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[Série] 10 origens de personagens de desenhados animados famosos

Personagens de desenhos animados: eles nos encantam, nos fascinam, alegram nossa infância, mais tarde despertam boas lembranças… E, apesar de muitos serem mundialmente conhecidos, suas histórias, inspirações e origens não são tanto.

Com o Dia das Crianças chegando, vamos publicar uma série contando a história de 10 personagens de desenhado animado famosos, com dois personagens por vez. As informações sobre suas histórias foram reunidas pelo site Listverse durante um período de seis meses, através de pesquisas, vídeos, entrevistas, livros e outras fontes.

Para ver a primeira parte da série, clique aqui.
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9 – He-Man

Produção: 5 de setembro de 1983 – 15 de dezembro de 1984
Inspiração: Conan, o Bárbaro (personagem criado em 1932)

Conan, o Bárbaro é uma série de fantasia popular que foi escrita primeiramente por Robert E. Howard em 1932 e publicada na revista Weird Tales. Conan era famoso por seus enormes músculos, que lembravam o super-herói Super Homem, que apareceu pela primeira vez na DC Comics no mesmo ano.

Passando para o final de 1970, a Mattel (que tinha recentemente recusado uma oferta de George Lucas para produzir bonecos (ou figuras de ação) para a série Star Wars) queria uma nova linha de personagens para salvá-los da ruína financeira. A tarefa coube a Roger Sweet, um designer que usou um torso de um dos sucessos da Mattel em uma pose de “ação” e acrescentou argila para almofadá-lo. Então, fez moldes de gesso e criou três protótipos prontos para aprovação no início de 1980. Em entrevistas, ele disse: “Esta era uma figura poderosa que podia ser levada para qualquer lugar e colocada em qualquer contexto, porque tinha um nome genérico: He-Man!” (em inglês, he significa “ele”, e man, “homem”).

Os modelos dos protótipos representavam He-Man como um soldado, um astronauta e um bárbaro. Dos três conceitos, a versão do bárbaro foi a escolhida. O estágio de protótipo de He-Man era significativamente diferente do resultado final: um boneco de cabelo preto, pele profundamente bronzeada e usando um capacete.

Na mesma época, em 1980, a CPI (que possuía a licença para Conan, o Bárbaro) iniciou conversações para permitir que a Mattel produzisse oficialmente Conan. As negociações continuaram por muitos meses, deixando Conan no limbo, enquanto He-Man continuou a ser desenvolvido.

Em 1981, Tom Kalinske, gerente e designer da Mattel, refinou a ideia para que He-Man perdesse o capacete, se tornasse loiro e sua pele mais clara. Mattel então contratou escritores de quadrinhos e artistas como
Donald F. Glut e Earl Norem para criar personagens extras e produzir uma história de fundo para completar a série. Em julho de 1981, CPI concedeu a Mattel os direitos de reprodução de Conan, o Bárbaro, mas apenas seis meses depois a Mattel encerrou o contrato.

He-Man apareceu em fevereiro de 1982 com grande sucesso. Em maio, Conan, o Bárbaro foi lançado nos cinemas com Arnold Schwarzenegger, ponto em que a CPI tentou processar a Mattel pela “inquietante semelhança” entre He-Man e Conan, caso que foi ajudado pela divulgação das versões de protótipo de He-Man com cabelos castanhos e uma forte semelhança com o personagem Conan. A CPI acabou perdendo o caso e a Mattel manteve os direitos sobre He-man.

Daí em diante, a Filmation Studios ficou encarregada de produzir a série de TV “He-Man e os Mestres do Universo”. Até então, He-Man era conhecido como “um bárbaro de uma tribo chamada Eternia”, que tem de proteger o Castelo de Grayskull do Esqueleto (vilão). Cada um tinha uma metade de uma espada que, quando unida, formaria uma super arma; quem a controlasse seria o Mestre do Universo.

Os designers da Filmation adicionaram vários conceitos para a história. He-Man era agora um príncipe (Adam), filho do rei Randor e da rainha Marlena, com um tigre verde de animal de estimação, o Pacato, um covarde, que se tranformava no Gato Guerreiro, um poderoso tigre de batalha com armadura, através do uso de magia. Aliás, é pela magia também que o príncipe Adam revela sua identidade secreta, He-Man. A fala memorável todos conhecem: “Pelos poderes de Grayskull… Eu tenho a força!”. Teela foi adicionada e era a filha da Feiticeira do Castelo de Grayskull, assim como alguns outros personagens.

Mais tarde, a partir de acordos financeiros, a rede ABC começou a exibir a série, em 5 de setembro de 1983. Em 1984, He-Man estava sendo visto em 120 estações de televisão norte-americanas e em mais de 30 países do mundo. A origem da franquia ainda permanece um segredo, mas considerando que o personagem Conan foi criado há 50 anos, é uma réplica visual de He-Man, e que a Mattel estava trabalhando para garantir a franquia de Conan o tempo todo, é difícil imaginar que ele não tenha sido a ideia inicial que inspirou He-Man.

A Filmation também criou a série She-Ra: A Princesa do Poder (1985-1987), voltada para o público feminino, até fechar em 1988.

10 – Os Simpsons

Produção: 17 de dezembro de 1989 – presente
Inspirações: Homer Simpson (personagem do livro “O Dia do Gafanhoto” de 1939), e Ken Osmond (ator, como Eddie Haskell na série “Foi sem Querer” de 1957 – 1963)

Em 1977, a autopublicação “Life in Hell”, um livro em quadrinhos escrito e produzido por Matt Groening que trazia a história de um personagem que vivia em Los Angeles e sua sucessão de erros e falhas, chamou a atenção de James L. Brooks, que contratou Groening para criar histórias curtas para o programa Tracey Ullman Show. Enquanto esperava na recepção do escritório de Brooks para a entrevista, Groening desenhou uma série de projetos básicos que viriam a se tornar a base para Os Simpsons. Ele entrou no escritório e apresentou seus desenhos de 10 minutos de idade, ganhando a comissão para o programa.

Ele nomeou os personagens a partir dos membros de sua própria família, seu pai Homer, sua mãe Marge e sua irmã Lisa, substituindo Bart por si mesmo. A inspiração por trás dos maneirismos de Homer não se baseou em seu pai (que era muito inteligente), entretanto, e sim, de acordo com o próprio Matt Groening, no livro de 1939 de Natanael West “O Dia do Gafanhoto”, que contava com um personagem irremediavelmente desajeitado, o “homem comum”, chamado Homer Simpson.

O nome do meio de Homer é simplesmente a letra J, e é uma homenagem ao “J” em Bullwinkle J. Moose e Rocket
J. Squirrel, de The Rocky and Bullwinkle Show, e seu criador Jay Ward. Bart Simpson foi apontado como um anagrama de “brat” (que pode significar “fedelho”, em inglês), e foi o irmão mais velho de Groening que inspirou sua “atitude”. O personagem seguia o estereótipo típico da criança que se comporta mal, com alguns traços dos personagens Tom Sawyer (protagonista dos livros infantis As Aventuras de Tom Sawyer), e Huckleberry Finn (protagonista da obra As Aventuras de Huckleberry Finn, que também aparece em As Aventuras de Tom Sawyer).

Matt também afirmou que uma das ideias iniciais para Bart veio quando ele considerou: “O que aconteceria se Eddie Haskell [da série “Foi Sem Querer”, no original, “Leave it to Beaver”] tivesse seu próprio show?”.

A família Simpson inteira foi projetada para que pudesse ser desenhada muito rapidamente, permitindo que orçamentos apertados rendessem mais. A silhueta simples também os tornava muito reconhecíveis.

Ao projetar o cabelo de Homer, Matt inicialmente esboçou suas iniciais, “M” para a orelha e “G” para o couro cabeludo, esperando veementemente que a equipe de produção arrumasse o cabelo para a arte final. Eles não fizeram isso; simplesmente usaram os contornos de Groening, de modo que as iniciais do criador ainda permanecem no personagem até hoje.

O cabelo da Marge foi baseado no icônico penteado de Elsa Lanchester como usado em A Noiva de Frankenstein (1935), e em um estilo similar usado por Margaret Groening durante os anos 1960.

O cabelo de Lisa era inicialmente um conjunto de fios soltos, que foi mudado para um design mais simples de “cabelo hexágono” antes do episódio piloto.

Em 19 de abril de 1987, o primeiro curta d’Os Simpsons apareceu no Tracey Ullman Show, seguido por mais três temporadas, com a primeira série de meia hora cheia de episódios aparecendo em 17 de dezembro de 1989.

O programa ainda está no ar depois de 508 episódios, e é considerada a mais antiga (e talvez a mais popular) série de animação de todos os tempos.

Em uma reviravolta final, em 1992, Tracey Ullman entrou com uma ação contra a Fox, alegando que seu programa era a fonte do enorme sucesso da série. O pedido de uma parte dos lucros do desenho foi rejeitado pelos tribunais.[Listverse]

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