Dando asas à informação

Nove tesouros perdidos – e por que a ciência os quer de volta

De rochas lunares roubadas a pele de um monstro do mar, muitos dos tesouros mais intrigantes da ciência simplesmente desapareceram. E, enquanto seria muito legal ter a pele de um monstro do mar ou uma rocha lunar, o verdadeiro motivo para encontrá-los é responder a perguntas importantes sobre a vida na Terra – e fora dela!

1 – Maxberg Archaeopteryx

Fósseis não parecem interessantes, mas o carisma e mistério do desaparecido Maxberg Archaeopteryx é um caso a parte. Quando o dono do esqueleto de uma ave morreu, em 1991, o fóssil desapareceu.

Apenas 11 fósseis de esqueletos de Archaeopteryx razoavelmente completos já foram descobertos, o que torna a perda da amostra Maxberg ainda mais trágica. Seus ossos estabeleceram que as aves descendem de dinossauros predadores de duas pernas, e se pudéssemos estudar o fóssil hoje, ele poderia responder a outras grandes questões.

A história do espécime Maxberg começa em 1956, quando dois pedreiros da Alemanha tropeçaram em um fóssil que não conseguiram identificar. Dois anos mais tarde, o proprietário da pedreira Eduard Opitsch emprestou o fóssil a um geólogo que, em conjunto com um paleontólogo, discerniu as impressões de penas leves e percebeu que era um Archaeopteryx.

Esse foi apenas o terceiro espécime reconhecido, revelando pela primeira vez que o Archaeopteryx tinha ossos ocos que tornam as aves modernas leves o suficiente para voar. E a orientação de seus ossos do quadril identificou que dinossauros eram os ancestrais das aves modernas.

Rabugento que só ele, Opitsch recusou acesso a seu espécime. Ele morreu aos 91 anos e o fóssil nunca foi encontrado. Então o que aconteceu? É possível que Opitsch o tenha vendido, mas não há nenhuma evidência para apoiar isso. Roubo é possível. Outros sugeriram que Opitsch o escondeu, ou poderia ter enterrado o fóssil com ele.

A tecnologia disponível quando o fóssil foi estudado era limitada. Muitos mais segredos poderiam ser revelados se o espécime fosse estudado hoje.

2 – Monstro do mar perdido

Apesar de séculos de avistamentos, nenhum monstro do Lago Ness ou serpentes do mar foram encontrados. Mas em 1600, surgiu a amostra de uma criatura estranha de pescoço comprido.

No final do século 17, o botânico Neemias Grew publicou um catálogo de esquisitices. O livro, chamado “Musaeum regalis societatis”, contém a primeira descrição científica de uma pele pertencente a uma espécie de “foca” muito incomum. Ele escreveu que a amostra “diferia, principalmente, no comprimento do pescoço, pois, de seu nariz a suas patas dianteiras, e daí a sua cauda, são a mesma medida” de uma foca.

Ninguém nunca mais viu essa pele. Será que focas-girafa realmente existem? A ideia persiste, mas agora está relegada a criptozoologia, a busca por espécies semimíticas.

3 – Rochas lunares roubadas

Em peso, as rochas lunares coletadas durante as missões Apollo valem muito mais do que diamantes, além de um inestimável valor histórico.

Mas nem todas são devidamente contabilizadas. É por isso que Joseph Gutheinz, um investigador da NASA, passou boa parte de sua carreira rastreando rochas lunares que desapareceram. E há um grupo particular de rochas lunares que Gutheinz está ansioso para recuperar.

As amostras de Apollo chegam a cerca de 382 quilos. A grande maioria é armazenada com segurança máxima numa localidade da NASA em Houston, Texas.

Mas após o primeiro desembarque do Apollo 11 em 1969, o então presidente dos EUA Richard Nixon presenteou 135 nações, estados e territórios com placas incorporadas com poeira lunar.

Em 1972, Nixon presenteou mais lugares com uma nova rodada de placas, cada uma com um fragmento recolhido pela tripulação da Apollo 17. A NASA considerou cada amostra propriedade do povo das nações e dos estados para os quais foram dadas – mas muitas placas foram roubadas ou perdidas.

Usando operações secretas e outros recursos, Gutheinz conseguiu recuperar algumas placas roubadas. Ele já localizou 77, mas cerca de 160 ainda estão desaparecidas. Algumas foram roubadas de museus. Outras foram levadas pelos políticos. A placa romena, por exemplo, foi leiloada a partir do executado ditador Nicolae Ceausescu.

Gutheinz suspeita de que muitas pessoas que adquiriram as rochas subestimaram sua raridade. Uma delas, de West Virginia, estava relegada a uma caixa na garagem de um dentista aposentado.

4 – Homem de Pequim

Em setembro de 1941, Hu Chengzhi colocou vários crânios em duas caixas de madeira. A China estava em guerra com o Japão, então ele resolveu enviando os crânios para os EUA – mas eles nunca chegaram.

Hu está entre as últimas pessoas que viu um dos achados paleontológicos mais importantes da história. Os crânios perdidos pertenciam a Homo erectus pekinensis, conhecido como o Homem de Pequim.

Mais de meio século depois, os biólogos evolucionistas ainda choram o leite derramado. Os fósseis não só ajudariam a responder perguntas sobre canibalismo primitivo entre os nossos antepassados, como podiam lançar luz sobre as origens da linguagem falada.

Os indivíduos cujos crânios desapareceram morreram, pelo menos, meio milhão de anos atrás, e seus restos foram preservados na caverna de Zhoukoudian perto de Pequim, antes de serem descobertos na década de 1920.

Na época, eles eram os mais antigos fósseis de hominídeos já encontrados, e os céticos alegavam que outros fósseis javaneses semelhantes pertenciam a macacos deformados. Esses ossos claramente representavam uma fase inicial da evolução humana. Seus proprietários utilizavam ferramentas, e foram os primeiros detentores conhecidos do fogo.

Muitas pessoas mantêm a esperança de que os fósseis sejam encontrados. Alguns acreditam que eles estão enterrados na Embaixada Americana em Pequim, enquanto outros pensam que eles podem estar escondidos em algum lugar nos EUA, Japão ou Taiwan, ou descansando no fundo do mar no naufrágio do navio japonês Awa Maru.

Uma mulher americana afirmou ter uma caixa cheia de caveiras que seu marido trouxe para casa após a guerra. Ela exigiu US$ 500.000 (R$ 860.000) pela entrega, mostrou uma foto da caixa a um corretor americano, e desapareceu.

5 – Fogo grego

Essa foi uma das armas mais terríveis já feitas. Mas os ingredientes secretos e tecnologia necessários para tornar a substância real derrotam mentes científicas desde o século 12.

O fogo grego era uma mistura disparada de navios do império bizantino do século 7. O fogo se apegava à carne e era impossível de ser extinguido com água. Esta mistura mortal foi criada por uma família de químicos e engenheiros de Constantinopla, e a receita secreta morreu com eles.

John Haldon, da Universidade de Princeton, tem um palpite: ele suspeita que o fogo era um líquido à base de petróleo modificado para aumentar a sua potência. Ele acha que os principais ingredientes eram um petróleo altamente inflamável chamado nafta e resina de pinheiro, que é pegajosa e teria tornado a mistura mais quente.

Mas há mistério no fogo grego do que seus ingredientes. “Quando os inimigos capturavam elementos do equipamento, eles simplesmente não eram capazes de descobrir como usá-lo para recriar os mesmos efeitos”, explica Haldon.

Historiadores tiveram o mesmo problema, mas deduziram que uma bomba de bronze provavelmente pressurizava o óleo aquecido, que era então ejetado através de um bocal e inflamado. Em 2002, uma reconstrução para um programa de TV da National Geographic usando uma mistura de petróleo leve e resina de pinheiro destruiu um navio em questão de minutos.

6 – Banco de sementes soviético

Em 1943, um esquadrão de elite nazista invadiu institutos de ciência espalhados pela Ucrânia e Criméia para recuperar o que Hitler acreditava que seria a chave para a conquista do mundo.

Armas? Naves? Não. Os nazistas estavam saqueando sementes da planta. Se soubéssemos exatamente o que aconteceu com essas sementes desde a guerra, poderíamos fechar o capítulo de um dos maiores atos de biopirataria na história.

O botânico soviético Nikolai Vavilov reconheceu que o cultivo de alimentos suficiente para alimentar o povo de um império conforme ele se expandia através de diversos terrenos e climas exigiria muitas variedades de plantas.

Na década de 1930, ele tinha reunido uma coleção de 250.000 amostras de sementes e plantas em seu instituto em Leningrado. Ele também criou coleções em estações de pesquisa em toda a União Soviética.

Enquanto a coleção principal permaneceu segura durante a invasão alemã em 1941, biopiratas nazistas tomaram o controle de cerca de 200 estações de campo. Durante a retirada alemã em 1943, muitos dos espécimes roubados foram trazidos de volta para a Alemanha.

Os registros são imprecisos, mas uma comissão soviética alegou que 40.000 amostras foram destruídas ou perdidas durante a guerra. Enquanto muitas provavelmente foram absorvidas pelas coleções de institutos alemães, algumas ainda estão desaparecidas e podem ter terminado na Suécia, Argentina, Inglaterra, etc.

7 – Nave da NASA

Muitas naves espaciais nunca mais serão vistas novamente, ficando à deriva no espaço exterior ou enterradas em um mundo alienígena.

Mas uma nave ainda tem chance de ser descoberta – e você pode procurá-la se quiser. Em algum lugar no polo sul de Marte, a “Mars Polar Lander” da NASA está acumulando camadas de gelo e poeira.

No início de 1999, o veículo foi enviado para estudar o clima marciano e buscar evidências de água congelada. Quando chegou, os cientistas esperavam sinais de que havia pousado com segurança, mas não ouviram nada. Eles concluíram que um defeito no software de propulsão havia feito a nave pousar muito cedo.
Em 2008, cientistas recrutaram o público para procurar a nave em imagens de alta resolução da área, tiradas pela câmera HiRISE, a bordo da sonda “Mars Reconnaissance Orbiter”. Ninguém ainda a encontrou.

8 – Espada poderosa

Há muito tempo atrás, europeus voltaram para casa armados com lâminas de guerreiros islâmicos que dobravam 90 graus e se flexionavam para trás, sem danos.

Eles chamaram a arma de Aço de Damasco. Apesar de séculos de avanços na ciência dos materiais, exatamente como essas espadas islâmicas são criadas ainda é desconhecido.

Ferreiros europeus na época sabiam que as lâminas eram forjadas de aço cadinho – criado pela fusão de ferro com matéria vegetal, mas foram incapazes de replicar a nitidez, a flexibilidade e as distintivas marcas onduladas da arma.

Pesquisadores demonstraram que somente tipos específicos de aço cadinho, contendo elementos como o vanádio, dariam o padrão certo a superfície da espada. Em 2006, pesquisadores estudaram a arma com um microscópio eletrônico e descobriram que sua força vem provavelmente de nanotubos de carbono e nanofios feitos de um mineral chamado cementita. Estruturas similares dão a materiais modernos sua força. No entanto, a receita exata da espada ainda permanece um mistério.

9 – Árvores lunares

De todas as espécies na Terra, qual visitou a lua em maior número? Não foram os seres humanos. As bactérias podem entrar na briga, mas as árvores ainda têm mais chances de ganhar.

Você deve pensar que nós sabemos onde essas árvores que visitaram a lua estão crescendo agora, mas… não.

Em 1971, cientistas do Serviço Florestal dos EUA estavam curiosos para ver se uma viagem no espaço afetaria o crescimento das sementes. O astronauta da nave Apollo 14 Stuart Roosa levou cerca de 500 sementes, entre elas de pau-brasil, a lua.

Ao retornar, quase todas as sementes germinaram. Estas árvores foram dadas como presentes a estados dos EUA, e para países como a Suíça, Brasil e Japão. Mas ninguém manteve um registro de onde elas foram plantadas.

O funcionário da NASA David Williams decidiu encontrá-los. Ele localizou mais de 80, quase 65 delas ainda vivas, em 22 estados dos EUA e no Brasil. Uma árvore lunar pode muito bem estar crescendo em um jardim perto de você.[NewScientist]

Um comentário

  1. moro em bagérs , aqui na URCAMP (universidade) tem uma pedra lunar , presente do presidente MEDICE !!

Comente

Your email address will not be published. Required fields are marked *