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Porque não conseguimos nos lembrar de quando éramos bebês?

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Cientistas, pais e nós mesmos já nos perguntamos por que não lembramos de nada do que aconteceu antes de nossos 3 anos de idade.

Não parece fazer diferença se um evento é importante ou não na vida da criança; a memória logo se afasta, e em poucos meses não há nem mesmo uma vaga lembrança desses nossos primeiros anos de vida.

Agora, um novo estudo mostra que a “amnésia infantil” pode ser devido ao rápido crescimento das células nervosas do hipocampo, a região do cérebro responsável por “armazenar” novas experiências na memória de longo prazo.

Enquanto os pequenos parecem se lembrar de eventos importantes por um curto período de tempo depois que eles ocorrem, perdem essas memórias conforme o tempo passa.

“Eles não podem formar memórias estáveis do que acontece nos primeiros anos”, explica um dos autores do estudo, Paul Frankland, do Hospital for Sick Children, em Toronto. “Eu tenho uma filha de 4 anos e sempre lhe pergunto sobre suas memórias de lugares que visitamos 2, 3 meses atrás. Fica claro que ela pode formar memórias com detalhes. Mas daqui a quatro anos, não vai lembrar de nada”.

Sempre houve uma suspeita de que o hipocampo tinha algo a ver com esse enigma, porque ele amadurece lentamente, e provavelmente não alcança um nível razoável até que tenhamos 3 ou 4 anos – um nível necessário para o armazenamento de longo prazo dessas memórias.

Frankland suspeitava de que as memórias até chegavam a ser arquivadas a longo prazo, mas que o hipocampo perdia a noção de onde elas estavam durante a fase de crescimento rápido que ocorre nos primeiros anos de vida.
Em palavras simples, conforme o hipocampo amadurece, um grande número de novos neurônios “aparecem” e precisam ser “colocados” em circuitos existentes. O cenário mais provável é que, durante essa reestruturação, o cérebro “esquece” onde armazenou as memórias.

Conforme essa expansão desacelera, o cérebro pode melhor acompanhar onde tudo é arquivado – por isso a memória de longo prazo fica melhor quando ficamos mais velhos.

Para testar sua teoria, Frankland usou ratinhos e diminuiu a velocidade com que novos neurônios eram formados nos seus hipocampos.

Normalmente, ratos bebês têm o mesmo problema com a memória a longo prazo que as crianças humanas – se você ensiná-los a percorrer um labirinto, depois de alguns dias eles esquecem de como encontrar o seu caminho. Mas com os neurônios sendo produzidos de forma mais lenta, os ratos foram capazes de formar memórias de longo prazo e lembrar-se do caminho do labirinto.

Parece um caso de sobrecarga do cérebro. O hipocampo tem duas funções: fazer uma espécie de gravação de cada evento e, em seguida, levar esse arquivo para o armazenamento de longo prazo, com “etiquetas” que permitam que a pessoa os recupere mais tarde. Com toda a energia gasta para fazer novos neurônios, o depósito não é feito corretamente.

Curiosamente, Frankland pode ter a chance de conferir a sua teoria em humanos em breve. Muitas crianças com câncer no cérebro recebem drogas que, como efeito colateral, retardam a geração de novos neurônios. “[Futuramente] Podemos verificar se o tratamento preserva memórias de coisas que aconteceram pouco antes da quimioterapia, assim como fez nos ratos”, diz ele.[NBC]

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