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[Série] 10 origens de personagens de desenhados animados famosos

Personagens de desenhos animados: eles nos encantam, nos fascinam, alegram nossa infância, mais tarde despertam boas lembranças… E, apesar de muitos serem mundialmente conhecidos, suas histórias, inspirações e origens não são tanto.

Com o Dia das Crianças chegando, vamos publicar uma série contando a história de 10 personagens de desenhado animado famosos, com dois personagens por vez. As informações sobre suas histórias foram reunidas pelo site Listverse durante um período de seis meses, através de pesquisas, vídeos, entrevistas, livros e outras fontes.

Para ver a primeira parte da série, clique aqui.

3 – Pernalonga

Produção: 30 de agosto de 1938 – 16 de junho de 1964
Inspiração: Clark Gable (ator) em Aconteceu Naquela Noite (filme de 1934)

Desfrutando de um crescente sucesso financeiro com o personagem Gaguinho, o produtor Leon Schlesinger queria introduzir novos personagens para suas séries Looney Tunes e Merrie Melodies, começando com Patolino e Hortelino Troca-Letras em 1937. Nessa época, o diretor Friz Freleng havia migrado para a MGM (mas voltaria dois anos depois) e seu substituto passou a ser o inexperiente Cal Dalton.

O esboço original de Cal para o Pernalonga mostra um personagem muito menos definido, com um nariz mais saliente e uma cauda de bola de algodão macia, muito diferente da figura que vemos hoje. A primeira aparição do personagem, em 30 de abril de 1938, trazia Gaguinho interagindo com um coelho maluco em uma trama muito parecida com a introdução de Patolino. O filme foi codirigido por Ben “Bugs” Hardaway, que mais tarde iria desenvolver o personagem com Bob Clampett e Tex Avery para aperfeiçoar sua aparência e personalidade (nessa época seu nome em inglês mudou de Happy Rabbit para Bugs Bunny).

Sua voz alta e riso característico foram guardados e utilizados pelo estúdio para criar o personagem Pica-Pau em 1940. Sendo assim, Pernalonga mudou de uma personalidade “maníaca” para uma mais relaxada e pensativa, estilosa, e capaz de conseguir tudo do seu jeito, como o personagem de Clark Gable em Aconteceu Naquela Noite.

O episódio A Wild Hare (O Coelho Selvagem), dirigido por Tex Avery e lançado em 27 de julho de 1940, foi a apresentação do novo Pernalonga, o primeiro em que Mel Blanc usou o que viria a ser a voz padrão do personagem, além de seu slogan “O que é que há, velinho?” (no original, “What’s up, Doc?”).

Essa frase característica do personagem foi escrita pelo diretor Tex Avery, baseada em sua juventude no Texas, onde o termo se tornou incrivelmente comum. De acordo com Chuck Jones, Friz Freleng e Bob Clampett, a imagem de um Pernalonga indiferente, mascando sua cenoura em pé, originou-se da cena de Aconteceu Naquela Noite em que Clark Gable se inclina durante a mastigação de cenouras cruas falando com a boca cheia. A fala acelerada e rabugenta do coelho e sua personalidade “sabe-tudo” também vêm do mesmo filme.

No original, sua voz é uma mistura de sotaques dos bairros de Bronx e Brooklyn, em Nova York, baseados no personagem de Gable que nasceu em Nova York (o personagem Pernalonga teria nascido no Brooklyn em 27/07/1940).

Tex Avery e Chuck Jones ainda desenvolveram o personagem durante muitos anos: Pernalonga ganhou e perdeu peso, altura e definição conforme os anos se passaram. Sua personalidade mudou pouco, entretanto. Além de Gable, também foi modelada a partir de Groucho Marx, comediante e ator estadunidense.

Por fim, Pernalonga se estabeleceu como um coelho “traquina” e cheio de ideias. Ele estrelou 167 curtas de animação para as séries Looney Tunes e Merrie Melodies até junho de 1964, quando o personagem foi aposentado. Nos anos 1980 e 90 apareceu em vários especiais, como o filme Uma Cilada para Roger Rabbit (1988) e ao lado de Michael Jordan em Space Jam: O Jogo do Século (1996).

No Brasil, Pernalonga foi dublado por várias pessoas. Os primeiros episódios do personagem, dos anos 40, não eram muito conhecidos no Brasil até somente os anos 90, quando foram dublados em sua maioria na Herbert Richers. Nessa época, a Rede Globo exibiu vários destes episódios, incluindo alguns em que o Pernalonga ainda aparecia na forma de “Happy Rabbit”, com uma personalidade mais louca.

4 – Tom e Jerry

Produção: 10 de fevereiro de 1940 – 1 de agosto de 1958
Inspiração: Primeira e Segunda Guerras Mundiais

William Hanna e Joseph Barbera eram produtores da equipe de Rudolf Ising nos estúdios MGM na década de 1930. A MGM queria se tornar rival de Leon Schlesinger Productions na Warner Brothers e Max Fleischer Studios na Paramount Pictures.

Apesar de ter adquirido Friz Freleng da Warner, seu primeiro projeto, intitulado The Captain and the Kids, não deu certo. Joseph Barbera e William Hanna então passaram a trabalhar de forma mais próxima para diminuir custos. Em sua primeira reunião conjunta de produção, Barbera sugeriu que eles tentassem um cenário “gato e rato”, esboçando os personagens que eles precisavam para produzir o episódio “Puss Gets the Boot” (Um Gato Travesso), lançado em 10 de fevereiro de 1940.

Em entrevistas, Joe Barbera disse que o estúdio sabia que precisava de conflitos, perseguição e ação para decolar um curta animado, e um gato atrás de um rato parecia uma ideia simples e boa. “A história original gira em torno de um gato branco e azul doméstico chamado Jasper, em suas tentativas de pegar um rato chamado Jinx, evitando a empregada afro-americana Mammy, que mais tarde se tornaria proprietária de Tom”, contou.

Com isso, Jasper foi desenhado como um gato normal, quadrúpede e com pouca inteligência, contrastando com Jinx, que era bípede e tinha uma inteligência mais semelhante à humana. Eles quebravam coisas por toda a casa até que o gato finalmente desistia de capturar o rato.

No entanto, esta trama aparentemente despreocupada tinha um lado sombrio: impulsionar a moral civil durante a Segunda Guerra Mundial. 10 de fevereiro de 1940 coincidiu com o início da Batalha da Grã-Bretanha, quando caças alemães atacaram um comboio na costa de Dover. Os EUA não estavam oficialmente em guerra nesta fase, embora o suporte aos “Tommys” britânicos (apelido das pistolas-metralhadoras britânicas) era forte entre os americanos.

Hanna e Barbera logo abandonaram esses personagens para fazer novos curtas-metragens. Porém, o curta Puss Gets the Boot perdeu por pouco um Oscar para a Melhor Curta na categoria de Desenhos Animados em 1941. A
MGM rapidamente colocou o gato e o rato de volta na produção, e as primeiras coisas a serem alteradas foram os nomes dos personagens. Uma competição no estúdio foi lançada para nomear o par, puxando sugestões de um chapéu.

O animador John Carr ganhou o concurso pela sua sugestão de nomeá-los de Tom e Jerry. Carr baseou a escolhe em duas ideias: em primeiro lugar, que um gato deve ser chamado Tom por causa da associação com a raça de gato tomcat, e, em segundo lugar, porque as palhaçadas da “guerra” entre os dois personagens lembravam os Tommies e Jerries lutando na Primeira Guerra Mundial – uma situação que de alguma forma tinha recentemente se repetido, na Segunda Guerra Mundial.

O segundo curta da dupla foi lançado em 19 de julho de 1941, a mesma data em que Winston Churchill lançou sua campanha “V de vitória”. Os personagens apareceram em quatro ou cinco curtas-metragens por ano, totalizando 114 filmes no estúdio MGM até 1957, quando a produção de desenhos animados na MGM foi fechada.
Hanna e Barbera então começaram seu próprio estúdio de animação, chamado Hanna-Barbera Productions Inc. em 1957. A MGM manteve a licença para Tom e Jerry, e em um toque polêmico decidiu reviver a série na década de 1960 usando seu estúdio baseado em Praga (República Tcheca), o Rembrandt Films, com o animador Gene Deitch. Na época, o país, unido com a Eslováquia e chamado Tchecoslováquia, foi uma escolha altamente controversa dado o fato de que estava escondido atrás da Cortina de Ferro no auge da Guerra Fria. A crise dos mísseis de Cuba aconteceu, inclusive, durante a produção de Tom e Jerry em Praga. [Listverse]

Pra ver a terceira parte da série, clique aqui.

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