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Homem completa jornada épica de 26 anos e 894.000 quilômetros por todo o mundo em um carro inquebrável

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Quando Gunther Holtorf partiu para uma viagem à África em 1988, não tinha ideia da jornada que tinha começado.

O alemão acabou percorrendo 894.000 quilômetros, abrangendo 215 países em seu carro velho (e inquebrável), um Mercedes Benz G Wagon apelidado de “Otto”. Isso é o equivalente a fazer duas viagens da Terra à Lua, e ainda sobra quilômetro.

Tudo começou 26 anos atrás, quando Gunther encerrou seu serviço de 30 anos na companhia aérea Lufthansa, conheceu sua quarta esposa Christine, e decidiu cair na estrada com ela.

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Eles partiram de sua cidade natal na Baviera a caminho da África. Depois de dirigir mais de 99.780 quilômetros por todo o continente e sofrer cinco episódios de malária, o casal decidiu continuar desbravando o mundo.
Eles tiraram os dois bancos traseiros do carro, o substituíram por um colchão e espaço para armazenamento de roupas, alimentos, ferramentas, peças de reposição e utensílios.

Em seguida, iniciaram uma viagem que passou pela América do Sul, América do Norte, Ásia, Austrália e Europa, com Otto aguentando firme por onde quer que eles fossem.

O casal conseguiu pagar suas aventuras utilizando o pouco dinheiro que tinham guardado. “Um patrocínio sempre foi oferecido, mas um patrocínio nunca é de graça”, explicou Gunther. “Eu não ia para hotéis ou restaurantes. De modo nenhum. Nós comprávamos em mercados locais e preparávamos nossa própria comida”.

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“Eu conheci muitas pessoas que disseram que queriam fazer o que fizemos, mas quando discutimos detalhes, muitos responderam que precisavam de seu café quente de manhã, um banheiro privado e um jornal”, adiciona.

Gunther e Christine não estavam “turistando”. Às vezes, viviam em condições muito miseráveis. Eles não tinham telefones celulares, blogs, Facebook ou Twitter para documentar sua jornada épica. Apenas sua vontade de conhecer o máximo do planeta que pudessem.

Quando Christine faleceu de câncer em 2010, Gunther decidiu seguir em frente, com seu retrato pendurado no espelho retrovisor de Otto. Oficialmente, eles só haviam casado duas semanas antes de sua morte. “Ela me pediu para continuar, não me esquecendo dela”, contou Gunther.

Poucos meses depois, o filho de Christine se juntou a Gunther em uma longa viagem para o Sri Lanka, China e Coréia do Norte. Em 2012, Gunther encontrou um novo companheiro, Elke Dreweck, que tirou um ano de folga e se juntou a ele em uma viagem ao Japão.

Gunther, agora com 77 anos, finalmente terminou sua longa turnê no Portão de Brandenburgo, em Berlim, antes de voltar para casa na Baviera. “Quanto mais você viaja, mais percebe o quão pouco já viu”, disse ele em seu retorno.

E as glórias da viagem, insiste o alemão, são de Otto. “O carro é especial. Otto é o veículo que mais viajou na Terra”.

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Passando por 410 fronteiras, milhares de quilômetros em estradas de terra, 41 contêineres no oceano e 113 ferries, Otto suportou temperaturas tão baixas quanto -27 graus Celsius na Sérvia e tão elevadas quanto 50 graus Celsius perto de Alice Springs, na Austrália. Chegou até o acampamento na base do Monte Everest, 5.200 metros acima do nível do mar.

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Otto é uma celebridade em seu próprio direito. Além da suspensão reforçada, o carro é completamente padrão e ainda tem todas suas peças originais, incluindo motor e câmbio.

Seu lugar de descanso final será o Museu da Mercedes-Benz, em Stuttgart, Alemanha. “Não é sobre mim ser lembrado”, Gunther argumentou. “Eu quero que Otto seja lembrado, assim como minha falecida esposa. O carro pertence a um museu. O carro vai continuar a viver – é isso o que eu quero”. [OddityCentral]

Um comentário

  1. Eles fizeram uma verdadeira “odisséia”; incrível. Fazer tal viagem é privilégio de poucos. CARPE DIEM!

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