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Síndrome de Cotard: a rara doença dos mortos-vivos

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Um dos transtornos mentais mais estranhos e raros do mundo é a síndrome de Cotard, ou síndrome do cadáver ambulante, na qual o indivíduo acredita estar morto. Pacientes também podem acreditar que seus órgãos não estão mais funcionando ou estão necrosados, ou ainda que seus familiares, amigos ou o mundo que o rodeia não existem mais.

Infelizmente, mortos-vivos não existem só em filmes e videogames. As pessoas que sofrem desta doença realmente acreditam que já morreram, apesar de poderem interagir com pessoas ao seu redor.

O nome da condição vem de um neurologista francês do século 19, Jules Cotard. Em 1880, ele apresentou a primeira paciente a ser diagnosticada com a doença, chamando-a de Mademoiselle X. Ela sofria significativa autoaversão, negação da existência de Deus e do Diabo, e de várias partes de seu próprio corpo.

Ela também acreditava que estava amaldiçoada por toda a eternidade, incapaz de morrer de morte natural, de modo que não tinha motivos para comer mais. Mademoiselle X eventualmente morreu de fome.

A síndrome de Cotard pode ter variações entre os pacientes. Por exemplo, alguns acreditam ter perdido todo seu sangue e órgãos internos, enquanto outros estão convencidos de que estão apodrecendo. Um dos casos mais interessantes já relatados é de uma vítima de um acidente de moto. Devido às complicações que surgiram durante sua recuperação, ele acreditava que havia morrido. O que piorou as coisas foi o fato de sua mãe decidir se mudar para a África do Sul logo após o acidente, e o levar junto. Como seu novo ambiente era muito quente, ele estava bastante convencido de que tinha ido para o inferno.

A maioria das pessoas com esta doença incomum também é diagnosticada com esquizofrenia. Às vezes, a síndrome também ocorre como uma reação adversa ao aciclovir, um medicamento antiviral usado para tratar herpes.

Em termos médicos, a área do cérebro que reconhece rostos dos pacientes com esta síndrome é afetada. Como resultado, essas pessoas perdem todos os sentimentos emocionais ao ver os rostos daqueles que lhes são familiares. Isso cria dentro deles uma separação completa com o mundo “vivo”, levando-os a crer que estão mortos.

A doença ocorre em fases – germinação, floração e crônica. Na primeira fase, ocorrem depressão psicótica e hipocondria, marcadas por um vago sentimento de ansiedade. Na fase de floração, os sintomas agravam e a síndrome se desenvolve completamente. Na fase final e crônica, delírios graves e depressão crônica ocorrem, com uma visão completamente distorcida do mundo.

Neurologicamente, a síndrome de Cotard é considerada um primo próximo da síndrome de Capgras, outra ilusão em que um indivíduo acredita que um ente querido foi substituído por um impostor. O tratamento para Cotard é lento, mas possível. O uso de antidepressivos, antipsicóticos e outros estabilizadores de humor podem oferecer um alívio considerável aos pacientes.[OddityCentral, InfoEscola]

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