Dando asas à informação

O James Bond da vida real nasceu em 1517 e era espião da rainha Elizabeth

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John Dee era um filósofo, cientista e ocultista do século 16 que serviu na corte de Elizabeth I. Envolvido em numerosas missões de espionagem para a rainha, ele assinava seus relatórios e correspondências com a insígnia “007”. Isso faz de Dee o antecessor do superespião James Bond, de Ian Fleming.

Em seu tempo, John Dee (1527-1608) foi considerado um mágico e um gênio cujos interesses variavam de matemática a cartografia e cálculo. Ele também estudou as artes ocultas da alquimia, astrologia e a Cabala.

O conhecimento de Dee em geografia fez dele um conselheiro valioso para exploradores famosos como Raleigh, Gilbert e Frobisher. Numa altura em que a teoria de Copérnico era controversa, Dee apoiou a ideia de um sistema solar heliocêntrico.

Ele também acumulou uma biblioteca privada de milhares de volumes dedicados à filosofia, ciência e esoterismo. Em comparação, a biblioteca da Universidade de Cambridge tinha míseros 451 livros e manuscritos na época.

Foi o conde de Leicester que introduziu Dee à princesa Elizabeth, pouco antes de sua ascensão ao trono. Dee foi rapidamente promovido a astrólogo da corte. Foi ele quem escolheu a data mais favorável para a coroação de Elizabeth, 15 de janeiro de 1559.

A rainha ficou tão impressionada com Dee que visitou pessoalmente a sua grande biblioteca. Dee começou a realizar missões secretas no serviço secreto de Sua Majestade, e 007 foi a insígnia usada para seus comunicados. Os zeros simbolizavam os olhos de Dee, os olhos secretos da rainha, e o sete foi escolhido por ser um número sagrado da cabalística, que traz sorte.

Dee frequentemente viajava para capitais europeias para recolher informações e enviá-las para Sir Francis Walsingham, chefe do serviço secreto de Elizabeth.

Quando a armada espanhola se aproximava ameaçadoramente através do Canal, foi Dee quem aconselhou a Inglaterra a não se envolver diretamente. Ele havia previsto tempestades ferozes que devastariam a poderosa frota, e disse aos ingleses para esperarem. De fato, tempestades condenaram os espanhóis como Dee havia previsto, e alguns especularam que foi o próprio “mágico” que as criou.

Infelizmente, o status de John Dee como um matemático e cientista foi ofuscado por sua reputação como ocultista e, em particular, por sua relação com um charlatão chamado Edward Kelly.

Kelly alegou ser um “vidente” ou médium, e ele e Dee supostamente tiveram inúmeras conversas com inteligências extraterrestres. Também inventaram uma nova linguagem chamada “enoquiana”, que foi supostamente ditada a Kelly em um transe. O Sacro Imperador Romano Rodolfo II acolheu-os em sua corte em Praga com o entendimento de que, como alquimistas, eles podiam produzir ouro a partir de metais comuns.

Em seus últimos anos, John Dee entrou para o círculo de escritores, cientistas e filósofos elizabetanos talentosos. Ele pode ter conhecido o dramaturgo Christopher Marlowe, e sido a inspiração para sua peça “A Trágica História do Doutor Fausto”. Também é provável que Dee tenha sido o modelo para o feiticeiro Próspero, personagem de “A Tempestade” de Shakespeare.

Ao contrário de seu sucessor fictício James Bond, Dee nunca matou ninguém. Além disso, Bond só teve um breve casamento, enquanto Dee foi três vezes casado e teve cerca de 11 filhos. Em sua morte, Dee deixou para trás muitos trabalhos acadêmicos e manuscritos inéditos, evidências do gênio que estava muito à frente de seu tempo, em diferentes aspectos. [KnowledgeNuts]

Um comentário

  1. muito bom

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