Dando asas à informação

Zoológico Lujan: parque nos arredores de Buenos Aires permite interação com animais selvagens

Já pensou em acariciar um leão, montar um tigre, alimentar um urso? Aparentemente, você pode fazer tudo isso no Zoológico Lujan, que fica nos arredores de Buenos Aires, na Argentina.

No site do parque, eles possuem algumas informações em português de como chegar até lá, o preço (130 pesos argentinos – eles aceitam reais) e que esse valor lhe dá direito a todas as atrações do parque: visitas guiadas, passeios de camelo, pônei para as crianças, acampamento, área de churrasqueira e de jogos, “acesso aos locais onde for permitido”…

O que seria esse “acesso” e quais seriam os “locais permitidos”? O site informa que Lujan possui uma grande variedade de animais, como leões, tigres, pumas, elefantes, camelos, macacos, leões, tucanos, araras, veados, antílopes, lhamas, ursos marrons e outros, e que possibilita contato com os animais em uma experiência única.

Aparentemente, é possível até colocar uma uva nos lábios e esperar que um urso a pegue de sua boca. Como você pode ver nas fotos, mesmo crianças pequenas podem interagir com os animais selvagens.

Tem gente que não chegaria perto deles nem por um decreto. Mas para quem adora aventuras, esse parque deve parecer mágico. Medo ou coragem de enfrentá-los à parte, será que isso não é perigoso? Você, como eu, imagina que esse zoológico é um acidente esperando para acontecer?

Incrivelmente, desde que foi inaugurado, em 1994, o Lujan não viu um acidente sequer. Segundo o diretor do parque, Jorge Semino, o segredo para a docilidade dos animais é que eles são criados assim desde que nascem. Já filhotes, eles são cuidados com muito amor em presença constante de humanos. Eles também observam o exemplo de cães, que são vistos interagindo com pessoas de forma obediente. Além disso, os animais são constantemente alimentados, de forma que nunca verão um ser humano como comida.

Os treinadores animais do zoológico informam que trabalham bastante com os bichos para diminuir seus instintos agressivos ou violentos. Em um ambiente selvagem, eles estariam em uma competição acirrada por comida, o que não acontece no zoológico. “A única maneira é criá-los desde bebês e educá-los com amor, carinho e respeito, e eles vão devolver o mesmo”, disse Semino. Juan José Bianchini, um biólogo que trabalha com os animais no jardim zoológico, acrescenta que “a aprendizagem precoce faz com que os animais percam a sua agressividade de forma total e irreversível. Eles aprendem a conviver com outras espécies e perder os impulsos agressivos”.

Como o ser humano não é presa de nenhum animal – o que, por conseguinte, significa que só seremos atacados se os provocarmos/ameaçarmos ou se eles estiverem com muita fome – eu acredito que o zoológico deve ser um ambiente bastante seguro. Mas também, animais são animais: imprevisíveis e, digamos, não racionais (vamos deixar a discussão sobre a inteligência e a percepção animal para outro dia).

Por conta da segurança que os administradores do zoológico têm em deixar as pessoas perto dos animais, há quem diga que eles são sedados constantemente. Eles negam a acusação veementemente: se esse fosse o caso, os animais logo adoeceriam e morreriam, o que não é bom para o zoológico, e, claro, não é algo que eles fariam com os animais.

Direitos dos animais

A associação “Born Free Foundation”, uma organização internacional de direitos animais, protesta contra o Lujan. Ela pede às autoridades para investigar as práticas do zoológico argentino, afirmando que elas exploram o bem-estar animal para fins comerciais.

A petição online que a associação lançou contra o Lujan há alguns anos afirma que “ninguém quer ver os animais forçados a se comportar de maneiras que são anormais e degradantes para eles, e ninguém quer ver o Lujan Zoo (ou qualquer jardim zoológico) colocando seus visitantes em risco”.

Martha Gutiérrez, presidente da Associação para a Defesa dos Direitos dos Animais, também disse que a intenção do zoológico de pacificar os animais selvagens é equivocada. “Acho que isso dá uma mensagem terrível para o público sobre a relação entre animais e pessoas. Estes são animais selvagens, e não são destinados a estar sob nosso controle”, afirma.

Já Jorge Semino disse que respeita os grupos de direitos animais e o trabalho que eles fazem, e inclusive admite que o Lujan pode não ser o lugar ideal para os animais selvagens, mas que eles tratam todos com muito carinho e não de forma degradante. “Sabemos que este não é o lugar ideal para nenhum animal viver, mas muitos jardins zoológicos, incluindo o nosso, dão proteção aos animais que são abandonados ou nascidos em cativeiro. Um animal nascido em cativeiro e que passou muitos anos em contato com seres humanos não pode ser solto na natureza. Eles não sabem como sobreviver por conta própria”, explica.

E o problema tratado por Semino é real. Buenos Aires é próxima da floresta tropical brasileira, onde animais exóticos são vendidos como animais de estimação o tempo todo. Claro que isso nunca dá certo e eles acabam no zoológico, onde são alimentados, curados e treinados para agir de forma amigável. Embora o único lar adequado para eles seja o selvagem, os animais podem ser melhor tratados no Lujan do que em outros lugares ou até em outros zoológicos ao redor do mundo.[OddityCentral]

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