em Bundelkhand? Essa aérea superpovoada é palco de guerras diárias contra um sistema de aplicação da lei corrupto, terras inférteis e o sistema opressivo da hierarquia de castas.

O banditismo é um problema em particular. Disputas na região são frequentemente resolvidas através de balas. A rainha do banditismo na Índia, Phoolan Devi, já operou na região pessoalmente. É neste ambiente agressivo, onde a vida é nada menos que brutal, que a gangue Gulabi vem realizando suas operações nos últimos dois anos.

Em sua curta existência, o grupo já enfrenta acusações de tumultos, de atacar funcionários do governo, de reunião ilegal e de obstrução da justiça. Mas os moradores não sentem nada, a não ser gratidão pelos serviços prestados pela “quadrilha”.

Sua líder, Sampat Pal Devi, 47 anos de idade, é muitas vezes comparada com a figura lendária indiana de Rani Laxmibai, Rainha de Jhansi. A maioria das mulheres no bando são dalits (considerada a casta mais baixa indiana, ou “os intocáveis”), e é por esta comunidade que elas precisam lutar mais.

Meses atrás, após o estupro de uma mulher dalit por um homem de uma casta superior em Uttar Pradesh, a polícia sequer registrou o caso. Moradores que protestavam foram presos. A gangue buscou justiça, e, sob a orientação de Sampat Pal Devi, invadiu a delegacia de polícia.

Elas exigiram que os aldeões fossem liberados e uma acusação fosse registrada contra o ofensor. Quando o policial se recusou a cumprir tal pedido, a quadrilha atacou com suas lathis. Um inquérito de alto nível está em andamento agora.

No entanto, o ataque mais ousado que as damas de rosa já fizeram até agora foi o sequestro de um caminhão carregado com alimentos destinados aos pobres, que estava sendo entregue na verdade a funcionários corruptos.

Tudo começou quando o grupo Gulabi recebeu denúncias que uma loja local executada pelo governo (como uma assistência social) tinha parado a distribuição regular de grãos. Sampat Devi e seus seguidores investigaram a questão, mantendo uma estreita vigilância sobre o proprietário da loja. O caminhão foi interceptado em seguida, e provas de corrupção foram fornecidas à administração local.

Enquanto as façanhas “violentas” da quadrilha atraem a atenção da mídia, o grupo não é limitado a tais atividades. Segundo Sampat Devi, “a palavra gangue não denota necessariamente criminosos. Ela também pode ser usada para descrever um grupo. Somos uma gangue pela justiça”. [OddityCentral]

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