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Poderes sobrenaturais? 9 previsões históricas

A ideia de usar poderes sobrenaturais para prever o futuro parece coisa de filme de ficção científica, mas é na verdade muito, muito antiga. Líderes mundiais, desde a antiguidade até o século 20, foram muitas vezes o centro dessas previsões. Confira:

1 – Wu Ding: “Haverá calamidades”

Cerca de 3.200 anos atrás, um rei chinês chamado Wu Ding analisou as rachaduras que apareceram em ossos de animais e previu que seu próprio reino sofreria “calamidades”. Quando esta previsão se tornou realidade, ele mandou gravar os resultados em um pedaço de escápula (foto) de um gado.

Hoje, essa escápula é um dos cerca de 150.000 exemplos do que chamamos de ossos oraculares. Na época da Dinastia Shang, na China, era esperado que os governantes fossem capazes de prever o futuro através da análise de rachaduras que aparecem quando você aplica calor a uma escápula de gado ou plastrão (casco) de tartaruga. Um registro da adivinhação, então, era inscrito neles.

No caso de Wu Ding, ele afirmou prever que “haverá calamidades; haverá (alguém) trazendo notícias alarmantes”. Ele continua a dizer que esta adivinhação se tornou realidade com um oficial informando que dois grupos inimigos os atacaram.

2 – Antíoco VIII: Júpiter e o trono

Em 121 a.C., Antíoco VIII tornou-se o único governante do Império Selêucida ao condenar sua própria mãe, Cleópatra Téia, à morte. Ela era uma figura dominadora que dividiu o trono com o rei e já havia assassinado seu irmão.

O Império Selêucida era baseado em Antioquia, no sudeste da Turquia, e tinha estado em declínio por algum tempo. Perto do início de seu reinado, Antíoco cunhou uma moeda enigmática com Zeus segurando um cetro na mão esquerda e uma figura estelar pairando à sua direita.

Uma pesquisa recente de Robert Weir, professor da Universidade de Windsor, no Canadá, sugere que esta estrela era na verdade Júpiter, e a moeda representa uma hora do dia 17 de janeiro de 121 a.C. quando o planeta foi bloqueado pela lua. Este evento aconteceu pouco antes de Antíoco tomar a decisão de matar sua mãe e tomar o controle do trono.

Weir sugere que essa ocultação de Júpiter pode ter sido interpretada como um bom presságio para Antíoco. “Isso significa que pode haver um grande rei a vir, ou nascer, na Síria”, explica.

3 – Creso: “Ele destruirá um grande império”

Mais de 2.500 anos atrás, Creso era um rei da Lídia, império rico localizado na moderna Turquia, que foi o primeiro no mundo a cunhar moedas. Mas, enquanto Creso tinha muito ouro, sua situação política era precária.

Para o leste, os persas sob Ciro, o Grande, estavam crescendo em poder, capturando território em todo o Oriente Médio. Creso decidiu tomar a iniciativa e atacar os persas primeiro, antes de ser atacado.

Segundo a lenda, ele consultou o Oráculo de Delfos (Pítia) e perguntou se essa era uma boa ideia. O oráculo respondeu que, se o rei se dirigisse para a guerra, “destruiria um grande império”.

A guerra terminou em desastre. A batalha travada no rio Halys terminou em impasse e Creso decidiu dissolver seus exércitos, esperando que os persas fizessem o mesmo. Ciro, no entanto, não o fez. Ao contrário, perseguiu o rei lídio, e capturou-o em Sardis. Um grande império havia sido destruído – o de Creso.

4 – Daniel: ascensão de Alexandre, o Grande

Daniel era um jovem judeu exilado em Babilônia na época do rei Nabucodonosor II, no século VI a.C. O Livro de Daniel (parte da Bíblia Hebraica) discute seu tempo lá.

Uma história fala de uma visão que ele teve em que Babilônia era controlada pelos persas até que um rei da Grécia (presumivelmente Alexandre, o Grande) os vencia.

“Agora, então, eu vos digo a verdade: mais três reis se levantarão na Pérsia, e depois um quarto, que será muito mais rico que todos os outros. Quando ele ganhar força por sua riqueza, vai agitar todos contra o reino da Grécia. Em seguida, um rei poderoso irá surgir, que vai governar com grande poder e fazer o que quiser. Depois que ele surgir, seu império será dividido e parcelado para os quatro ventos do céu… “(De Daniel 11:2, Nova Versão Internacional).

Esta história é citada por estudiosos bíblicos que argumentam que o Livro de Daniel deve ter sido escrito algum tempo depois da morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C.

5 – Júlio César: idos de março

De acordo com o antigo escritor Suetônio, Júlio César foi avisado por uma vidente chamada Spurinna que sua morte viria, mais tardar, nos idos de março, no dia 15 do mês. César preferiu ignorá-lo.

“Ele entrou na câmara do Senado, zombando Spurinna por fazer previsões falsas, já que os idos de março chegaram e não trouxeram nenhum dano”, escreveu Suetônio, em “Vidas dos Césares” (Oxford University Press, 2001). “Spurinna, no entanto, respondeu que apesar de terem chegado, eles ainda não tinham ido embora”.

César tomou o seu lugar na câmara do Senado e o resto, como dizem, é história. (Júlio morreu em 15 de março de 44 a.C.).

6 – Adriano: o que foi Imperador

Adriano era o filho adotivo de Trajano, um imperador romano, e sucedeu-lhe após sua morte em 117 d.C. De acordo com um escritor (aparentemente) antigo chamado Aelius Spartianus, sua ascensão ao trono foi prevista por seu avô biológico Aelius Hadrianus Marullinus, um astrólogo ávido que é citado no manuscrito como sendo seu “tio”.

Depois de Adriano ser adotado por Trajano, “ele ouviu de um astrólogo a mesma previsão de seu futuro poder que tinha sido feita, como ele já sabia, pelo seu tio-avô, Aelius Hadrianus, um mestre da astrologia”, escreveu Spartianus.

Adriano consolidou o império, fortalecendo suas fronteiras a partir de territórios conquistados na Mesopotâmia e na Escócia.

7 – Nostradamus: morte de Henrique II

Nostradamus, o boticário do século 16, é muito possivelmente o vidente mais famoso de todos os tempos. Seus defensores afirmam que suas quadras enigmáticas previram uma série de eventos históricos, incluindo o Grande Incêndio de Londres e a ascensão de Adolf Hitler.

Já os céticos dizem que a imprecisão de suas previsões torna fácil de encaixá-las em diferentes momentos da história.

Uma de suas quadras mais famosas supostamente previu a morte do rei Henrique II da França em um torneio de justas. Tradução do francês (pode haver variações):

“O jovem leão vencerá o mais velho
Em um campo de combate, em uma única luta:
Ele perfurará seus olhos em sua gaiola dourada
Dois ferimentos em um, então falecerá em uma morte cruel”.

A profecia cumpriu-se 4 anos mais tarde, em 1559, quando Henrique, cujo emblema heráldico era de um leão, traçou uma luta amigável com um jovem oficial chamado Montgomery, capitão da Guarda Escocesa do Rei Francês. A lança de Montgomery atravessou acidentalmente a viseira do elmo dourado que Henrique usava (“jaula de ouro”), ferindo-o nos olhos e na garganta. O rei morreu após 10 dias de agonia.

8 – Tecumseh: terremoto de 1811

Tecumseh era um líder Shawnee, guerreiro e profeta que viajou ao redor do centro dos Estados Unidos tentando convencer os nativos americanos a resistir às tentativas de colonos americanos de molestar sua terra.

Segundo a lenda, ele fez um discurso em Tuckabatchee, um assentamento em Alabama, em que ele previu que um grande terremoto atingiria a região em breve.

“Você não acredita que o Grande Espírito me enviou. Você deve saber. Deixo Tuckabatchee e vou direto para Detroit. Quando eu chegar lá, vou pisar no chão e sacudir todas as casas em Tuckabatchee”.

A profecia se cumpriu. Em 16 de dezembro de 1811, um terremoto enorme centrado em Nova Madrid, no estado de Missouri, abalou os Estados Unidos com danos por todo o país.

9 – Queda de Napoleão III

A Fé Bahá’í foi fundada no século 19 por Bahá’u’llá, um persa cujos adeptos acreditam que era um mensageiro de Deus. Em 1869, com o imperador francês Napoleão III pronto para ir para a guerra com a Prússia, Bahá’u’llá escreveu para ele dizendo-lhe que seu desejo por guerra seria a sua ruína.

“Para o que tu fez, o teu reino será lançado em confusão, e o teu império passará das tuas mãos, como um castigo por aquilo que tu tem feito. Então tu saberás como tu tem claramente errado…”.

A previsão estava correta. Napoleão III foi derrotado e capturado na Batalha de Sedan em setembro de 1870. Então, em 28 de janeiro de 1871, Paris caiu após um cerco de cinco meses. No acordo que se seguiu, a França teve de ceder o território da Alsácia-Lorena à Alemanha recém-unificada e o governo de Napoleão III chegou ao fim.[LiveScience]

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